Em meio ao fervor do período eleitoral, uma figura se destaca nas ruas do Distrito Federal: o 'bandeirinha'. Esses trabalhadores de militância de rua, muitas vezes impulsionados pela necessidade financeira, encaram longas jornadas sob o sol e o calor para garantir uma renda temporária. O trabalho, que envolve empunhar bandeiras, distribuir santinhos e panfletos, torna-se um pilar de sustento para centenas de famílias na região.

A Realidade dos 'Bandeirinhas' no DF

A rotina dos 'bandeirinhas' é marcada por dedicação e esforço. Eles podem ser encontrados em paradas de ônibus, passarelas, rotatórias e diversos outros pontos estratégicos do Distrito Federal, atuando como elos diretos entre os candidatos e o eleitorado. Para muitos, como Patrícia Dias dos Santos, 41 anos, moradora da Cidade Estrutural e atualmente desempregada, essa é uma oportunidade vital para complementar o orçamento doméstico.

Patrícia, que está uniformizada com a camisa de campanha, afirma que o esforço vale a pena pelo dinheiro recebido. Pelo período de um mês de serviço como cabo eleitoral, ela espera receber R$ 1.700, o que equivale a cerca de R$ 54 por dia. Esse valor é fundamental para a família de seis pessoas, que atualmente depende do benefício do Bolsa Família e de trabalhos autônomos, como a reciclagem.

A jornada de Patrícia é dividida em dois períodos. Pela manhã, ela fica na entrada da cidade com a bandeira do político e santinhos. Após o almoço, período em que também realiza tarefas domésticas, ela retorna às ruas. A flexibilidade do trabalho temporário é um fator importante para quem precisa conciliar as atividades remuneradas com as responsabilidades familiares.

“Ficamos no sol quente das 7h30 até agora, acho que vai até as 10h30. Voltamos para casa para almoçar e fazer as coisas do lar. Às 14h a gente volta e trabalha até umas 16h na rua, entregando panfletos de quadra em quadra. Às 17h vamos para a passarela e ficamos até as 18h bandeirando”, detalhou Patrícia sobre sua rotina.
Eleições 2026
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Desafios e Motivações Pessoais

O trabalho de 'bandeirinha' é exaustivo, mas a garantia de uma renda extra é o principal combustível para muitos. Kelly Gonçalves, 42 anos, moradora de São Sebastião, exemplifica essa realidade. Com dois filhos pequenos, um deles com deficiência, Kelly encontra na campanha política uma forma de sustento.

A rotina diária sob o sol, entregando panfletos, é desafiadora, mas a renda obtida é fundamental para o sustento de sua família. Kelly explica que a falta de flexibilidade no horário a impede de buscar um emprego formal com carteira assinada, já que precisa estar disponível para cuidar da filha que requer atenção especial.

“O dia a dia é cansativo, porém para mim que tenho 2 filhos pequenos – uma especial – é bom para ganhar um dinheirinho extra”, afirmou Kelly. Ela complementa: “Estou desempregada e, na verdade, não tenho como trabalhar. A escola me chama com frequência por causa das crises da minha filha”.
Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição
Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição

Além da necessidade financeira, há também aqueles que se dedicam à militância por influência e convicção política. Marizete Braz de Oliveira, 67 anos, moradora do Gama, é um exemplo. Ela trabalha como 'bandeirinha' desde os 13 anos, quando ainda vivia no Rio Grande do Norte, inicialmente por influência de seu avô.

Ao se mudar para Brasília em 1979, o trabalho adquiriu um componente financeiro, mas, mesmo aposentada, Marizete continua atuando de forma voluntária, motivada pela crença de que a política ainda pode trazer soluções. Estar no meio político, conhecer novas pessoas e participar ativamente das ações são outras de suas motivações.

Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição - destaque galeria
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Regulamentação e Estratégia Política

A contratação de 'bandeirinhas' para campanhas nas ruas é regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece limites para o número de admissões. No Distrito Federal, a base de cálculo para a quantidade de pessoas que podem ser contratadas leva em conta a maior região administrativa para cargos proporcionais, e o eleitorado total da unidade federativa para cargos majoritários.

Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição - imagem 2
Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição - imagem 2

Do ponto de vista estratégico, a presença de 'bandeirinhas' nas ruas é uma tática política consolidada. O cientista político Ariel Calmon destaca que atos políticos com pessoas reais são utilizados para gerar uma sensação de proximidade com o eleitor. Historicamente, as campanhas têm priorizado o horário eleitoral gratuito e as mobilizações de rua para alcançar esse objetivo.

“Quando temos o próprio candidato na rua, isso pode gerar a ideia de proximidade com o eleitor, além de conteúdos que podem ser trabalhados para as redes sociais. Quando temos materiais do candidato difundidos por outras pessoas, há a possibilidade de reforçar um número ou uma identidade visual”, explicou o especialista.
Profissão “bandeirinha”: centenas de pessoas fazem renda extra na eleição - imagem 3
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O que isso significa para a região

A presença massiva de 'bandeirinhas' nas ruas do Distrito Federal durante o período eleitoral reflete uma realidade socioeconômica complexa. Para muitos, a militância política não é apenas uma questão de ideologia, mas uma necessidade premente de complementar a renda familiar. Este fenômeno evidencia a importância de oportunidades de trabalho temporário em um cenário de desemprego e informalidade, onde cada real faz a diferença no orçamento doméstico.

A dinâmica dos 'bandeirinhas' também ressalta a capacidade de adaptação da população em busca de sustento, transformando um período de efervescência política em uma fonte de recursos. Ao mesmo tempo, destaca a persistência de estratégias de campanha que valorizam o contato direto e a visibilidade nas ruas, mesmo na era digital, mostrando que a força de trabalho humana ainda é um componente vital na construção da imagem e do alcance dos candidatos.

Leitura da LZ7 Energia

A busca por renda extra, como a observada entre os 'bandeirinhas' nas eleições, é um reflexo da necessidade de otimizar o orçamento familiar. No contexto energético, a economia na conta de luz é uma estratégia permanente para aliviar essa pressão financeira. A energia solar, por exemplo, oferece uma redução significativa nos custos mensais de eletricidade, liberando recursos que podem ser direcionados para outras despesas essenciais ou para a realização de projetos pessoais. Assim como o trabalho temporário complementa a renda, a economia na energia se torna um 'extra' constante, contribuindo para a estabilidade e o planejamento financeiro das famílias do Norte Pioneiro do Paraná.

Fonte: Metrópoles — Nacional — matéria original publicada em metropoles.com. Imagens e vídeos: Metrópoles — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.