O Escritório Federal Alemão para Segurança da Informação (BSI) divulgou um conjunto de recomendações cruciais para fortalecer a cibersegurança de sistemas de controle industrial que possuem acesso à internet. A iniciativa visa proteger uma vasta gama de instalações energéticas, desde pequenas usinas hidrelétricas e parques eólicos até complexos de conversão de resíduos em energia e, notavelmente, instalações fotovoltaicas de todos os portes. A diretriz principal e mais enfática do BSI é a eliminação do acesso direto à internet para os sistemas que controlam essas operações.
Ameaça Cibernética e Sistemas de Controle
Nos sistemas de energia solar fotovoltaica, os componentes de controle que podem estar vulneráveis incluem controladores industriais, equipamentos de comunicação, gateways de monitoramento, inversores, sistemas SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition) e plataformas de monitoramento remoto. A conexão direta desses sistemas à internet aumenta exponencialmente sua exposição a ciberataques. Sistemas acessíveis por redes públicas são suscetíveis a tentativas de acesso não autorizado, exploração de falhas de segurança já conhecidas e até mesmo manipulação de parâmetros operacionais. Os riscos se estendem muito além da simples perda de dados de monitoramento, pois incidentes que afetam os sistemas de Tecnologia Operacional (OT) podem comprometer seriamente o controle e a operação das usinas, gerando interrupções e prejuízos significativos.
Medidas de Proteção e Acesso Remoto Seguro
Para mitigar esses riscos, o BSI recomenda a substituição do acesso direto à internet por conexões remotas seguras. A principal ferramenta sugerida é o uso de Redes Virtuais Privadas (VPNs), que estabelecem conexões criptografadas entre usuários autorizados e as redes da usina. Além disso, a autenticação multifator é apresentada como uma camada adicional de segurança, exigindo uma forma extra de verificação de identidade além da simples senha. Embora essas medidas não eliminem completamente todos os riscos de cibersegurança, elas reduzem significativamente a probabilidade de acesso não autorizado, que muitas vezes resulta de credenciais roubadas ou senhas fracas.
“A conexão direta desses sistemas à internet aumenta exponencialmente sua exposição a ciberataques. Sistemas acessíveis por redes públicas são suscetíveis a tentativas de acesso não autorizado, exploração de falhas de segurança já conhecidas e até mesmo manipulação de parâmetros operacionais.”
Outra recomendação fundamental do BSI é a manutenção constante dos equipamentos, com a instalação imediata de patches de segurança e atualizações de software. Essa prática é essencial tanto para os sistemas de supervisão quanto para os dispositivos de campo conectados, como roteadores, firewalls, controladores, inversores e gateways de comunicação. A falha em instalar essas atualizações pode deixar os sistemas vulneráveis a falhas de segurança já conhecidas e para as quais já existem correções disponíveis.
Auditorias e Gerenciamento de Ativos
O Escritório Federal Alemão para Segurança da Informação também enfatiza a necessidade de verificações periódicas para identificar dispositivos e sistemas que estejam expostos à internet. Os operadores de usinas devem manter inventários detalhados de todos os ativos conectados, identificar suas interfaces de comunicação e verificar se os serviços remotos não estão acessíveis desnecessariamente. Quando sistemas expostos são identificados, é imperativo que os operadores implementem medidas de mitigação apropriadas para corrigir as vulnerabilidades.
Implicações para Usinas Fotovoltaicas
Para as usinas fotovoltaicas, as recomendações do BSI reforçam a importância de uma série de práticas de segurança. Entre elas, destacam-se a separação rigorosa entre as redes corporativas e operacionais, a restrição do acesso remoto apenas a usuários e provedores de serviço autorizados, e o estabelecimento de procedimentos regulares de atualização e revisão de segurança. O BSI sugere que essas práticas sejam integradas às operações rotineiras das usinas, de modo a fortalecer continuamente a cibersegurança dos sistemas de controle conectados.
O que isso significa para a região
As diretrizes alemãs, embora emitidas por uma agência estrangeira, servem como um importante alerta e referência para o setor de energia no Brasil, especialmente no Norte Pioneiro do Paraná, onde a expansão da energia solar é uma realidade crescente. A segurança cibernética de usinas fotovoltaicas não é apenas uma questão tecnológica, mas uma preocupação estratégica para a estabilidade do fornecimento de energia. A interrupção de uma usina solar devido a um ataque cibernético poderia causar perdas financeiras significativas para os operadores e desestabilizar o fornecimento para consumidores e empresas locais. A adoção de práticas como VPNs, autenticação multifator e a manutenção rigorosa de softwares e hardwares, como recomendado pelo BSI, pode prevenir incidentes que teriam um impacto direto na economia e na vida dos moradores da região. A conscientização e a implementação dessas medidas são passos cruciais para garantir que a energia solar continue sendo uma fonte segura e confiável.
Leitura da LZ7 Energia
A segurança cibernética de infraestruturas críticas, como usinas solares, é um tema de crescente relevância global. As recomendações do BSI na Alemanha sublinham a importância de proteger os sistemas de controle contra acessos não autorizados e ciberataques. Para a LZ7 Energia, que atua no Norte Pioneiro do Paraná, essas diretrizes reforçam a necessidade de que nossos clientes e parceiros adotem as melhores práticas de segurança em suas instalações. A integridade dos sistemas de monitoramento e controle de usinas solares é fundamental para garantir a eficiência operacional, a longevidade dos equipamentos e, principalmente, a segurança do fornecimento de energia. A implementação de medidas como VPNs e autenticação multifator não é um luxo, mas uma necessidade para proteger os investimentos e assegurar a estabilidade energética, evitando interrupções e perdas que poderiam impactar diretamente a conta de luz e a economia local.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
