A Faixa de Gaza foi palco de novos ataques no último sábado, 29 de agosto de 2026, resultando na morte de duas pessoas e ferimentos em várias outras. Entre os incidentes, destaca-se um ataque aéreo israelense que atingiu um armazém de suprimentos médicos localizado dentro do complexo do Hospital Al-Aqsa Martyrs, em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza.
O diretor do hospital informou que o ataque, realizado por um drone israelense, visou uma tenda utilizada como depósito de suprimentos médicos, deixando três pessoas feridas. O exército israelense confirmou ter atingido um alvo dentro do complexo do Hospital Al-Aqsa, alegando, sem apresentar provas, que um comandante do Hamas foi o alvo.
Novos Ataques e Vítimas na Faixa de Gaza
Além do incidente no hospital, outros ataques foram registrados. Em um deles, um drone israelense atingiu uma bicicleta no bairro de Tal al-Hawa, na Cidade de Gaza. A agência de notícias palestina Wafa reportou que pelo menos uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas neste ataque, sendo as vítimas encaminhadas para o Hospital de Campanha al-Quds.
Mais cedo no mesmo dia, uma pessoa foi morta por tiros israelenses na vila de al-Musaddar, a leste de Deir el-Balah. No norte de Gaza, um quadricóptero israelense também lançou um artefato explosivo nas proximidades do Hospital Kamal Adwan, conforme relatos de funcionários da unidade de saúde.
Esses eventos recentes indicam uma escalada nos ataques israelenses em toda a Faixa de Gaza nos últimos dias, apesar do que tem sido chamado de “cessar-fogo”.

Balanço de Vítimas e Desaparecidos Preocupa
O Ministério da Saúde de Gaza divulgou um balanço alarmante, informando ter recebido um total de 10 corpos nas últimas 48 horas – nove vítimas recém-mortas e uma recuperada de debaixo dos escombros – além de 18 feridos. O ministério ressaltou que outras vítimas permanecem presas sob edifícios destruídos ou em vias que as equipes de ambulância e defesa civil não conseguem acessar.
Desde que o “cessar-fogo” entre Israel e Hamas entrou em vigor em outubro do ano anterior, o ministério reportou que 1.313 palestinos foram mortos em decorrência de ataques israelenses.
A situação dos desaparecidos também é motivo de grande preocupação. O Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas e Desaparecidas Forçadamente (Palestinian Centre for Missing and Forcibly Disappeared Persons) estimou, no sábado, que entre 4.000 e 5.000 palestinos continuam desaparecidos e provavelmente estão sob os escombros em Gaza. Adicionalmente, o centro sugeriu que entre 2.500 e 3.000 pessoas podem ter sido submetidas a desaparecimento forçado em Gaza durante a guerra.

Estudo Aponta Padrão de Desaparecimentos Forçados
A estimativa do Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas e Desaparecidas Forçadamente é baseada em um estudo analítico de uma amostra de 317 casos. Os resultados desta análise indicaram a necessidade de uma investigação aprofundada sobre a possibilidade de um padrão mais amplo de desaparecimentos forçados. Dos 317 casos examinados, 302 (95,27%) eram homens e 15 eram mulheres. A amostra incluiu 41 crianças e 17 pessoas com 60 anos ou mais.
Desde o início da guerra em outubro de 2023, mais de 73.000 palestinos foram mortos em Gaza e mais de 174.000 ficaram feridos, sendo a maioria mulheres e crianças.
Impacto Humano e Desafios para a Região
Os recentes ataques e o balanço de vítimas e desaparecidos sublinham a complexidade e a gravidade da crise humanitária na Faixa de Gaza. A infraestrutura de saúde, já fragilizada, sofre novos golpes, e a capacidade de resposta a emergências é constantemente testada. A comunidade internacional continua a observar a situação, enquanto os esforços para um cessar-fogo duradouro e a proteção de civis enfrentam desafios significativos.
A persistência dos conflitos e a dificuldade de acesso a áreas afetadas impedem a recuperação de corpos e o socorro a feridos, agravando o sofrimento da população local e elevando o número de perdas.
Leitura da LZ7 Energia
A destruição de infraestruturas, incluindo hospitais e armazéns de suprimentos, em zonas de conflito como Gaza, tem um impacto devastador que se estende muito além das perdas humanas imediatas. A interrupção no fornecimento de energia elétrica e a destruição de redes de distribuição, por exemplo, comprometem severamente a capacidade de hospitais operarem equipamentos essenciais, como respiradores e sistemas de refrigeração para medicamentos. Em um cenário ideal, a energia solar poderia oferecer uma solução resiliente e descentralizada para garantir o funcionamento mínimo de unidades de saúde em áreas vulneráveis, minimizando a dependência de redes elétricas que são frequentemente alvos ou colapsam em conflitos. A falta de acesso a uma fonte de energia estável e segura agrava a crise humanitária, dificultando a assistência médica e a recuperação das comunidades afetadas.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
