Beirute, Líbano – Os ataques israelenses contra o Líbano resultaram na morte de 8.920 pessoas e deixaram 30.595 feridos nos últimos três anos, conforme dados divulgados pelas autoridades de saúde libanesas. Os números, que abrangem o período de outubro de 2023 a setembro de 2026, foram apresentados pelo Ministério da Saúde Pública do Líbano em um comunicado neste sábado, 6 de setembro de 2026.
A escalada da violência tem sido particularmente acentuada, com 4.358 mortes e 12.359 feridos registrados apenas desde 2 de março de 2026. Essa data marca uma nova intensificação da campanha militar de Israel no Líbano, que incluiu um ataque aéreo em Beirute que matou 31 pessoas, ocorrido após um foguete do Hezbollah atingir o norte de Israel.
Impacto na Saúde e Deslocamento
Um relatório recente do Ministério da Saúde libanês, publicado na quarta-feira, detalhou o impacto direto sobre os serviços de emergência e a população civil. Desde 2 de março de 2026, foram registrados 179 ataques israelenses contra equipes de ambulância, resultando na morte de 135 profissionais de saúde.
A crise humanitária se agrava com o deslocamento massivo de pessoas. Dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) indicam que, em agosto de 2026, 360 mil indivíduos permaneciam deslocados devido à agressão israelense. Desses, pelo menos 22 mil estão abrigados em centros coletivos, enfrentando condições precárias e incertezas sobre o futuro.

Ocupação e Acordos Frustrados
A situação é ainda mais complexa devido à manutenção da ocupação militar israelense no sul do Líbano desde março de 2026, quando Israel anunciou a instalação de uma “zona de amortecimento”. Essa medida tem sido um ponto de discórdia central, apesar de dois acordos de “paz” mediados pelos Estados Unidos, ambos assinados em junho de 2026.
Um dos principais acordos, o “acordo-quadro” de 26 de junho, estava condicionado ao desarmamento do Hezbollah. No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou veementemente o acordo, declarando-o “nulo e sem efeito” e exigindo que Israel encerrasse sua ocupação como pré-condição. O documento não previa explicitamente a retirada das forças israelenses do sul do Líbano, o que contribuiu para a sua não aceitação.
“Nulo e sem efeito”, afirmou Naim Qassem, líder do Hezbollah, sobre o acordo-quadro de 26 de junho, exigindo que Israel primeiro encerre sua ocupação.

Ataques Recentes e Alegações Militares
A violência persistiu mesmo após as tentativas de mediação. Na sexta-feira, 5 de setembro de 2026, um ataque aéreo israelense na cidade de Kfar Reman, no sul do Líbano, resultou na morte de três pessoas e deixou 23 feridos. O exército israelense alegou ter eliminado combatentes do Hezbollah em túneis sob a estratégica ponte Ali al-Taher.
A Agência Nacional de Notícias (NNA), estatal libanesa, também reportou na sexta-feira que ataques e bombardeios de artilharia israelenses atingiram sete cidades nos distritos de Tiro e Nabatieh. Não houve relatos de vítimas nesses incidentes específicos. No início do domingo, 7 de setembro de 2026, aviões de guerra israelenses bombardearam Zawtar al-Sharqiyah, também no sul do Líbano.

Consequências Humanitárias e Estruturais
A imagem de pacientes dentro do Hospital Jabal Amel em 2 de junho de 2026, um dia após um ataque aéreo israelense atingir a instalação médica, matando pelo menos quatro pessoas e ferindo 127, ilustra a gravidade da situação. A infraestrutura civil e de saúde tem sido diretamente afetada, dificultando a resposta humanitária e a capacidade de atendimento às vítimas.
A continuidade dos ataques, a ocupação militar e a falta de um acordo duradouro que contemple as demandas de ambos os lados mantêm a região em um estado de instabilidade crônica, com um custo humano elevado e consequências de longo prazo para a população libanesa.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
