A Anthropic, empresa de inteligência artificial por trás do modelo Claude, encontra-se em uma encruzilhada estratégica enquanto avança com seus planos de abertura de capital (IPO) na Nasdaq. Com uma avaliação que já atingiu US$ 965 bilhões (equivalente a 965 bilhões de dólares americanos) no início deste ano e a ambição de alcançar US$ 2 trilhões (2 trilhões de dólares americanos) em sua estreia no mercado, a companhia enfrenta um cenário complexo: ao mesmo tempo em que persegue um crescimento exponencial, seu cofundador e CEO, Dario Amodei, tem defendido publicamente a necessidade de uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA.
A empresa protocolou confidencialmente seu prospecto de IPO em junho, e a expectativa era de que suas ações pudessem ser listadas já no próximo mês. No entanto, as preocupações com o poder e os potenciais riscos dos modelos avançados de inteligência artificial têm crescido, com pesquisadores alertando sobre ameaças que poderiam, em cenários extremos, impactar a existência humana.
O Apelo por uma Desaceleração
Em meio a esse pano de fundo, Dario Amodei publicou um ensaio no último fim de semana, instando a indústria de IA a moderar o ritmo de aprimoramento dos modelos. Ele propôs um plano de três etapas para controlar a velocidade de melhoria das capacidades dos modelos, sem, segundo ele, “sacrificar a vantagem comercial ou a liderança dos Estados Unidos na IA”.
As propostas de Amodei incluem:
- Empresas de modelos abrirem-se a avaliadores terceirizados.
- Empresas de ponta estabelecerem “padrões de segurança comuns”.
- Países democráticos coordenarem-se com governos autoritários “na medida do possível”.
Este movimento ocorre após diversos pesquisadores da indústria emitirem alertas severos na semana anterior sobre o crescente potencial da tecnologia para causar danos catastróficos.

Repercussões e Reações do Mercado
A postura de Amodei gerou um debate intenso entre investidores e especialistas do setor. Sam Altman, CEO da OpenAI, expressou apoio à proposta de Amodei, assim como Elon Musk, CEO da SpaceX e proprietário da xAI (criadora do Grok). A SpaceX, inclusive, abriu seu capital em junho, na maior IPO já registrada, e hoje é avaliada em US$ 2 trilhões (2 trilhões de dólares americanos).
No entanto, o próprio Altman, em entrevista à Fortune, alertou que “neste momento seria um momento desaconselhável para abrir o capital”, reiterando que a OpenAI não buscará um IPO antes do próximo ano. Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI, informou aos funcionários em uma reunião interna no mês passado que o laboratório de IA “será uma empresa pública em 2027”.
Para Lise Buyer, sócia da consultoria de IPO Class V Group, os recentes temores sobre os riscos da IA podem não impactar o cronograma dos IPOs, mas poderiam alterar as avaliações.
“A aposta aqui é no longo prazo — agora com pensamentos temperados sobre o controle da tecnologia. O crescimento dramático e as possibilidades dessas empresas, agora mais publicamente acopladas às preocupações e riscos potenciais muito sérios, provavelmente persistirão, quer o IPO aconteça no quarto trimestre ou no próximo ano ou quando for”, afirmou Buyer por e-mail.
Anthropic e OpenAI se recusaram a comentar sobre a reportagem.

Crescimento Acelerado e Ceticismo
Apesar dos apelos por cautela, a Anthropic demonstra um crescimento financeiro robusto. A empresa atingiu US$ 65 bilhões (65 bilhões de dólares americanos) em receita anualizada em julho, um aumento de cerca de sete vezes em relação ao ano anterior, conforme noticiado anteriormente pela CNBC. O Financial Times, citando fontes familiarizadas com o assunto, reportou que a Anthropic informou a alguns acionistas que gerará lucro operacional pelo segundo trimestre consecutivo no período atual.
Matt Murphy, sócio da Menlo Ventures e investidor da Anthropic, descreveu a taxa de crescimento como “fora de série” e argumentou que uma listagem pública forçaria a Anthropic a ser transparente sobre seus negócios, o que poderia ajudar a melhorar o sentimento público em relação à tecnologia.
“Não vejo por que o crescimento diminuiria ou qualquer outra razão para esperar”, disse Murphy à CNBC.
Dados recentes do Pew Research Center indicam que mais da metade dos americanos estão mais preocupados do que entusiasmados com o uso crescente da IA na vida diária, um aumento em relação aos 37% em 2021. Além disso, uma pesquisa do CNBC Generation Lab com jovens de 18 a 34 anos revelou que mais de 75% dos entrevistados não confiam em Amodei para agir responsavelmente, e cerca de 70% expressaram a mesma visão sobre Altman.
Brad Gerstner, CEO da Altimeter Capital, que investe tanto na Anthropic quanto na OpenAI, defendeu a importância de trazer mais “transparência, escrutínio, responsabilidade” e participação para as empresas de IA. Ele prevê que a Anthropic seguirá em frente com seu IPO.
“O mercado sabe como precificar o risco – veja a SpaceX. Há um enorme apetite para investir nos líderes de IA”, escreveu Gerstner em uma postagem no X.

Dilemas e Implicações para a Indústria
Há ceticismo quanto à real intenção por trás da posição de Amodei. Alguns analistas sugerem que a Anthropic pode se beneficiar de padrões mais rigorosos, uma vez que possui modelos avançados e monetiza serviços baseados neles. Arun Chandrasekaran, analista da Gartner, pondera que isso “poderia realmente favorecer a Anthropic e a OpenAI se concorrentes menores não puderem arcar com os rigorosos investimentos em segurança, avaliação e proteção exigidos para modelos de nível de fronteira”.
Gil Luria, analista de ações da D.A. Davidson, concorda e expressou suspeitas de que a Anthropic e a OpenAI estariam engajando em “comportamento monopolista”. A OpenAI teria consultado membros do Congresso sobre se uma desaceleração coordenada em toda a indústria violaria as leis antitruste, segundo a Wired.
“Estou muito desconfiado do que a Anthropic e a OpenAI estão fazendo. Parece cada vez mais uma manobra para puxar a escada”, declarou Luria.
O ritmo de desenvolvimento da IA também preocupa investidores em tecnologia, pois empresas como Anthropic e OpenAI são responsáveis por uma parcela significativa dos gastos com infraestrutura de IA. A Anthropic fechou uma série de acordos de computação multibilionários este ano, incluindo com Nscale, Advanced Micro Devices, SpaceX e Google. A OpenAI informou aos investidores em fevereiro que pretende gastar aproximadamente US$ 600 bilhões (600 bilhões de dólares americanos) em computação até 2030. Ambas as empresas são grandes usuárias das unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia.
Harrison Rolfes, analista da PitchBook, está mais preocupado com a redução do crescimento. Ele sugere que as avaliações das empresas de modelos provavelmente merecem um desconto agora, principalmente porque é difícil para os investidores confiarem que elas podem comercializar sua tecnologia com segurança.
“A primeira coisa que você quer fazer como empresa pública é lidar com um monte de problemas de segurança e vulnerabilidade? Não, você provavelmente quer se concentrar em expandir para todos os mercados que prometeu a todos os seus investidores”, questionou Rolfes.
Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management, disse à CNBC que qualquer percepção de desaceleração será negativa, pois o mercado está “garantindo melhorias exponenciais ininterruptas nos modelos”. No entanto, Munster previu que “nada mudará e o jogo de salto da IA continuará”.
“A oportunidade de longo prazo da IA é muito grande para eles desacelerarem. Acredito que os comentários foram motivados para reduzir a pressão regulatória”, concluiu Munster.

O que isso significa para a região
A discussão sobre a desaceleração do desenvolvimento da Inteligência Artificial em empresas como a Anthropic, embora pareça distante do cotidiano do Norte Pioneiro do Paraná, reflete uma tendência global de busca por equilíbrio entre inovação e sustentabilidade. Assim como a indústria de IA pondera sobre os impactos de seu rápido avanço, o setor de energia, especialmente o solar, também enfrenta a necessidade de harmonizar a expansão tecnológica com responsabilidade ambiental e social.
Para a LZ7 Energia, que atua na implantação de soluções fotovoltaicas, a lição é clara: o progresso deve ser acompanhado de uma visão de longo prazo e de uma gestão consciente dos recursos e das consequências. A energia solar, por sua natureza limpa e renovável, já se posiciona como uma resposta a essa busca por sustentabilidade, oferecendo uma alternativa energética que, ao contrário de outras tecnologias, minimiza riscos e maximiza benefícios ambientais e econômicos para a região. A capacidade de inovar de forma responsável, garantindo segurança e transparência, é um valor que transcende setores e se torna cada vez mais crucial para o desenvolvimento de qualquer tecnologia ou serviço.
Leitura da LZ7 Energia
A discussão sobre a desaceleração do desenvolvimento da Inteligência Artificial em empresas como a Anthropic, embora pareça distante do cotidiano do Norte Pioneiro do Paraná, reflete uma tendência global de busca por equilíbrio entre inovação e sustentabilidade. Assim como a indústria de IA pondera sobre os impactos de seu rápido avanço, o setor de energia, especialmente o solar, também enfrenta a necessidade de harmonizar a expansão tecnológica com responsabilidade ambiental e social. Para a LZ7 Energia, que atua na implantação de soluções fotovoltaicas, a lição é clara: o progresso deve ser acompanhado de uma visão de longo prazo e de uma gestão consciente dos recursos e das consequências. A energia solar, por sua natureza limpa e renovável, já se posiciona como uma resposta a essa busca por sustentabilidade, oferecendo uma alternativa energética que, ao contrário de outras tecnologias, minimiza riscos e maximiza benefícios ambientais e econômicos para a região. A capacidade de inovar de forma responsável, garantindo segurança e transparência, é um valor que transcende setores e se torna cada vez mais crucial para o desenvolvimento de qualquer tecnologia ou serviço.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
