O que aconteceu
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) revogou as autorizações de duas usinas solares fotovoltaicas que, somadas, teriam 390,2 MW de capacidade instalada. Os projetos em questão são a UFV Delio Bernardino, com 81,2 MW, e a UFV Delio Bernardino VIII, com 309 MW, ambos investidos pela Copenhagen Infrastructure Partners (CIP). A decisão da ANEEL ocorreu após constatar que, mesmo passados mais de três anos dos prazos originais, não houve evidências de avanço na implantação dos empreendimentos.
A UFV Delio Bernardino tinha previsão de início de operação comercial para 16 de setembro de 2022, enquanto a UFV Delio Bernardino VIII deveria operar a partir de 1º de abril de 2023. Ambos os ativos estão localizados em Janaúba, Minas Gerais. Segundo o portal MegaWhat, a fiscalização dos projetos começou em 2022 devido aos atrasos. As empresas recorreram à Justiça Federal buscando alterar as datas e postergar o início dos contratos de uso do sistema de transmissão, evitando encargos e penalidades. Uma decisão judicial inicial concedeu tutela de urgência, suspendendo os efeitos do despacho da ANEEL. Contudo, em 7 de outubro de 2025, o recurso foi negado, com a justificativa de que as empresas definiram voluntariamente o cronograma e já tinham conhecimento dos fatores relacionados à pandemia ao assinar o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust).
O que muda
Com a revogação das autorizações, os projetos de 390,2 MW não poderão ser implementados sob as condições inicialmente aprovadas. Isso significa a perda de uma capacidade significativa de geração de energia solar que estava prevista para o sistema elétrico brasileiro. Para as empresas envolvidas, representa a inviabilidade dos empreendimentos e a possível perda de investimentos já realizados, além de reforçar a necessidade de cumprimento dos cronogramas regulatórios.
Quem é afetado
A decisão afeta diretamente a Copenhagen Infrastructure Partners (CIP), que perde as autorizações para os projetos. Indiretamente, o setor de energia solar e o planejamento energético do país são impactados pela não concretização de uma capacidade relevante de geração. Para o consumidor final, a ausência desses projetos pode significar uma menor oferta de energia no futuro, embora o impacto imediato na conta de luz seja mínimo, uma vez que as usinas não estavam em operação.
Por que isso importa
Este caso reforça a postura da ANEEL em fiscalizar e garantir o cumprimento dos cronogramas de implantação de projetos de geração de energia. A revogação de autorizações por atrasos, mesmo após disputas judiciais, sinaliza a seriedade com que a agência trata o planejamento e a execução de novos empreendimentos. Para o mercado, é um lembrete da importância de um planejamento robusto e da gestão de riscos associados aos prazos e obrigações contratuais, especialmente em projetos de grande porte.
Visão LZ7
A LZ7 Energia observa que a segurança regulatória é fundamental para o desenvolvimento do setor de energia solar no Brasil. Casos como este, onde projetos não avançam por anos, destacam a necessidade de um compromisso firme com a execução dos cronogramas. Para empreendedores, isso sublinha a importância de uma análise detalhada da viabilidade e dos riscos antes de assumir compromissos. Para o consumidor e o país, a entrada em operação de novos projetos é crucial para a expansão da matriz energética e a garantia de um suprimento confiável, especialmente com fontes renováveis como a solar.
O que acompanhar agora
É importante observar como a ANEEL e o setor reagirão a casos semelhantes no futuro e se haverá um reforço nas políticas de fiscalização para evitar que autorizações fiquem paradas sem a devida implantação. Acompanharemos também a realocação dessa capacidade no planejamento energético nacional e possíveis novos leilões ou mecanismos para suprir essa demanda.
