Uma nova hierarquia de poder está se desenhando rapidamente no setor de inteligência artificial (IA), com a Anthropic emergindo como uma força dominante e superando a OpenAI em métricas cruciais. Dados recentes revelam uma aceleração notável no crescimento da Anthropic, enquanto a OpenAI, embora ainda seja uma gigante, mostra um ritmo mais moderado, levantando questões sobre o futuro de suas parcerias e o cenário geral da IA.
Reconfiguração no Setor de IA: Anthropic Ganha Terreno
Relatórios recentes do Wall Street Journal indicam que a Anthropic mais que dobrou sua receita entre o primeiro e o segundo trimestre. No mesmo período, a OpenAI registrou um aumento de receita de apenas 18%. Essa disparidade no crescimento é um sinal claro de uma mudança de momentum no competitivo mercado de modelos de IA de ponta. Além disso, as margens operacionais da OpenAI, que já estavam no vermelho, aprofundaram-se ainda mais, um dado preocupante antes de uma aguardada oferta pública inicial (IPO).
A ambição da Anthropic é igualmente impressionante. A empresa projeta uma receita de até 200 bilhões de dólares (aproximadamente 190 bilhões de euros) para 2028, conforme noticiado pela Reuters na semana passada. Essa projeção supera significativamente a taxa de receita anualizada de 47 bilhões de dólares (cerca de 44,5 bilhões de euros) que a OpenAI havia divulgado em maio. Tais números sugerem uma ascensão meteórica e um potencial de mercado que está atraindo a atenção de investidores e analistas.
Impacto nos Parceiros e Fornecedores
Embora seja cedo para desconsiderar a OpenAI, investidores e analistas já esperavam uma estratificação e consolidação no nível dos modelos de IA de ponta. Essa dinâmica tem consequências diretas para as empresas parceiras, clientes e fornecedores de ambas as companhias. Paul Meeks, chefe de pesquisa de tecnologia da Freedom Capital Markets, destacou o cenário em entrevista à CNBC:
“Os parceiros da Anthropic, como a HUT, sobre a qual iniciei a cobertura ontem, potencialmente ganham. Os da OpenAI potencialmente perdem.”
Meeks também apontou a Oracle como uma das empresas mais ameaçadas por essa mudança, devido ao fato de suas obrigações de desempenho restantes estarem dominadas pela OpenAI. Contudo, ele ponderou:
“Dito isso, não acho que devamos jogar a toalha ainda para a Equipe OpenAI. É muito cedo para isso.”
No final de abril, o banco de investimentos Jefferies havia compilado uma lista de empresas com forte ligação à OpenAI. Desde o último dia de negociação de abril, as ações da Oracle caíram cerca de 12%, da CoreWeave cerca de 17% e da Broadcom aproximadamente 13%. Em contraste, a Nvidia registrou um aumento de cerca de 10% e a Microsoft de aproximadamente 18% no mesmo período, evidenciando como o mercado já reage a essas percepções de mudança de liderança.

Ecossistemas e Concorrência de Chip
A interconexão e os investimentos circulares nas cadeias de suprimentos de computação tornam improvável que a OpenAI e seus fornecedores sejam completamente dissociados de outros segmentos da indústria. No entanto, analistas preveem uma partição dentro dessas redes. Empresas como Alphabet (controladora do Google) e Amazon estão posicionadas para se beneficiar da ascensão da Anthropic, tanto no segmento de computação em nuvem quanto no de semicondutores.
Gil Luria, chefe de pesquisa de tecnologia da DA Davidson, explicou a dinâmica:
“Como a Anthropic obtém a maior parte de sua capacidade computacional do Google e da Amazon, ela usa principalmente chips Trainium e TPUs, e não chips da Nvidia. E isso alimenta todo um ecossistema, incluindo a Broadcom.”
Essa preferência por chips específicos da Google e Amazon pela Anthropic cria um ecossistema alternativo, que pode impactar a demanda por produtos de outros fornecedores de hardware, como a Nvidia, e fortalecer a posição de empresas que fornecem os chips e a infraestrutura de nuvem para a Anthropic.
A Longa Marcha da IA Rumo à Commoditização
Apesar da aparente vantagem da Anthropic no momento, a OpenAI continua profundamente integrada na estrutura de desenvolvimento da IA, e os analistas não acreditam que a empresa vá desaparecer. Yi Fu Lee, diretor-gerente da Benchmark, comparou a situação a uma rivalidade clássica:
“É como Coca-Cola e Pepsi. No final das contas, os modelos são intercambiáveis.”
Essa interoperabilidade está sendo impulsionada ainda mais por modelos de código aberto (open-weight models), tanto de empresas americanas quanto chinesas, como Moonshot AI e DeepSeek. Esses algoritmos são frequentemente mais acessíveis do que seus rivais estritamente proprietários e, muitas vezes, entregam resultados de qualidade comparável. Além disso, a capacidade de coordenar múltiplos modelos para trabalharem em conjunto aumenta a flexibilidade e a eficiência.

A maioria dos especialistas de Wall Street acredita que a IA está em uma longa jornada para se tornar uma commodity de uso geral. Isso significa que, à medida que se estabelece e é mais amplamente adotada, a tecnologia se tornará mais barata. No curto prazo, no entanto, a jornada pode ser turbulenta para as empresas que ficarem para trás. Dan Nathan, diretor da RiskReversal Advisors, expressou preocupação com a Oracle, que assinou um contrato de 300 bilhões de dólares (cerca de 285 bilhões de euros) para computação em nuvem com a OpenAI:
“A Oracle é uma daquelas [empresas] em que você diria, sim – esta é uma situação da OpenAI. Eles deram a eles um contrato de 300 bilhões de dólares para construir capacidade computacional, mas se eles não conseguirem fazer isso, o que talvez não consigam, na velocidade que a OpenAI deseja e precisa, então você verá a Oracle simplesmente colapsar.”
Essa declaração ressalta a pressão sobre os fornecedores de infraestrutura para acompanhar o ritmo acelerado das empresas de IA e a importância de contratos de grande porte no cenário atual.

O Que Isso Significa para a Região
Embora a disputa entre Anthropic e OpenAI ocorra em um nível global de tecnologia de ponta, as tendências no setor de inteligência artificial possuem implicações indiretas para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná. O avanço da IA, especialmente na otimização de processos e na análise de dados, pode influenciar futuras inovações em setores como a agricultura de precisão, a logística e até mesmo a gestão de energia. A busca por eficiência e a redução de custos, impulsionadas pela IA, podem eventualmente se traduzir em melhorias para a infraestrutura local e para a economia regional, ao tornar as operações mais inteligentes e sustentáveis. A longo prazo, a commoditização da IA, como apontam os analistas, pode democratizar o acesso a ferramentas avançadas, beneficiando pequenas e médias empresas da região que buscam otimizar suas operações.
Leitura da LZ7 Energia
A competição acirrada e a rápida evolução no setor de inteligência artificial, exemplificadas pela ascensão da Anthropic e os desafios da OpenAI, têm implicações significativas para o futuro da infraestrutura tecnológica e energética. A demanda por capacidade computacional para treinar e operar modelos de IA é imensa, exigindo grandes volumes de energia. A escolha de Anthropic por infraestrutura de nuvem do Google e Amazon, utilizando chips específicos como Trainium e TPUs em vez de Nvidia, demonstra a diversificação das necessidades de hardware e, consequentemente, das demandas energéticas. Para empresas como a LZ7 Energia, que atuam no fornecimento de energia limpa, essa tendência aponta para um aumento contínuo na necessidade de fontes de energia sustentáveis para alimentar os data centers que suportam a IA. A otimização do consumo de energia por meio de hardware mais eficiente e a busca por soluções energéticas renováveis se tornam cada vez mais cruciais para o crescimento sustentável do setor de tecnologia, impactando diretamente o planejamento e a oferta de energia em todas as regiões, incluindo o Norte Pioneiro do Paraná. A IA também pode ser uma ferramenta poderosa para otimizar o consumo e a distribuição de energia, tornando o sistema mais eficiente e resiliente.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
