O Camboja anunciou que não abriga mais nenhum dos complexos de golpes online que o tornaram um centro global de cibercrime. A declaração, feita pelo Ministro Sênior Chhay Sinarith, chefe da Comissão Ad Hoc para Combater Golpes Online do governo, foi apresentada a 50 diplomatas estrangeiros e autoridades internacionais na quinta-feira, 27 de agosto de 2026.
Segundo um comunicado divulgado na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, Sinarith afirmou que as "atividades de golpes em larga escala foram totalmente controladas, e atualmente não há complexos de golpes online restantes no país". No entanto, a alegação foi recebida com considerável ceticismo por grupos de direitos humanos e analistas, que alertam que as informações não podem ser verificadas de forma independente.
A Declaração Oficial e o Ceticismo
A declaração oficial do governo cambojano atribui o "êxito" à "erradicação completa de operações de golpes online em larga escala, ações legais rigorosas contra perpetradores, redes e funcionários envolvidos, juntamente com o estabelecimento sistemático de uma estrutura legal de segurança cibernética".
Apesar da postura otimista, o próprio comunicado reconhece que grupos criminosos adaptaram suas operações, migrando para formatos descentralizados. Eles estariam agora se escondendo em pousadas, condomínios, casas alugadas, veículos e cafeterias. As autoridades cambojanas afirmaram que continuarão a combater essas novas formas de atuação.
A agência de notícias Reuters, por exemplo, declarou que não pôde confirmar independentemente a alegação de erradicação. Montse Ferrer, codiretora regional da Anistia Internacional, expressou grande ceticismo.
Somos altamente céticos em relação às sugestões de que a indústria de complexos de golpes foi efetivamente eliminada. O verdadeiro teste de sucesso a longo prazo não é quantos complexos foram fechados, mas se os atores responsáveis foram investigados, processados e impedidos de retomar as operações.
Montse Ferrer, Anistia Internacional
Mark Taylor, consultor independente anti-tráfico, corroborou essa visão, afirmando que a "forte confiança na afirmação do governo [cambojano] de que todas as operações de golpes no Camboja foram erradicadas está gravemente equivocada".
Existem indicadores críveis de que operações de golpes significativas continuam e que o recrutamento de trabalhadores estrangeiros para o Camboja para trabalho em golpes continua.
Mark Taylor, consultor independente anti-tráfico

Histórico e Escopo das Operações
Esses complexos de golpes, em grande parte administrados por sindicatos criminosos chineses, proliferaram em diversas regiões do Sudeste Asiático desde o início da pandemia de COVID-19. Além do Camboja, países como Laos, Filipinas e áreas de fronteira entre Mianmar e Tailândia também foram afetados por essas atividades ilícitas.
As operações nesses complexos frequentemente envolviam o tráfico e a exploração de milhares de pessoas, muitas vezes enganadas com promessas de empregos legítimos e forçadas a trabalhar em condições análogas à escravidão, realizando golpes online contra vítimas em todo o mundo.
Ações de Fiscalização e Resgate
O Ministro Sênior Chhay Sinarith detalhou as ações de fiscalização realizadas pelas autoridades. Entre julho de 2025 e 20 de agosto de 2026, a polícia investigou 793 locais suspeitos e realizou incursões em 624 deles. Durante essas operações, quase 30.000 suspeitos, representando 39 nacionalidades, foram detidos.
As autoridades também resgataram e deportaram 58.266 cidadãos estrangeiros que estavam sendo explorados. Além disso, 3.477 suspeitos de 29 nacionalidades foram presos e aguardam julgamento.

O Impacto na Região e a Persistência do Problema
Apesar dos números apresentados pelo governo cambojano, a persistência do ceticismo por parte de organizações internacionais e especialistas sugere que o problema do cibercrime e do tráfico humano associado a ele está longe de ser resolvido. A adaptação dos grupos criminosos para operações menores e mais dispersas representa um novo desafio para as autoridades, dificultando a identificação e o desmantelamento completo das redes.
A comunidade internacional continua a observar de perto a situação, pressionando por maior transparência e por ações mais eficazes que garantam a proteção das vítimas e a responsabilização dos criminosos, sem que as declarações oficiais ofusquem a complexidade e a gravidade do problema.
Leitura da LZ7 Energia
A proliferação de complexos de golpes online, como os que operaram no Camboja, destaca a crescente sofisticação do cibercrime e seus impactos econômicos globais. Embora diretamente não relacionado à energia solar, o contexto de crimes cibernéticos e fraudes financeiras tem implicações indiretas para a economia e a segurança dos consumidores. Empresas de energia, incluindo as do setor solar, são alvos potenciais de ataques cibernéticos ou esquemas de fraude, que podem comprometer dados, interromper operações ou lesar clientes. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, entende a importância da segurança digital e da proteção dos dados de seus clientes, reforçando a necessidade de vigilância contra fraudes e a adoção de práticas robustas de cibersegurança para garantir a integridade de suas operações e a confiança dos consumidores em um ambiente digital cada vez mais complexo.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
