O Aeroporto Internacional de Áden, sede do governo iemenita reconhecido internacionalmente, foi alvo de dois mísseis nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026. O Ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani, atribuiu o ataque aos Houthis, grupo rebelde que controla grande parte do norte do país. O incidente ocorre um dia após uma investida mortal contra o palácio presidencial na mesma cidade portuária, sinalizando uma escalada no conflito iemenita.
Ataque ao Aeroporto de Áden
Segundo Moammar al-Eryani, os dois mísseis caíram a aproximadamente 500 metros da pista do Aeroporto Internacional de Áden. No momento do ataque, uma aeronave estava se preparando para decolar. Apesar da proximidade, todos os passageiros e tripulantes a bordo estavam seguros. O ministro expressou gratidão à “providência divina” por evitar o que ele classificou como uma potencial “catástrofe humanitária horrível”. Ele também condenou os ataques ao aeroporto como “uma grave violação das leis e normas internacionais”.
Em contrapartida, os Houthis, por meio de uma declaração atribuída a uma fonte militar, afirmaram ter lançado um ataque contra o “quartel-general do comando das forças sauditas no campo Badr, na província de Áden”, além de um depósito de armas. Esta declaração foi reportada pela agência de notícias AFP.

Intensificação dos combates no Iêmen
O mais recente ataque em Áden, que serve como capital provisória do governo iemenita reconhecido internacionalmente, ocorre em um contexto de intensos e contínuos combates. A guerra civil no Iêmen, que opõe o governo apoiado pela Arábia Saudita e os Houthis, alinhados com o Irã, tem visto uma recente intensificação.
Forças do governo iemenita anunciaram, na manhã de sexta-feira, avanços significativos na província de Marib, a nordeste de Sanaa. O porta-voz militar Majed al-Nazili declarou que as forças governamentais, com apoio aéreo, obtiveram “ganhos territoriais” importantes na parte leste da província, assegurando “posições-chave”. Al-Nazili também afirmou que as forças iemenitas “neutralizaram” mais de 430 combatentes Houthis em um período de 24 horas, além de destruir ou desativar mais de 100 de seus veículos e ativos militares.
Outras frentes de batalha
Em outras regiões, na província de Taiz, que se tornou um ponto estratégico crucial no conflito, as forças governamentais iemenitas alegaram ter repelido vários “ataques em larga escala” dos Houthis, infligindo “pesadas perdas” ao grupo. As forças governamentais também afirmaram ter capturado uma equipe especializada em drones afiliada aos Houthis na área de Taiz.
Nas últimas semanas, as forças Houthis cercaram a cidade de Taiz — o terceiro maior centro urbano do Iêmen — cortando sua principal estrada ao sul para Áden. Essa ação resultou em um deslocamento generalizado da população e agravou a crise humanitária na região.

Mísseis sobre a Arábia Saudita e acusações internacionais
Paralelamente aos eventos no Iêmen, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate os Houthis, informou ter derrubado mísseis e drones sobre Riade e outras partes da Arábia Saudita nesta mesma sexta-feira. A Arábia Saudita tem acusado o Irã de incentivar os ataques Houthis contra o reino, incluindo o fornecimento de armas e treinamento ao grupo.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou a acusação na sexta-feira, afirmando que Teerã não desempenhou nenhum papel nas operações Houthis. O ministério reiterou uma proposta para mediar entre os Houthis e Riade.
“A providência divina impediu uma potencial catástrofe humanitária horrível. Os ataques ao aeroporto são uma grave violação das leis e normas internacionais.”
— Moammar al-Eryani, Ministro da Informação do Iêmen, sobre o ataque ao Aeroporto de Áden.
Contexto do conflito iemenita
A guerra no Iêmen eclodiu em 2014, quando os Houthis, um grupo armado também conhecido como Ansar Allah (que significa “Apoiadores de Deus” em árabe), tomaram a capital Sanaa e forçaram o governo a fugir. Uma coalizão militar internacional liderada pela Arábia Saudita interveio em apoio ao governo internacionalmente reconhecido em 2015, levando a anos de combates entre as partes em guerra.
Uma trégua apoiada pela ONU em 2022 suspendeu a maior parte dos combates, mas as tensões têm sido altas no Iêmen desde que os Houthis declararam um bloqueio naval aos portos sauditas e à navegação que passa pelo Estreito de Bab al-Mandeb em julho. Em setembro, os Houthis realizaram uma ofensiva terrestre relâmpago em Mocha, empurrando as forças leais ao governo do Iêmen para fora da cidade portuária do Mar Vermelho. No mesmo mês, as forças do grupo novamente varreram e tomaram território ao longo da costa ocidental e do Estreito de Bab al-Mandeb, incluindo a estrategicamente localizada Ilha Mayyun no estreito.
O que isso significa para a região
A escalada do conflito no Iêmen, evidenciada pelos ataques a infraestruturas civis como o Aeroporto de Áden e a intensificação dos combates em várias frentes, representa um risco significativo para a estabilidade regional. Embora o Norte Pioneiro do Paraná esteja geograficamente distante, a dinâmica de conflitos em regiões produtoras de petróleo e gás, como o Oriente Médio, pode ter repercussões indiretas na economia global. A instabilidade pode afetar os preços internacionais de commodities, incluindo o petróleo, o que, por sua vez, impacta os custos de transporte e energia em todo o mundo. Para os consumidores e empresas da região, isso pode se traduzir em flutuações nos preços de combustíveis e, consequentemente, nos custos de produção e logística. A segurança das rotas marítimas, como o Estreito de Bab al-Mandeb, é vital para o comércio global, e qualquer interrupção pode gerar efeitos em cascata na cadeia de suprimentos.
Leitura da LZ7 Energia
A escalada de conflitos em regiões estratégicas para a produção e transporte de energia, como o Oriente Médio, tem um impacto direto e indireto nos mercados globais. Ataques a infraestruturas e bloqueios de rotas marítimas, como o Estreito de Bab al-Mandeb, podem gerar incertezas e volatilidade nos preços do petróleo e do gás natural. Para o Brasil e, consequentemente, para o Norte Pioneiro do Paraná, isso se traduz em potenciais aumentos nos custos de combustíveis e energia elétrica, uma vez que a matriz energética brasileira ainda depende de fontes fósseis e é sensível às oscilações do mercado internacional. A busca por fontes de energia renováveis e locais, como a energia solar, ganha ainda mais relevância nesse cenário, oferecendo uma alternativa para mitigar a dependência de mercados voláteis e promover maior segurança energética e previsibilidade de custos para consumidores e empresas da região.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
