WASHINGTON, DC – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações contra o CEO de uma empresa de software sediada na Virgínia e um empresário russo, alegando que eles mentiram por anos ao governo americano sobre quem controlava a companhia. Lee Reiber, 55 anos, CEO da Oxygen Forensics, e Oleg Davydov, 52, cidadão russo, foram detidos em operações separadas e enfrentam acusações de conspiração para cometer fraude eletrônica.
A Oxygen Forensics é conhecida por fornecer software forense digital utilizado por agências de aplicação da lei e governamentais para extrair e analisar dados de telefones e computadores. Entre seus clientes estavam o Serviço Secreto dos EUA, as Investigações de Segurança Interna e o Departamento de Guerra (atual nome oficial do Pentágono).
Acusações e Prisões
Lee Reiber foi preso no domingo em Boise, Idaho, onde reside, e posteriormente liberado sob fiança. Ele deverá comparecer a um tribunal federal em Los Angeles nas próximas semanas para sua acusação formal. No mesmo dia, Oleg Davydov, de Moscou, foi detido no Aeroporto de Heathrow, em Londres, enquanto se preparava para embarcar em um voo para Istambul. As autoridades americanas indicaram que buscarão sua extradição para os Estados Unidos.
Ambos os homens são acusados de conspiração para cometer fraude eletrônica, um crime federal que pode resultar em uma pena máxima de 20 anos de prisão. A essência das acusações é que eles teriam ocultado a verdadeira propriedade e controle da Oxygen Forensics do governo americano, apesar de a empresa ter contratos significativos com agências federais.
Ocultação de Informações e Alegações Anteriores
De acordo com a denúncia criminal, a Oxygen Forensics informou a essas agências por vários anos que era de propriedade independente e operava nos EUA – uma alegação que os promotores consideram falsa. A denúncia detalha que Davydov e outros quatro cidadãos russos secretamente possuíam e controlavam a Oxygen Forensics por meio de uma holding no Chipre. Além disso, o software da empresa era desenvolvido por uma equipe na Rússia, sob a direção de Davydov.
Reiber assumiu o cargo de CEO em março de 2022, pouco antes de os nomes dos proprietários russos serem removidos dos registros públicos da empresa. Essa remoção ocorreu em meio à expansão das sanções de Washington contra Moscou após a invasão da Ucrânia. Os proprietários russos, no entanto, teriam mantido o controle nos bastidores, definindo o salário de Reiber e exercendo autoridade sobre as contas bancárias da empresa.
Em dezembro de 2022 e outubro de 2023, Reiber assinou documentos governamentais afirmando falsamente que a empresa era independente e não tinha proprietários externos. Essa certificação foi crucial para a Oxygen Forensics garantir um contrato de cinco anos no valor de 12 milhões de dólares com uma unidade de treinamento do Serviço Secreto em 2024.

Ainda em 2023, quando um repórter questionou Reiber sobre os laços da empresa com a Rússia, ele teria alertado seus parceiros russos que a cobertura “poderia destruir toda esta oportunidade”, conforme a denúncia. Mais recentemente, em março, Reiber negou qualquer propriedade russa ou envolvimento no desenvolvimento do software durante uma chamada gravada com agentes disfarçados que se passavam por funcionários da Segurança Interna.
As alegações do governo seguem de perto as afirmações feitas por Max Weissberg, um ex-funcionário da Oxygen, em um vídeo do YouTube em fevereiro, meses antes das prisões. Weissberg alegou que a empresa era “secretamente controlada” por uma empresa russa com “laços estreitos com o Kremlin”, que “100% dos programadores estão na Rússia” e que Reiber foi “pago para esconder a verdade”. A Oxygen Forensics negou essas alegações e processou Weissberg por difamação em agosto, em um tribunal federal na Virgínia, descrevendo o vídeo como parte de uma campanha de retaliação.
Investigação e Desdobramentos
Na semana passada, investigadores apreenderam as contas bancárias corporativas da Oxygen e aproximadamente 57 de seus domínios da web, sob um mandado emitido em 19 de setembro. O Departamento de Comércio dos EUA, por meio do Escritório de Indústria e Segurança, está investigando o caso da Oxygen Forensics, com assistência do Departamento de Guerra. Ciaran McEvoy, oficial de informação pública do escritório do procurador, destacou em comunicado que todos os réus são presumidos inocentes até que se prove o contrário em tribunal.

Serviço
Acusados: Lee Reiber (CEO da Oxygen Forensics) e Oleg Davydov (empresário russo)
Acusações: Conspiração para cometer fraude eletrônica
Pena Máxima: 20 anos de prisão
Prisões: Reiber em Boise, Idaho (liberado sob fiança); Davydov no Aeroporto de Heathrow, Londres (extradição a ser solicitada)
Empresa Envolvida: Oxygen Forensics, sediada na Virgínia, EUA
Serviços da Empresa: Software forense digital para extração e análise de dados de dispositivos eletrônicos
Clientes Governamentais Reportados: Serviço Secreto dos EUA, Investigações de Segurança Interna, Departamento de Guerra
Investigação: Departamento de Comércio dos EUA (Escritório de Indústria e Segurança) e Departamento de Guerra
O que isso significa para a região
Embora este caso específico ocorra nos Estados Unidos e envolva empresas de tecnologia e agências governamentais, ele ressalta a crescente preocupação global com a segurança cibernética e a integridade das informações, especialmente em contextos geopolíticos sensíveis. A ocultação de laços estrangeiros em empresas que lidam com dados críticos de segurança nacional pode ter implicações sérias para a confiança e a segurança de infraestruturas essenciais. Para a região do Norte Pioneiro do Paraná, que busca desenvolver-se e atrair investimentos, a transparência e a conformidade legal são pilares fundamentais para qualquer negócio, especialmente aqueles que interagem com setores estratégicos ou governamentais. A integridade nas relações comerciais e a clareza sobre a propriedade e controle de empresas são essenciais para manter um ambiente de negócios saudável e confiável, evitando riscos que poderiam impactar a economia local e a segurança de dados.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
