Uma pesquisa inovadora conduzida por cientistas da Universidade de Liubliana, na Eslovênia, está abrindo novos horizontes para a eficiência e longevidade dos módulos solares. O estudo investigou a aplicação de camadas luminescentes de 'down-shifting' ultravioleta (UVDS) como uma alternativa superior aos absorvedores de UV convencionais, visando reduzir a degradação induzida pela radiação ultravioleta em células solares baseadas na tecnologia TOPCon (Tunnel Oxide Passivating Contact). Os resultados são promissores, indicando que, embora haja uma pequena penalidade inicial no desempenho, essa desvantagem pode ser superada por um aumento significativo no rendimento energético a longo prazo, especialmente se a degradação por UV for efetivamente suprimida.

A tecnologia UVDS representa um avanço em relação aos métodos tradicionais de proteção. Enquanto os absorvedores de UV convencionais dissipam a energia absorvida principalmente como calor, as camadas UVDS convertem a radiação UV em luz visível. Esse processo ocorre pela absorção de fótons UV de alta energia e sua reemissão em comprimentos de onda mais longos, tornando parte da radiação UV absorvida disponível para a geração de eletricidade. Essa capacidade de contribuir para a produção de energia, ao mesmo tempo em que protege as células solares da degradação, é o principal diferencial e o potencial impulsionador de rendimentos energéticos superiores a longo prazo.

O Conceito por Trás da Inovação

A equipe de pesquisa explicou que a integração da tecnologia UVDS 'desloca parte do fluxo de fótons incidentes da região ultravioleta para uma faixa espectral onde a eficiência quântica externa das células solares de silício é tipicamente maior'. Isso significa que a luz UV, que antes era uma ameaça à durabilidade e em grande parte desperdiçada, pode agora ser convertida em luz útil para a célula solar, aumentando sua capacidade de gerar eletricidade.

Embora o conceito de UVDS não seja totalmente novo, tendo sido estudado por décadas em diversas tecnologias fotovoltaicas, sua implementação prática tem enfrentado desafios. A complexidade reside na intrincada interação entre diversos fatores, como absorção, fotoluminescência, reabsorção, aprisionamento óptico, geometria do dispositivo e as condições operacionais externas. Para superar essas barreiras, os pesquisadores desenvolveram uma estrutura de modelagem óptica robusta para camadas UVDS integradas em dispositivos fotovoltaicos realistas.

“Ao longo deste trabalho, os materiais UVDS investigados são tratados como sistemas ópticos caracterizados experimentalmente, definidos por suas propriedades de absorção, emissão e fotoluminescência medidas, que constituem as entradas relevantes para a abordagem de modelagem proposta”, enfatizaram os cientistas.

Desenvolvimento e Testes das Camadas UVDS

Para o estudo, os pesquisadores desenvolveram camadas encapsulantes UVDS utilizando corantes fotoluminescentes orgânicos dispersos em uma matriz de elastômero de poliolefina (POE). A fabricação dessas camadas foi realizada por meio de um processo de extrusão por fundição de rosca dupla, resultando em filmes com aproximadamente 400 micrômetros (µm) de espessura. As espessuras dos filmes variaram entre 350 µm e 450 µm, e a rugosidade superficial foi de aproximadamente 105 nanômetros (nm). A equipe também preparou formulações com concentrações de corante até 100 vezes maiores que a concentração de referência, permitindo uma análise abrangente do impacto da concentração na performance.

A validação do modelo numérico foi realizada através de medições de refletância, transmitância e absorvância. Os resultados indicaram um rendimento quântico de fotoluminescência de aproximadamente 95%, o que demonstra uma conversão altamente eficiente dos fótons absorvidos em luz emitida. As camadas UVDS foram então incorporadas em minimódulos baseados em células solares TOPCon disponíveis comercialmente. Testes de corrente-tensão e medições de eficiência quântica externa foram realizados para confirmar as previsões do modelo no nível do dispositivo.

Novas Camadas UV Prometem Aumentar Geração de Módulos TOPCon em Mais de 4%
Foto: PV Magazine — Solar global

Simulações e Ganhos de Desempenho

O modelo desenvolvido foi projetado para rastrear os fótons incidentes à medida que atravessam a camada UVDS, calculando sua absorção e subsequente emissão em comprimentos de onda mais longos. Ele também simulou a direção da luz emitida e a possibilidade de múltiplos eventos de reabsorção e reemissão antes que os fótons escapassem ou fossem absorvidos em outras partes do dispositivo. As simulações levaram em conta superfícies texturizadas, propriedades ópticas do material e espessuras de camada realistas.

As simulações revelaram que o aumento da concentração de corante intensificava a absorção de UV, mas também elevava as perdas ópticas. No entanto, essas perdas foram parcialmente compensadas pela emissão fotoluminescente. Para uma camada UVDS que absorvia mais de 90% dos fótons UV incidentes, a densidade de corrente de curto-circuito diminuiu 1,77% sem fotoluminescência, em comparação com apenas 0,20% quando a conversão de fótons foi incluída. Mesmo a camada UVDS mais fortemente absorvente limitou as perdas de corrente a 0,34%.

“Além disso, a comparação com camadas hipotéticas de bloqueio de UV sem fotoluminescência demonstrou que camadas UVDS apropriadamente projetadas podem recuperar uma fração substancial do fluxo de fótons UV absorvidos, resultando em ganhos de fotocorrente superiores a 2% em relação às abordagens convencionais de proteção UV com características de absorção comparáveis”, explicaram os acadêmicos.

Impacto a Longo Prazo e Desafios Futuros

Para avaliar o desempenho a longo prazo, a equipe simulou a produção de energia ao longo de 10 anos em duas localidades nos Estados Unidos: Minneapolis, Minnesota, e Phoenix, Arizona. A simulação considerou uma perda de tensão de 6% em células TOPCon desprotegidas devido à degradação induzida por UV. Assumindo que as camadas UVDS previnem completamente essa degradação, as simulações mostraram que uma penalidade inicial de desempenho de aproximadamente 1% poderia ser compensada por mais de 4% de produção cumulativa de energia adicional ao longo da década. Este é um dado crucial, pois a degradação é um dos principais fatores que afetam a vida útil e a rentabilidade dos sistemas fotovoltaicos.

Apesar dos resultados promissores, a equipe ressaltou que a implementação comercial dependerá de vários fatores, incluindo compatibilidade de fabricação, custo-benefício, escalabilidade e a estabilidade a longo prazo dos materiais luminescentes. Os ganhos de rendimento energético previstos estão condicionados à proteção UV eficaz e ao comportamento de degradação assumido, que ainda não foi validado experimentalmente durante o período de operação simulado.

“Ao quantificar a sensibilidade do desempenho fotovoltaico às principais propriedades do material, incluindo absorção, emissão, rendimento quântico de fotoluminescência e degradação, a estrutura pode guiar o desenvolvimento e a avaliação de futuros conceitos UVDS”, concluíram os pesquisadores.

Os resultados completos da pesquisa foram detalhados no artigo intitulado 'Optical modelling and energy-yield assessment of UV down-shifting layers for high-efficiency TOPCon solar modules', publicado na renomada revista Solar Energy Materials and Solar Cells.

O que isso significa para a região

A pesquisa da Universidade de Liubliana sobre as camadas UVDS tem implicações significativas para o setor de energia solar, inclusive para o Norte Pioneiro do Paraná. A promessa de aumentar o rendimento energético em mais de 4% ao longo de uma década, mitigando a degradação por UV, significa que os módulos solares poderiam se tornar ainda mais eficientes e duráveis. Para consumidores e empresas da região, isso se traduz em um retorno sobre o investimento mais rápido e uma geração de energia mais estável e abundante ao longo do tempo. Com a redução da degradação, a vida útil dos painéis solares pode ser estendida, diminuindo a necessidade de substituições e manutenções frequentes, o que impacta diretamente na economia local e na sustentabilidade dos projetos fotovoltaicos. A LZ7 Energia acompanha de perto essas inovações, buscando sempre as tecnologias mais avançadas para oferecer as melhores soluções em energia solar, garantindo que o Norte Pioneiro se mantenha na vanguarda da geração de energia limpa e eficiente.

Leitura da LZ7 Energia

A pesquisa da Universidade de Liubliana sobre as camadas UVDS tem implicações significativas para o setor de energia solar, inclusive para o Norte Pioneiro do Paraná. A promessa de aumentar o rendimento energético em mais de 4% ao longo de uma década, mitigando a degradação por UV, significa que os módulos solares poderiam se tornar ainda mais eficientes e duráveis. Para consumidores e empresas da região, isso se traduz em um retorno sobre o investimento mais rápido e uma geração de energia mais estável e abundante ao longo do tempo. Com a redução da degradação, a vida útil dos painéis solares pode ser estendida, diminuindo a necessidade de substituições e manutenções frequentes, o que impacta diretamente na economia local e na sustentabilidade dos projetos fotovoltaicos. A LZ7 Energia acompanha de perto essas inovações, buscando sempre as tecnologias mais avançadas para oferecer as melhores soluções em energia solar, garantindo que o Norte Pioneiro se mantenha na vanguarda da geração de energia limpa e eficiente.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.