Em um movimento significativo para o cenário político nacional, a federação formada pelos partidos Progressistas (PP) e União Brasil decidiu formalizar seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A decisão, anunciada nesta terça-feira, 6 de outubro, representa uma mudança estratégica em relação à postura de neutralidade adotada pelas duas siglas durante a primeira fase da campanha, quando mantiveram espaço para diálogo com aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A definição ocorreu durante uma reunião conjunta das Executivas Nacionais, que contou com a presença de dirigentes estaduais, deputados e senadores. Segundo a líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), o apoio ao candidato do PL foi aprovado por unanimidade entre os presentes. Para selar a adesão, a federação prepara um ato público em Brasília, agendado para esta quarta-feira, 7 de outubro, onde Flávio Bolsonaro estará presente para a formalização.
Ampliação da Base de Apoio para Flávio Bolsonaro
A adesão de PP e União Brasil contribui para a ampliação da base partidária que se articula em torno de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno. Este movimento segue outras importantes declarações de apoio. Na mesma terça-feira, o candidato do PL esteve em Goiânia, onde recebeu o respaldo de Ronaldo Caiado (PSD), que foi seu adversário na disputa presidencial até o último domingo. O governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também participou do encontro, reforçando a aliança no estado.
É importante notar que, embora Caiado tenha aderido individualmente à candidatura do PL, o Partido Social Democrático (PSD) manteve sua posição de neutralidade em nível nacional, liberando seus filiados para decidirem seus apoios. Flávio Bolsonaro também indicou que sua campanha está em negociações com outros partidos do Centrão para angariar mais apoios à sua candidatura, buscando consolidar uma frente ampla para o segundo turno.
“Estou esperançoso com retaguarda de lideranças comigo como Tarcísio”, afirmou Flávio Bolsonaro, mencionando o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como um de seus importantes aliados.
O Peso de PP e União Brasil
A decisão de PP e União Brasil possui um peso político considerável, uma vez que ambas as siglas têm uma presença relevante tanto no governo federal quanto no Congresso Nacional, mesmo tendo permanecido fora da disputa presidencial no primeiro turno. A neutralidade anterior permitia que seus filiados transitassem entre diferentes apoios, mas a nova diretriz nacional busca unificar a postura.
O PP, por exemplo, indicou André Fufuca para o Ministério do Esporte em 2023. Embora Fufuca tenha se afastado da pasta em abril para concorrer ao Senado, o partido continuou com representação na estrutura ministerial. Já o União Brasil, que em setembro de 2025 havia determinado que seus filiados deixassem o governo, ainda mantém nomes ligados a suas lideranças na Esplanada, incluindo ministros indicados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Apesar da decisão de fechar questão pelo apoio a Flávio Bolsonaro, conforme declarado por Tereza Cristina, a líder do PP evitou antecipar possíveis punições para integrantes que optarem por manter o apoio a Lula. Isso ocorre porque ambas as siglas enfrentam dissidências internas. Na Paraíba, por exemplo, o governador eleito Lucas Ribeiro (PP) declarou apoio a Lula e participou, nesta semana, de uma reunião com o presidente e seus aliados.

O Próximo Alvo: Republicanos
O Partido Republicanos emerge como o próximo alvo na estratégia de Flávio Bolsonaro para consolidar apoios no Centrão. Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, tem atuado diretamente nas conversas com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. A relação entre Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira era considerada distante por membros do partido, o que tornou Tarcísio um intermediário crucial nas negociações.
O Republicanos possui uma bancada expressiva, com 41 deputados e cinco senadores eleitos. Além do tamanho de sua representação, o partido controla atualmente a presidência da Câmara dos Deputados, com Hugo Motta (PB), que manifestou a intenção de permanecer no cargo na próxima legislatura. A permanência de Motta na presidência da Câmara é um dos pontos em discussão nas conversas, especialmente considerando que o PL terá a maior bancada a partir de 2027 e exercerá um peso significativo na eleição da Mesa Diretora.
Contudo, assim como PP e União Brasil, o Republicanos também abriga aliados de Lula. Hugo Motta, por exemplo, apoiou a reeleição do presidente e participou de atos de campanha na Paraíba, indicando que a decisão de apoio nacional pode não ser unânime entre todos os membros do partido.

A Estratégia de Lula: Apostar nas Dissidências
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva já considerava provável a adesão formal de partidos do Centrão a Flávio Bolsonaro. Antes do primeiro turno, a estratégia do PT era evitar que essas siglas se vinculassem institucionalmente ao PL. Com o resultado das urnas no domingo, a tática mudou para preservar lideranças específicas, mesmo que as direções nacionais dos partidos migrem para o adversário.
Um dos nomes considerados importantes pelo Palácio do Planalto é Davi Alcolumbre (União-AP). O senador não participou da reunião de PP e União Brasil que decidiu pelo apoio a Flávio Bolsonaro e, ao contrário, manteve conversas com integrantes do governo nesta semana. Na terça-feira, Alcolumbre reuniu-se com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para discutir a tramitação da proposta que visa reduzir a jornada de trabalho e encerrar a escala 6x1.
Hugo Motta, do Republicanos, também faz parte do grupo que o PT tenta manter próximo, apesar da provável adesão nacional de seu partido ao adversário. Essa estratégia de Lula demonstra a busca por apoio individualizado e a manutenção de pontes com lideranças influentes, mesmo diante de realinhamentos partidários em nível institucional.

O que isso significa para a região
A movimentação do Centrão em apoio a Flávio Bolsonaro e a contra-estratégia de Lula de buscar apoios individuais refletem a intensa disputa pelo poder e a complexidade das alianças políticas no Brasil. Para o Norte Pioneiro do Paraná, essas decisões podem influenciar a distribuição de recursos e a priorização de projetos federais, dependendo de qual grupo político prevalecerá e de como as lideranças locais se posicionarão em relação a essas alianças. A região, que tem suas próprias demandas por infraestrutura, desenvolvimento econômico e social, pode ser impactada pelas negociações e acordos que se formam em Brasília, especialmente se houver a necessidade de apoio para pautas específicas de interesse local.
Leitura da LZ7 Energia
A instabilidade política e as mudanças de alinhamento partidário, como as observadas com o Centrão, podem ter implicações indiretas para o setor de energia, incluindo o solar. A previsibilidade e a estabilidade regulatória são cruciais para atrair investimentos em infraestrutura energética. Um cenário político volátil, com constantes realinhamentos e trocas de comando em ministérios e órgãos reguladores, pode gerar incertezas que afetam o planejamento de longo prazo de projetos, a concessão de licenças e a definição de políticas de incentivo. Para empresas como a LZ7 Energia, que atuam no Norte Pioneiro do Paraná, um ambiente político estável é fundamental para garantir a segurança jurídica e econômica necessária para a expansão da energia solar, que depende de políticas públicas consistentes e de um cenário macroeconômico favorável para o investimento em novas tecnologias e infraestruturas.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
