As forças do governo do Iêmen afirmaram ter realizado ataques aéreos contra combatentes Houthi ao longo da costa do Mar Vermelho. A ofensiva ocorre após o grupo ter assumido o controle total de uma faixa estratégica do litoral, intensificando uma escalada militar que tem sido descrita como uma "batalha pela sobrevivência" pelas forças governamentais. A região tem testemunhado um aumento acentuado nos confrontos em diversas frentes, especialmente na costa ocidental do país.
Ataques Próximos a Mocha
A agência de notícias governamental iemenita, Saba, relatou que as Forças Armadas do país "destruíram veículos e armas e mataram membros da milícia terrorista Houthi, apoiada pelo regime iraniano", nas proximidades do porto da cidade de Mocha. O porta-voz das forças governamentais, Majed Abdullah al-Nazili, confirmou que os ataques também atingiram "veículos e membros" dos Houthis na estrada Mocha-Dhubab, a cerca de 11 quilômetros da cidade.
A cidade de Mocha foi capturada pelos Houthis na quinta-feira, seguida pela ilha de Mayun na sexta-feira. Essas tomadas consolidam o controle do grupo sobre o Estreito de Bab al-Mandeb, uma via navegável estreita e de importância crítica para o transporte global de petróleo.
Impacto Regional e Repercussões Internacionais
Em um desdobramento relacionado, a Arábia Saudita anunciou o fechamento temporário de seu importante oleoduto Leste-Oeste, uma estrutura de 1.200 quilômetros que atravessa a Península Arábica. A medida foi tomada após o oleoduto ter sido atacado por drones na sexta-feira. Relatórios iniciais indicam que os drones teriam sido lançados do Iraque, onde uma investigação está em andamento para apurar os fatos. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques.
O presidente do parlamento iraquiano, Haybat al-Halbousi, condenou veementemente o uso do território iraquiano para o ataque, classificando-o como "inaceitável" e em desacordo com as políticas do país e suas relações com os estados vizinhos.

Diplomacia e Envolvimento Internacional
A escalada do conflito no Iêmen tem gerado intensa atividade diplomática. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, teria telefonado duas vezes para o presidente Donald Trump na semana passada, solicitando ataques aéreos dos Estados Unidos contra os Houthis, mas seus pedidos foram negados em ambas as ocasiões, conforme noticiado pela mídia norte-americana Axios. Em uma declaração feita em Dublin, onde estava em visita de dois dias no sábado, o presidente Trump afirmou que os Houthis teriam pedido a Washington para não intervir no conflito.
“Os Houthis nos ligaram e não querem lutar conosco”, disse Trump. “Eles não querem que os persigamos.”
Em resposta aos avanços no Iêmen, o chefe do Comando Central dos EUA (CENTCOM), responsável pelas forças americanas no Oriente Médio, encontra-se atualmente na Arábia Saudita para discussões, segundo uma fonte informou à Al Jazeera.
Contexto do Conflito
A situação no Iêmen é complexa e tem sido marcada por anos de conflito. A tomada de controle de Mocha e da ilha de Mayun pelos Houthis representa um avanço significativo para o grupo, consolidando sua posição em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. O Estreito de Bab al-Mandeb, com apenas 29 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, é uma passagem crucial para navios petroleiros que transportam petróleo do Golfo Pérsico para o Canal de Suez e, subsequentemente, para mercados europeus e norte-americanos. O controle dessa passagem confere aos Houthis uma alavancagem estratégica considerável e levanta preocupações internacionais sobre a segurança da navegação e o fluxo global de energia.
A intensificação dos combates e os ataques a infraestruturas críticas, como o oleoduto saudita, sublinham a volatilidade da região e o potencial de repercussões mais amplas para a economia global e a segurança energética. A comunidade internacional continua a monitorar a situação de perto, buscando soluções para desescalar o conflito e proteger as rotas comerciais vitais.
Leitura da LZ7 Energia
A escalada do conflito no Iêmen e o controle Houthi sobre o Estreito de Bab al-Mandeb têm implicações diretas e significativas para o mercado global de energia. Esta rota marítima é um gargalo crucial para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do Oriente Médio para a Europa, Ásia e Américas. Qualquer interrupção ou ameaça à segurança da navegação neste estreito pode levar a um aumento imediato nos preços do petróleo e do gás, impactando diretamente os custos de energia em todo o mundo, incluindo o Brasil. Para a LZ7 Energia, que atua com energia solar, a volatilidade nos preços dos combustíveis fósseis reforça a importância da diversificação da matriz energética e da busca por fontes renováveis e locais, que oferecem maior estabilidade e previsibilidade de custos. A instabilidade em regiões produtoras de petróleo como o Oriente Médio sublinha a vulnerabilidade global à dependência de combustíveis fósseis e a necessidade de transição energética para um futuro mais seguro e sustentável.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
