Em um anúncio que gerou discussões e levantou questionamentos entre especialistas do setor, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou na última sexta-feira, 29 de agosto de 2026, um acordo de grande escala com a Venezuela. O pacto, segundo Trump, assegura o controle majoritário dos EUA sobre 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezuelanas, o que representa aproximadamente 20% dos estimados 303 bilhões de barris que o país sul-americano possui.
A promessa central do ex-presidente é de que este acordo resultaria em uma "redução substancial dos preços da gasolina para todos os americanos, por muito tempo no futuro". No entanto, analistas e ex-funcionários do governo expressam ceticismo quanto à capacidade do pacto de gerar um impacto imediato nos custos de combustível, apontando para a infraestrutura petrolífera venezuelana em estado de deterioração e a necessidade de investimentos massivos e tempo para revitalizar a produção.
Desafios na Infraestrutura e Produção Venezuelana
Apesar da magnitude das reservas envolvidas, a Venezuela enfrenta sérios desafios em sua capacidade de extração e exportação de petróleo. Anos de má gestão por parte do governo socialista resultaram em uma infraestrutura petrolífera em ruínas. Atualmente, o país produz cerca de 1,2 milhão de barris por dia (bpd), um declínio acentuado em comparação com o pico de 3,5 milhões de bpd registrado no final da década de 1990.
Especialistas da Rystad Energy estimaram, em janeiro de 2026, que seriam necessários cerca de 180 bilhões de dólares em investimentos até 2040 para que a Venezuela pudesse retornar à sua produção máxima. O Secretário de Estado Marco Rubio afirmou na sexta-feira que o acordo de Trump trará quase 100 bilhões de dólares em investimentos do setor privado para o país.
David Goldwyn, que atuou como enviado especial do Departamento de Estado para assuntos de energia internacional durante a administração do ex-presidente Barack Obama, expressou dúvidas sobre o impacto imediato do acordo.
"Isso não terá absolutamente nenhum impacto nos preços da gasolina ou na produção venezuelana, por muitos anos", declarou Goldwyn.
A falta de detalhes divulgados sobre os termos do acordo também contribui para a incerteza jurídica e a viabilidade a longo prazo, segundo os especialistas.

Cenário Atual dos Preços da Gasolina nos EUA
O anúncio de Trump ocorre em um momento de alta nos preços da gasolina nos Estados Unidos. Na segunda-feira, 1º de setembro de 2026, o preço médio nacional era de 4,08 dólares por galão, quase 30% mais alto do que no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da AAA. Esse aumento é atribuído a ataques da Ucrânia a refinarias russas e a interrupções no fornecimento no Oriente Médio, desencadeadas pela guerra no Irã.
Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, previu que os preços da gasolina atingiriam um novo recorde histórico para o feriado do Dia do Trabalho (Labor Day).
"A menos que tenhamos uma queda mágica de 20 centavos, o que é quase impossível, será um Dia do Trabalho recorde em termos de média nacional", afirmou De Haan. "Os preços da gasolina nunca estiveram tão altos nesta época do ano, infelizmente."
Investimentos e Desafios Logísticos
Ainda não está claro quais empresas petrolíferas investirão na Venezuela para extrair suas reservas e como esses acordos serão estruturados. A Chevron é a única grande empresa petrolífera dos EUA atualmente ativa no país, por meio de joint ventures com a estatal PDVSA. A produção da Chevron na Venezuela aumentou 15% para 280.000 bpd este ano, conforme informou a diretora financeira Eimear Bonner em 31 de julho de 2026. A empresa espera aumentar a produção em até 50% até 2028, atingindo cerca de 400.000 bpd em aproximadamente dois anos.
No entanto, o crescimento da produção na Venezuela será limitado pelas restrições nos terminais de exportação. Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, destacou que os navios-tanque esperam até 30 dias para carregar petróleo bruto da Venezuela devido a desafios com a infraestrutura envelhecida e interrupções de energia que afetam os portos.
"Os terminais teriam que ser expandidos para lidar com mais produção", disse Goldwyn. "Não está claro quem assumirá esse projeto."
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, declarou no sábado que o acordo de 25 anos desenvolverá 17 campos de petróleo e inicialmente aumentará a produção para 1,5 milhão de bpd. As reservas de petróleo estão localizadas principalmente em oito blocos na Faixa do Orinoco, com o restante na região do Lago de Maracaibo.

Incertezas Políticas e Viabilidade a Longo Prazo
Os campos na Faixa do Orinoco têm pouco ou nenhum acesso à infraestrutura, o que significa que levará entre cinco e sete anos, na melhor das hipóteses, para entregar uma produção aumentada ao mercado, segundo Goldwyn.
Além dos desafios operacionais, a viabilidade do acordo a longo prazo é questionável devido a riscos políticos significativos tanto em Washington quanto em Caracas. Bob McNally, presidente da Rapidan Energy, sugere que um presidente democrata em 2029 provavelmente reconsideraria ou encerraria o acordo. Mesmo que um republicano vença a próxima eleição presidencial, um futuro governo venezuelano poderia romper o acordo, como Caracas já fez no passado.
"O petróleo venezuelano poderia adicionar grandes e muito necessários suprimentos se tudo correr bem nas próximas décadas", disse McNally. "Mas não é um fator importante no curto prazo em termos de preços nas bombas."
O que isso significa para a região
Para o Norte Pioneiro do Paraná e para o Brasil, a instabilidade nos preços globais do petróleo, como a observada com o acordo EUA-Venezuela, tem implicações diretas. Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, a cotação internacional do barril influencia diretamente o preço dos combustíveis no mercado interno, especialmente da gasolina e do diesel. A promessa de Trump de baixar os preços, mesmo que questionada por especialistas, reflete a sensibilidade do mercado a grandes volumes de reservas. No entanto, a complexidade da infraestrutura venezuelana e a volatilidade política global indicam que qualquer benefício de um aumento na oferta de petróleo levaria anos para se materializar, mantendo a pressão sobre os custos de transporte e energia em geral. A dependência de combustíveis fósseis ainda expõe a economia local a choques externos, reforçando a importância de diversificação da matriz energética.
Leitura da LZ7 Energia
Para o Norte Pioneiro do Paraná e para o Brasil, a instabilidade nos preços globais do petróleo, como a observada com o acordo EUA-Venezuela, tem implicações diretas. Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, a cotação internacional do barril influencia diretamente o preço dos combustíveis no mercado interno, especialmente da gasolina e do diesel. A promessa de Trump de baixar os preços, mesmo que questionada por especialistas, reflete a sensibilidade do mercado a grandes volumes de reservas. No entanto, a complexidade da infraestrutura venezuelana e a volatilidade política global indicam que qualquer benefício de um aumento na oferta de petróleo levaria anos para se materializar, mantendo a pressão sobre os custos de transporte e energia em geral. A dependência de combustíveis fósseis ainda expõe a economia local a choques externos, reforçando a importância de diversificação da matriz energética.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
