Yaoundé, Camarões — A população camaronesa vive um período de intensa expectativa política, com muitos cidadãos sintonizando diariamente os noticiários na esperança de um anúncio presidencial. O retorno do Presidente Paul Biya, de 93 anos, ao país em 20 de agosto, após uma ausência de aproximadamente 10 semanas no exterior, desencadeou uma onda de especulações sobre uma iminente reforma governamental e a nomeação de um vice-presidente.
A prolongada ausência do chefe de Estado alimentou rumores sobre sua saúde e paradeiro, incluindo alegações não verificadas de seu falecimento. Apesar do retorno, até 6 de outubro, nenhuma nova composição governamental havia sido anunciada, e o cargo de vice-presidente, restaurado por uma emenda constitucional em abril, permanecia vago.
“Todo camaronês esperava que, ao retornar para casa, ele fosse mudar o governo, mas nada até este momento”, afirmou Elvis Mbi, de 39 anos, à Al Jazeera, expressando a frustração generalizada.
Em seu discurso à nação em 31 de dezembro de 2025, o Presidente Biya havia prometido a formação de um novo governo “nos próximos dias”. Mais de nove meses depois, a mudança prometida ainda não se concretizou, mantendo a nação em suspense.
A espera pela Vice-Presidência
A vacância do cargo de vice-presidente tem atraído particular atenção, especialmente após a aprovação de uma emenda constitucional em abril que restaurou a posição, abolida em 1972. A Lei nº 2026/002, promulgada em 14 de abril, concede ao presidente a prerrogativa de nomear e destituir um vice-presidente.
A emenda estabelece um mecanismo formal de sucessão, prevendo que o vice-presidente assuma a presidência interinamente em caso de vacância do cargo por morte, renúncia ou incapacidade permanente do presidente. O vice-presidente cumpriria então o restante do mandato presidencial de sete anos, conforme as condições estabelecidas na Constituição. Apesar da reforma criar um plano de sucessão claro, a nomeação do vice-presidente permanece a critério de Biya, sem um prazo definido para o preenchimento da vaga.
“Todos nós sabemos que o presidente precisa de assistência para executar os deveres de Estado e é por isso que estamos ansiosamente esperando a nomeação, mas nada aconteceu ainda para nossa grande decepção”, disse Mbi.
A especulação foi ainda mais alimentada por um suposto decreto presidencial que circulou em junho, nomeando um vice-presidente. Um indivíduo entregou um envelope lacrado à Cameroon Radio Television (CRTV) em Yaoundé, contendo o que parecia ser um decreto com selos oficiais da presidência e uma assinatura atribuída a Biya, conforme um comunicado governamental publicado pelo jornal estatal Cameroon Tribune em 1º de julho. A CRTV não divulgou o conteúdo do documento. O governo, no entanto, afirmou que o decreto não havia sido emitido pelo processo oficial adequado e confirmou que o indivíduo havia sido detido e uma investigação estava em andamento.
![Citizens read newspapers at a kiosk in downtown Yaounde, seeking updates on Cameroon’s political developments. [Amindeh Blaise Atabong/Al Jazeera]](https://www.aljazeera.com/wp-content/uploads/2026/10/DSC0037-1791551534.jpg?resize=1280,720&quality=80)
Impactos da incerteza política
Para Jude Mutah, especialista em governança e democracia baseado em Washington e diretor de relações com membros do Corporate Council on Africa, a atenção dada ao boletim noticioso noturno da emissora estatal reflete as expectativas públicas por mudanças políticas. Ele ressalta que, na ausência de informações claras, rumores podem ganhar força.
Cabral Libii, líder do Partido Camaronês para a Reconciliação Nacional e figura da oposição nas eleições presidenciais de 2025, argumentou que a nomeação de um vice-presidente vai além de preencher uma vaga administrativa.
“A vice-presidência não é apenas mais um cargo administrativo a ser preenchido. Nomear seu vice-presidente significa garantir sua liderança”, declarou Libii em um apelo público. “Um vice-presidente desse calibre poderia ajudar a mitigar as lutas sucessórias que atualmente paralisam a ação coletiva”, acrescentou.
As questões de liderança se desenrolam em um momento em que Camarões enfrenta outros desafios significativos, incluindo um conflito separatista em suas regiões de língua inglesa e uma rebelião armada ligada ao Boko Haram na bacia do Lago Chade.

Preocupações econômicas e a defesa do governo
Jason Healy, analista de risco de países da África Subsaariana na BMI (parte da Fitch Solutions), alertou que a incerteza sobre a liderança política pode pesar na confiança dos investidores. Healy sugeriu que uma incerteza prolongada poderia desencorajar alguns investidores de se comprometerem com grandes projetos de longo prazo. Ele também levantou a hipótese de que o atraso nas nomeações pode ser um cálculo político de Biya, permitindo-lhe manter o controle sobre o momento e a composição de quaisquer mudanças.
Mbi Aziseh Azimboh, diretor executivo do Policy Lab for Civic Innovation and Community Solutions (POLITICOS), complementou que a incerteza prolongada pode desacelerar a tomada de decisões governamentais e atrasar reformas e políticas públicas essenciais.
O governo, por sua vez, defende a prerrogativa do Presidente Biya de decidir quando fazer as nomeações. Em entrevista à RFI em agosto, o Ministro da Comunicação e porta-voz do governo, Rene Emmanuel Sadi, afirmou que o presidente tem autoridade para formar um novo governo e determinar o momento de fazê-lo.
“É certamente bastante normal que ele leve seu tempo ao confiar um cargo tão alto a um de seus concidadãos”, disse Sadi.
Elvis Ngolle Ngolle, ex-ministro e coordenador da academia do partido governista Movimento Democrático do Povo Camaronês, reconheceu que as preocupações dos cidadãos são legítimas, mas reiterou que o presidente tem a prerrogativa constitucional de agir quando escolher. A presidência não respondeu a um pedido de comentário da Al Jazeera.
Enquanto isso, para Elvis Mbi, o ritual de ouvir rádio continua.
“Ninguém sabe mais de nada. É tão desanimador quando sintonizo a cada vez e não recebo a grande notícia”, desabafou à Al Jazeera.

O que isso significa para a região
A instabilidade política em Camarões, com a prolongada ausência do presidente e a incerteza sobre a sucessão, pode ter repercussões que vão além das fronteiras do país. A falta de um plano de sucessão claro e a demora na formação de um novo governo podem gerar um ambiente de insegurança jurídica e política, afetando a atratividade para investimentos externos. Para o Norte Pioneiro do Paraná, que busca fortalecer suas relações comerciais e econômicas globais, a percepção de instabilidade em mercados emergentes, mesmo que distantes, pode influenciar decisões de investimento e comércio a longo prazo, especialmente em setores que dependem de estabilidade para projetos de infraestrutura e energia. A incerteza política tende a afastar capital e atrasar o desenvolvimento, um cenário que qualquer região em crescimento procura evitar.
Leitura da LZ7 Energia
A incerteza política e a demora na tomada de decisões governamentais, como observado em Camarões, podem ter um impacto direto na economia e na infraestrutura de um país. Projetos de energia, que geralmente exigem investimentos de longo prazo e um ambiente regulatório estável, são particularmente vulneráveis a esse tipo de instabilidade. No contexto de Camarões, a paralisação de reformas e políticas públicas, mencionada por Mbi Aziseh Azimboh, poderia atrasar o desenvolvimento de fontes de energia e a modernização da rede elétrica, impactando diretamente os custos e a confiabilidade do fornecimento para a população e as empresas. Para a LZ7 Energia, que atua no setor de energia solar no Norte Pioneiro do Paraná, a estabilidade política e econômica é um pilar fundamental para o planejamento e a execução de projetos, garantindo a segurança dos investimentos e a capacidade de oferecer soluções energéticas eficientes e acessíveis. A situação camaronesa serve como um lembrete da importância de um ambiente político previsível para o progresso de setores estratégicos como o de energia.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
