Em um movimento que gerou ampla discussão e levantou questões sobre a autonomia da saúde pública estadual, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos removeu duas mortes associadas ao sarampo, previamente reportadas pelo estado da Pensilvânia, da contagem nacional do governo federal. A decisão, que teria sido direcionada pela diretora da agência, Erica Schwartz, ocorre em um período em que os EUA registram o maior número de casos de sarampo em 35 anos, e em meio a crescentes preocupações com a resposta da administração do Presidente Donald Trump ao surto.
Controvérsia sobre a Contagem de Óbitos
Erica Schwartz, que assumiu o cargo de diretora do CDC em agosto de 2026, ordenou que as duas mortes fossem excluídas da atualização semanal de sarampo da agência, conforme relatos de funcionários atuais e antigos citados por diversas organizações de mídia dos EUA, incluindo o New York Times. Inicialmente, o CDC havia incluído os dois casos em seu site que monitora as mortes nacionais por sarampo, mas posteriormente os removeu, publicando um aviso indicando que estava revisando informações adicionais sobre os casos.
“No momento, as informações disponíveis não estabelecem se o sarampo causou ou contribuiu para as mortes ou se os indivíduos morreram de outras causas enquanto infectados com sarampo”, afirmava o site do CDC na terça-feira.
O Departamento de Saúde da Pensilvânia havia anunciado em 25 de agosto que dois residentes não vacinados do Condado de Lancaster haviam falecido em casos que classificou como “associados ao sarampo”. Estes foram os primeiros óbitos desse tipo no estado em 35 anos.
“Minhas mais profundas condolências estão com os entes queridos que estão enfrentando esta perda inimaginável”, declarou Debra Bogen, Secretária de Saúde da Pensilvânia, em um comunicado após o anúncio. “Como médica, quero garantir que as pessoas entendam que a vacina MMR é segura e oferece a melhor proteção que temos contra o sarampo.”

Questionamentos sobre a Política de Saúde Federal
A alteração na contagem do CDC surge após o Secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., um notório cético em relação às vacinas antes de sua nomeação para o cargo, ter questionado publicamente os casos da Pensilvânia na semana anterior. Em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), Kennedy sugeriu que o anúncio “pode até ter sido totalmente fabricado por um dos esperançosos funcionários do Governador”.
Durante um evento de perguntas e respostas transmitido pela Fox News no sábado, Kennedy expressou o desejo de que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, uma agência federal, redirecionasse recursos para doenças crônicas e mortes ligadas a doenças transmitidas por alimentos, afastando o foco de doenças infecciosas.
“Políticos demagogos estão constantemente tentando nos assustar com doenças infecciosas, e desviamos a atenção das doenças crônicas que estão sendo causadas… por grandes empresas de alimentos, por grandes empresas farmacêuticas”, disse Kennedy na Fox News.
A decisão do CDC levantou preocupações sobre se a administração Trump irá acelerar a revisão de determinações de saúde pública estaduais. A Pensilvânia contestou a versão federal sobre as informações fornecidas ao CDC, afirmando que as mortes foram reportadas à equipe de resposta ao sarampo da agência e que epidemiologistas estaduais investigaram minuciosamente ambos os casos.
Impacto das Novas Diretrizes de Vacinação
Especialistas em saúde têm questionado várias políticas de saúde da administração Trump desde que o presidente assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025. No início de setembro de 2026, o Presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva visando reverter as imunizações infantis recomendadas e dividir a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três doses separadas, sugerindo erroneamente que a vacina combinada pode ser letal. Essa medida gerou forte oposição da comunidade médica e científica.

Várias das principais organizações médicas, incluindo a Academia Americana de Pediatria (AAP), afirmaram que espaçar as doses pode criar barreiras desnecessárias para as vacinas. Isso, por sua vez, pode aumentar o número de crianças não vacinadas, elevando o risco de surtos de doenças preveníveis.
Serviço
Para mais informações sobre o sarampo e as recomendações de vacinação, os cidadãos podem consultar os departamentos de saúde estaduais ou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. As diretrizes de vacinação são cruciais para a saúde pública e a prevenção de doenças infecciosas.
O que isso significa para a região
Embora os eventos descritos ocorram nos Estados Unidos, a discussão sobre a autonomia das agências de saúde estaduais versus as diretrizes federais, bem como as políticas de vacinação, tem ressonância global. No Norte Pioneiro do Paraná, a manutenção de altas taxas de vacinação é fundamental para proteger a comunidade contra doenças infecciosas. A confiança nas instituições de saúde e a adesão às campanhas de imunização são pilares para a saúde pública local. Qualquer questionamento infundado sobre a segurança das vacinas, mesmo que em outro país, pode gerar desinformação e hesitação vacinal, impactando diretamente a saúde da população da nossa região.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
