O julgamento histórico contra a Meta, empresa-mãe do Instagram e Facebook, entrou em sua segunda semana nos Estados Unidos, com o depoimento de Adam Mosseri, chefe do Instagram. Mosseri admitiu que o recurso de segurança 'Fazer uma Pausa', destinado a combater o vício em redes sociais, teve uma adesão muito baixa entre os adolescentes antes de ser ativado por padrão em setembro de 2024.
Depoimento Chave em Processo Multibilionário
Adam Mosseri, que lidera o Instagram desde 2018, compareceu perante o tribunal na terça-feira, 25 de agosto de 2026, no Ronald V. Dellums Federal Building & United States Courthouse, em Oakland, Califórnia. A Meta é ré em um processo movido por 29 estados norte-americanos, que a acusam de projetar suas plataformas, incluindo o Facebook, de forma a serem viciantes para jovens usuários.
Questionado sobre por que o recurso 'Fazer uma Pausa' não foi configurado como padrão para adolescentes antes de setembro de 2024 – quase três anos após seu lançamento – Mosseri negou qualquer atraso intencional. Ele afirmou que a decisão de tornar o recurso padrão foi tomada mesmo com a baixa popularidade inicial.
“A maioria dos adolescentes não queria”, disse Mosseri. “Decidimos seguir em frente com isso de qualquer maneira.”
Mosseri é uma testemunha central neste processo, que especialistas consideram o maior teste legal até o momento sobre os efeitos das mídias sociais em usuários jovens. Quatro dos estados – Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey – acusam a Meta de projetar suas plataformas para prender jovens usuários, levando a ansiedade, depressão e até suicídio, enquanto engana os consumidores sobre a segurança das plataformas. Todos os 29 estados alegam que a Meta violou a lei federal dos EUA ao coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças menores de 13 anos em suas plataformas. Os estados buscam aproximadamente 200 bilhões de dólares em indenizações da Meta.

Baixa Adesão e Alegações de 'Fracasso Programado'
Durante o interrogatório de Jason Slothouber, advogado do Colorado, Mosseri reconheceu que a porcentagem de adolescentes que utilizavam o 'Fazer uma Pausa' era de 'dígitos baixos' antes de se tornar padrão. O recurso incentiva os usuários adolescentes a fechar o aplicativo após um determinado período de tempo. Em uma postagem de blog de dezembro de 2021, Mosseri havia estimado que mais de 90% dos adolescentes que ativavam o recurso o mantinham ativo. No entanto, esse número se referia apenas àqueles que já haviam ativado a função.
Ao ser questionado se a Meta havia divulgado a baixa taxa de adoção, que atingia apenas 1% ou 2% das contas, Mosseri admitiu que a empresa não o fez. Ele, no entanto, destacou que os recursos de segurança foram posteriormente ativados por padrão em 'Contas de Adolescentes', lançadas em 2024 e que incluem controles parentais.
A Meta tem refutado as acusações de que buscou viciar crianças, afirmando que suas pesquisas não mostram uma ligação clara entre o uso de mídias sociais por adolescentes e a falta de bem-estar.
Críticas de Ex-Funcionários
Ex-funcionários da Meta também testemunharam, levantando dúvidas sobre a eficácia dos recursos de segurança. Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da Meta, depôs na semana anterior, afirmando que recursos como 'Fazer uma Pausa' e 'Modo Silencioso' eram difíceis de encontrar e pouco utilizados, questionando se representavam um esforço sério da empresa para limitar o tempo de tela de jovens usuários.
“Na minha experiência, 'Fazer uma Pausa' é um recurso projetado para falhar”, disse Arturo Bejar.
George Volichenko, um cientista de dados que trabalhou em recursos de segurança no Instagram em 2022 e 2023, também declarou na segunda-feira que as taxas de adoção de tais recursos eram “muito baixas”. Ele acrescentou que a liderança da empresa se recusou a aprovar a ativação automática do 'Modo Silencioso' para adolescentes jovens, pois isso teria um “impacto negativo notável” no engajamento dos usuários.
Desdobramentos do Julgamento
O julgamento está previsto para durar seis semanas. Os jurados deverão emitir um veredicto consultivo. A Juíza Distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, decidirá se a Meta é responsável e, em caso afirmativo, determinará quaisquer penalidades civis e mudanças no Facebook e Instagram.

O que isso significa para a região
Embora este julgamento ocorra nos Estados Unidos e se concentre nas práticas da Meta em relação a jovens usuários, as discussões sobre o impacto das redes sociais na saúde mental e o design de plataformas digitais têm ressonância global. Para o Norte Pioneiro do Paraná, onde o acesso à internet e o uso de redes sociais por jovens são crescentes, as conclusões deste processo podem influenciar futuras regulamentações e a forma como as empresas de tecnologia operam em todo o mundo, incluindo no Brasil. A conscientização sobre o uso saudável da tecnologia e a proteção de dados de menores são temas relevantes para pais, educadores e formuladores de políticas públicas em nossa região, visando um ambiente digital mais seguro e equilibrado para as novas gerações.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
