A corrida eleitoral para o Palácio dos Bandeirantes em 2026 coloca em destaque um dos temas mais cruciais para a população paulista: a mobilidade. Os candidatos ao governo de São Paulo apresentaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seus planos de governo, que incluem uma série de propostas para o setor. As ideias variam desde a reestatização de companhias de transporte público até a implementação da tarifa zero e a utilização de inteligência artificial para otimizar o deslocamento de milhões de pessoas.
O Metrópoles realizou uma análise detalhada dessas propostas, abrangendo não apenas a mobilidade, mas também áreas como saúde, educação, segurança pública, meio ambiente e a polêmica questão das privatizações de serviços públicos estaduais. Nesta reportagem, focaremos nas visões dos candidatos para o transporte e a infraestrutura de deslocamento no estado.
Visão Geral das Propostas para Mobilidade
As propostas para a mobilidade no estado de São Paulo são diversas e refletem as diferentes ideologias dos candidatos. Um ponto de convergência para alguns é a necessidade de intervenção estatal mais forte no setor, enquanto outros focam na expansão e modernização da infraestrutura existente. A reestatização da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô de São Paulo é uma bandeira levantada por alguns, assim como a implementação da tarifa zero no transporte público coletivo, uma medida que visa facilitar o acesso da população aos serviços.
Além disso, a tecnologia surge como um pilar importante, com a proposta de uso de inteligência artificial para integrar dados de geolocalização, buscando maior eficiência no planejamento e na operação dos sistemas de transporte. A expansão da malha ferroviária paulista também figura entre os objetivos de diversas campanhas, visando conectar melhor as regiões do estado e reduzir o tempo de viagem.
Candidatos e Suas Propostas Detalhadas
A seguir, apresentamos em ordem alfabética as principais propostas para a mobilidade dos candidatos ao governo de São Paulo, conforme seus planos de governo enviados ao TSE. A candidata Policial Edjane (Agir) teve sua candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) em 18 de setembro, não podendo mais concorrer.
Carlos Machado (PCB)
O candidato Carlos Machado, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), defende a reestatização integral da CPTM e do Metrô de São Paulo. Para financiar essa medida e outras iniciativas no setor, Machado propõe a criação do Fundo Estadual de Mobilidade Pública. Este fundo seria abastecido por recursos do orçamento estadual, receitas provenientes de políticas tributárias específicas e operações de crédito junto a bancos públicos de desenvolvimento, entre outras fontes.

Fernando Haddad (PT)
Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), apresenta um plano robusto para a mobilidade. Suas propostas incluem:
- Expansão da malha metroferroviária: Haddad visa ampliar significativamente a rede de metrô e trens metropolitanos, buscando melhorar a cobertura e a capacidade do sistema.
- Integração de modais: O candidato propõe a integração tarifária e física entre diferentes modais de transporte, como ônibus, metrô e trens, para facilitar a vida dos usuários.
- Revisão de contratos de concessão: Haddad planeja revisar os contratos de concessão de rodovias e serviços de transporte, buscando melhores condições para o estado e para os usuários.
- Tarifa zero: O PT defende a implementação da tarifa zero no transporte público coletivo, como uma medida de inclusão social e econômica.
- Incentivo ao transporte ativo: O plano prevê o incentivo a modos de transporte ativos, como bicicletas e caminhadas, com a criação de infraestrutura adequada.

Izadora Dias (PCO)
Izadora Dias, do Partido da Causa Operária (PCO), também foca na reestatização e na gratuidade do transporte. Suas principais propostas são:
- Reestatização da CPTM e Metrô: Assim como outros candidatos, Dias defende que a CPTM e o Metrô voltem a ser totalmente estatais.
- Tarifa zero: A candidata propõe a implementação da tarifa zero no transporte público, argumentando que o acesso ao transporte é um direito fundamental.
- Expansão da malha: O PCO visa a expansão da malha de transporte público, com foco em atender as regiões mais periféricas e carentes.

Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Tarcísio de Freitas, do Republicanos, apresenta uma abordagem que combina expansão e modernização com foco em tecnologia e parcerias. Suas propostas incluem:
- Expansão da malha metroferroviária: Freitas também prioriza a ampliação da rede de metrô e trens, com foco em novas linhas e extensões.
- Uso de inteligência artificial: O candidato propõe a utilização de IA para integrar dados de geolocalização e otimizar a operação do transporte público, melhorando a fluidez e a pontualidade.
- Parcerias público-privadas: Freitas defende o uso de PPPs para o desenvolvimento e a manutenção da infraestrutura de transporte.
- Melhoria da infraestrutura rodoviária: O plano inclui investimentos na manutenção e ampliação de rodovias estaduais.

Vera Lúcia (PSTU)
Vera Lúcia, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), tem como pilares de sua proposta para mobilidade a reestatização e a tarifa zero, com uma visão mais ampla de controle social:
- Reestatização da CPTM e Metrô: A candidata defende a reestatização completa dos sistemas de trens e metrô.
- Tarifa zero: Vera Lúcia propõe a implementação da tarifa zero, financiada por impostos sobre grandes fortunas e lucros de empresas.
- Controle popular sobre o transporte: O plano do PSTU inclui a gestão do transporte público sob controle dos trabalhadores e usuários.
Vivian Mendes (UP)
Vivian Mendes, da Unidade Popular (UP), também se alinha com as propostas de reestatização e gratuidade, com um foco na universalização do acesso:
- Reestatização da CPTM e Metrô: Mendes defende a reestatização dos serviços de transporte ferroviário e metroviário.
- Tarifa zero: A candidata propõe a implementação da tarifa zero no transporte público coletivo, como um direito social.
- Universalização do acesso: O plano da UP visa garantir que todas as regiões do estado tenham acesso a um transporte público de qualidade.

O Que Isso Significa para a Região
As propostas dos candidatos para a mobilidade no estado de São Paulo têm um impacto direto e significativo para o Norte Pioneiro do Paraná e regiões adjacentes. Embora as propostas de metrô e CPTM se concentrem na Região Metropolitana de São Paulo, a expansão da malha ferroviária paulista, a melhoria da infraestrutura rodoviária e a integração de modais podem beneficiar indiretamente o fluxo de pessoas e mercadorias entre os estados. Um sistema de transporte mais eficiente em São Paulo pode otimizar a logística para empresas e produtores do Norte Pioneiro que dependem das vias e portos paulistas para escoamento de produção ou acesso a mercados consumidores. A revisão de contratos de concessão de rodovias, por exemplo, pode impactar os custos de frete e o tempo de viagem, elementos cruciais para a economia regional. A busca por soluções de mobilidade mais sustentáveis e eficientes em um estado vizinho tão influente pode, a longo prazo, inspirar e fomentar discussões semelhantes em outras regiões, incluindo o Norte Pioneiro.
Leitura da LZ7 Energia
A eficiência da mobilidade e do transporte público, embora não diretamente ligada à geração de energia solar, tem um impacto indireto na demanda energética. Um sistema de transporte mais eficiente, com menor congestionamento e maior uso de modais coletivos ou de baixa emissão, pode reduzir o consumo de combustíveis fósseis e, consequentemente, a pressão sobre a rede elétrica para o abastecimento de veículos elétricos. A expansão de malhas ferroviárias eletrificadas, por exemplo, pode aumentar a demanda por eletricidade, abrindo espaço para fontes renováveis como a solar. Além disso, a otimização de rotas e a redução do tempo de deslocamento em grandes centros urbanos contribuem para uma economia mais produtiva, o que pode impulsionar o investimento em infraestrutura, incluindo a energética. À medida que as cidades buscam soluções de mobilidade mais sustentáveis, a integração de fontes de energia limpa, como a solar, torna-se cada vez mais relevante para alimentar essa transição e garantir a resiliência energética do sistema.
Fonte: Metrópoles — Nacional — matéria original publicada em metropoles.com. Imagens e vídeos: Metrópoles — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
