Em um desdobramento judicial de grande repercussão no Egito, a apresentadora de televisão Sarah Khalifa foi condenada à morte por enforcamento. A sentença, proferida pelo Tribunal Criminal do Cairo, também se estende a outros 11 indivíduos, após serem considerados culpados de formação de uma quadrilha criminosa organizada especializada na aquisição de materiais para a fabricação de narcóticos, com a intenção de traficá-los.

O caso, que envolveu 28 réus e mais de 750kg de entorpecentes, resultou ainda na condenação de nove corréus à prisão perpétua, enquanto sete outros foram absolvidos. A notícia foi divulgada pelo veículo estatal Al-Ahram no sábado, 6 de setembro de 2026.

Detalhes do Caso e Acusações

Sarah Khalifa, de 39 anos, é uma figura conhecida na mídia egípcia, notadamente por apresentar o programa de segurança e crime “Missão Impossível”, exibido no canal privado Al-Mehwar TV. Além de sua carreira televisiva, Khalifa era empresária, gerenciando uma clínica de cirurgia estética e uma empresa de planejamento de eventos, e mantinha uma presença significativa nas redes sociais, com mais de dois milhões de seguidores no Instagram.

Os promotores afirmaram que a quadrilha importava matérias-primas do exterior para fabricar drogas sintéticas, armazenando-as em propriedades residenciais. As autoridades detalharam que os membros dividiam as funções entre aquisição, fabricação e distribuição. Durante as investigações, foram apreendidas armas de fogo não licenciadas e munições, além dos narcóticos. A promotoria especificou que o grupo utilizava uma propriedade residencial para armazenar os materiais e fabricar as drogas.

Khalifa foi presa em abril de 2025, como parte da investigação. Em um caso separado, no mesmo dia do veredito de pena de morte, o mesmo tribunal a sentenciou a três anos de prisão por agredir e filmar seu motorista.

Egyptian media personality Sarah Khalifa
Egyptian media personality Sarah Khalifa

Defesa e Reações

Durante o processo, Sarah Khalifa negou veementemente as acusações, declarando aos investigadores que “nunca fumou um cigarro na vida” e reafirmando sua inocência. A mídia egípcia relatou que, durante a sessão do tribunal, ela estava chorando e implorando por misericórdia.

“Por favor, me ouça, senhor. Meus pais me criaram bem; eles são pessoas que oram, e eu não preciso de dinheiro de drogas”, teria dito Khalifa ao tribunal.

Processo Judicial e Possíveis Recursos

O veredito de pena de morte foi emitido após o tribunal consultar o Grande Mufti do Egito para sua opinião religiosa não vinculativa, conforme exigido pela lei em casos de pena capital. No entanto, a decisão pode ser apelada perante o Tribunal de Cassação.

De acordo com reformas judiciais recentes no Egito, os réus têm duas vias de recurso, começando com um pedido de novo julgamento perante um tribunal de apelação. O Egito aplica a pena de morte para crimes como tráfico de drogas, terrorismo e homicídio premeditado.

Apresentadora egípcia Sarah Khalifa condenada à morte por tráfico de drogas
Foto: Al Jazeera — Internacional

Impacto e Contexto Regional

Este caso ressalta a rigidez da legislação egípcia contra o tráfico de drogas, que prevê a pena capital para crimes graves relacionados a entorpecentes. A condenação de uma figura pública como Sarah Khalifa, conhecida por seu trabalho na televisão e sua presença nas redes sociais, atrai atenção significativa para a aplicação da justiça no país.

A situação também levanta discussões sobre as condições de detenção e os processos judiciais em casos de alta visibilidade, especialmente quando envolvem personalidades públicas. A possibilidade de recursos ainda mantém o caso em aberto, mas a sentença inicial envia uma mensagem clara sobre a postura do Egito em relação ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.