A Nação Tohono O'odham, uma tribo indígena que se estende pela fronteira entre os Estados Unidos e o México, denunciou a entrada de agentes federais norte-americanos e trabalhadores da construção civil em suas terras para dar início à edificação de um controverso muro na fronteira, no estado do Arizona. A tribo acusa as autoridades de invasão ilegal, ignorando sua soberania e ameaçando locais sagrados e recursos naturais.
Invasão e Conflito na Fronteira
Em um comunicado divulgado na terça-feira, a Nação Tohono O'odham informou que aproximadamente 20 agentes mascarados e armados da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) acompanharam os trabalhadores da construção a três locais distintos antes do amanhecer. Segundo a tribo, o CBP teria impedido a polícia tribal de emitir citações de invasão aos empreiteiros. A área foi isolada com um "bloqueio veicular" e uma equipe de armas e táticas especiais (SWAT) foi mobilizada para proteger os trabalhadores, conforme relatos das autoridades Tohono O'odham. A polícia mexicana também foi destacada para monitorar a situação, e um "balão amarrado" foi utilizado para fins de vigilância.
"Neste momento, as interações entre [a polícia Tohono O'odham] e as forças de segurança federais têm sido pacíficas e profissionais", afirmou o comunicado da tribo. "Continuaremos a monitorar a situação."
Esta atividade matinal representa o capítulo mais recente de uma disputa que se arrasta por anos entre a Nação Tohono O'odham e a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que tem pressionado pela construção de um muro fronteiriço através das terras da nação tribal.

Histórico de uma Disputa Prolongada
O conflito remonta ao primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021, quando ele propôs uma barreira que atravessaria a fronteira para conter a migração irregular para os EUA. No entanto, muitos grupos indígenas, incluindo a Nação Tohono O'odham, opuseram-se à construção, que ameaçava destruir habitats sensíveis, locais sagrados e outras partes das terras tribais. A Nação Tohono O'odham, uma tribo reconhecida federalmente com cerca de 37.000 membros, possui aproximadamente 100 quilômetros (62 milhas) da fronteira EUA-México. Seu território abrange o estado do Arizona, nos EUA, e o estado de Sonora, no México. A tribo tem membros em ambos os países, que frequentemente atravessam a fronteira sem passaportes ou outros documentos, utilizando apenas suas carteiras de identidade tribais.
Soberania Indígena e Impasses Legais
Sob a lei dos EUA, as tribos reconhecidas federalmente são consideradas "nações dependentes domésticas". Elas exercem soberania sobre suas próprias terras e não estão sujeitas às leis estaduais. Contudo, a relação dessas nações com o governo dos EUA é frequentemente tensa. A extensão em que as autoridades federais podem impor sua vontade às nações tribais tem sido objeto de acaloradas batalhas legais, e o muro fronteiriço tem sido o centro de algumas dessas disputas.
Em junho, a legislatura Tohono O'odham votou unanimemente para entrar com uma ação judicial contra a administração Trump devido aos esforços para apropriar terras tribais para a barreira. A nação argumentou que cooperou estreitamente com as autoridades federais para deter travessias irregulares da fronteira e o contrabando de drogas, gastando milhões de dólares nesse esforço. A tribo afirma que as detenções transfronteiriças caíram mais de 95% como resultado desse trabalho. A tentativa de invadir terras tribais para construir um muro fronteiriço seria uma violação dos direitos indígenas, segundo a Nação Tohono O'odham, que alegou não ter sido consultada antes do início da construção.

"Fomos deixados sem outra escolha", acrescentou o governo tribal. "Preferiríamos usar os recursos que o litígio exigirá para serviços diretamente aos membros da Nação. Mas nossa prioridade DEVE ser sempre proteger nosso povo, nossa cultura e defender o que é certo."
Ao seguir em frente, a nação indígena argumentou que o Departamento de Segurança Interna dos EUA "escolheu desconsiderar nossa soberania, ignorando estratégias comprovadas de segurança de fronteira e desconsiderando a destruição ambiental e cultural irreversível que se seguirá".
Decisão Judicial e Impactos
Em 14 de agosto, o juiz distrital dos EUA, Richard Leon, recusou-se a emitir uma liminar preliminar para interromper a construção do muro fronteiriço em terras Tohono O'odham. A atividade de construção na manhã de terça-feira parece ser um resultado dessa decisão. A administração Trump argumentou que a terra ao longo da fronteira não pertence à tribo. Em vez disso, apontou para uma proclamação de 1907 que declarou a área de aproximadamente 18 metros (60 pés) ao redor da fronteira como terra federal para fins de segurança.
Em 2023, no entanto, um relatório do Government Accountability Office (GAO), uma agência federal de fiscalização dos EUA, descobriu que o esforço para construir o muro fronteiriço havia causado danos a terras indígenas, incluindo "detonações em um local de sepultamento tribal e alteração dos fluxos de água". Nos últimos meses, a tribo Tohono O'odham instalou grandes placas alertando contra a invasão de sua reserva.
Leitura da LZ7 Energia
A discussão sobre o uso da terra e a soberania em regiões fronteiriças, como a enfrentada pela Nação Tohono O'odham, ressalta a complexidade dos desafios de infraestrutura. No contexto energético, a implantação de projetos, sejam eles de grande escala como usinas solares ou linhas de transmissão, exige um planejamento cuidadoso que respeite não apenas as leis ambientais, mas também os direitos e a cultura das comunidades locais, especialmente as indígenas. A energia solar, por sua natureza descentralizada e de menor impacto ambiental quando bem planejada, pode ser uma alternativa para o desenvolvimento sustentável, mas mesmo ela requer diálogo e consentimento para evitar conflitos semelhantes. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, entende a importância de um desenvolvimento que considere as particularidades de cada local e comunidade, buscando soluções que integrem tecnologia e respeito socioambiental.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
