WASHINGTON, D.C. — A Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos, impediu a entrada de alguns jornalistas de três veículos de imprensa — MS NOW, CNN e Politico — na manhã de quinta-feira, 24 de setembro de 2026. A ação ocorreu apenas horas depois de um juiz federal ter emitido uma ordem para suspender temporariamente a proibição imposta pelo então presidente Donald Trump a esses veículos. O impasse gerou uma nova rodada de confrontos legais, com advogados dos veículos solicitando uma audiência imediata sobre o descumprimento da ordem judicial.
A decisão do juiz Timothy Kelly, proferida na noite de quarta-feira, 23 de setembro, determinava que a Casa Branca deveria restaurar 'imediatamente' o acesso aos três veículos. No entanto, enquanto alguns jornalistas desses mesmos meios foram autorizados a entrar, outros foram barrados por oficiais do Serviço Secreto. O CNBC, veículo de origem da apuração, solicitou um posicionamento da Casa Branca sobre a situação, mas não obteve resposta imediata.
Entenda a Decisão Judicial
A ordem de restrição temporária (TRO), que terá validade por pelo menos duas semanas, foi emitida pelo juiz Timothy Kelly no Tribunal Distrital dos EUA em Washington. Kelly, nomeado para o cargo pelo próprio presidente Trump em 2017, concluiu que os três veículos de imprensa haviam demonstrado uma alta probabilidade de sucesso em sua ação judicial, especialmente em relação à violação da Cláusula de Devido Processo da Quinta Emenda da Constituição dos EUA.
O juiz baseou sua decisão em precedentes de dois tribunais de apelação federais, que exigem aviso prévio e oportunidade de defesa para jornalistas cujas credenciais de imprensa da Casa Branca são alvo de revogação. Kelly enfatizou que estava obrigado a seguir essas decisões, proferidas pelo Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito do Distrito de Columbia, 'sem ressalvas'. O presidente Trump não havia advertido os veículos antes de impor a proibição inicial.
Os veículos haviam sido impedidos de entrar na Casa Branca desde sábado, 19 de setembro, um dia após Trump anunciar a proibição. O presidente justificou a medida alegando 'histórias cumulativas' que continham mentiras sobre ele e sua administração. Em sua ação civil, os veículos argumentaram que essa declaração e outras subsequentes reforçavam a alegação de que Trump estava violando seus direitos de liberdade de imprensa, protegidos pela Primeira Emenda, ao atacá-los por suas reportagens.

Ceticismo Judicial sobre Motivações de Segurança Nacional
Em sua decisão, o juiz Kelly expressou ceticismo em relação às alegações do Departamento de Justiça de que a proibição teria sido motivada por preocupações de segurança nacional. As explicações do Departamento de Justiça foram enviadas aos veículos apenas na terça-feira, 22 de setembro, um dia após eles entrarem com a ação para bloquear a proibição.
Nada nos registros que antecedem este processo sugere que a revogação das credenciais dos Requerentes foi motivada por preocupações de segurança nacional. Certamente, não foi isso que o Presidente Trump disse quando anunciou que estava 'banindo' os Requerentes da Casa Branca — em vez disso, ele se concentrou na suposta falta de veracidade e na negatividade das reportagens dos Requerentes.
Juiz Timothy Kelly
Kelly também observou que 'nada' nas cartas enviadas aos veículos, citando supostos perigos à segurança nacional em suas reportagens, sugeria uma necessidade urgente de bani-los. Ele apontou que 'algumas das reportagens identificadas pelos Réus nas cartas aos Requerentes remontam a meses ou anos'.
Simplificando — o registro carece de apoio factual para a alegação dos Réus de que a revogação das credenciais dos Requerentes protegerá de fato a segurança nacional ou que a segurança nacional será posta em risco se o Tribunal ordenar a reintegração de suas credenciais enquanto este litígio prossegue.
Juiz Timothy Kelly
O juiz recusou um pedido do Departamento de Justiça para atrasar a entrada em vigor imediata da ordem de restrição temporária contra a proibição de Trump. Ele também ressaltou que 'ordens de restrição temporárias são geralmente irrecorríveis'.
Reação e Próximos Passos
Em resposta ao descumprimento da ordem, o juiz Kelly determinou que Trump e outros réus no processo deveriam responder até as 12h30 (horário de Brasília, 13h30 ET) da quinta-feira, 24 de setembro, à nova petição judicial que o informava sobre a não conformidade com sua ordem. A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do CNBC sobre a decisão.
Theodore Boutrous Jr., advogado dos veículos de imprensa, saudou a decisão de Kelly, descrevendo-a como 'uma forte decisão que defende a liberdade de imprensa, o devido processo e o estado de direito'.
Agradecemos imensamente a ação rápida do tribunal.
Theodore Boutrous Jr.
As tendas pertencentes à CNN e à MS NOW permaneceram escuras e desocupadas na manhã de 24 de setembro de 2026, em Washington, D.C., sinalizando a persistência do bloqueio. A MS NOW e a CNN são divisões da Versant Media.

O que isso significa para a região
Embora este evento ocorra nos Estados Unidos, ele ressalta a importância da liberdade de imprensa e o papel do judiciário na proteção de direitos fundamentais, mesmo em contextos de alta polarização política. Para o Norte Pioneiro do Paraná, assim como para qualquer região democrática, a capacidade da imprensa de operar sem impedimentos governamentais é crucial para a transparência e a fiscalização do poder público. A defesa desses princípios em qualquer parte do mundo serve como um lembrete da vigilância constante necessária para manter as instituições democráticas funcionando adequadamente, impactando indiretamente a confiança pública em informações e a prestação de contas dos governantes locais e nacionais.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
