O cenário energético chileno está passando por uma transformação significativa, posicionando o país como um líder regional na transição para fontes de energia mais limpas e sistemas elétricos mais resilientes. Uma legislação aprovada em 2024, focada em incentivar o desenvolvimento de baterias acopladas a usinas solares de grande porte, é o motor dessa mudança. A medida não apenas estimula a inovação tecnológica, mas também visa garantir a estabilidade da rede elétrica, que enfrenta desafios crescentes com a intermitência das energias renováveis.

Legislação Estratégica Impulsiona o Mercado de Baterias

A aprovação da lei em 2024 foi um marco decisivo para o setor de energia solar no Chile. A legislação foi projetada para criar um ambiente favorável ao investimento em sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) que operam em conjunto com grandes instalações solares. O objetivo principal é mitigar os efeitos da variabilidade da geração solar, garantindo que a energia produzida durante o dia possa ser armazenada e utilizada nos períodos de menor irradiação solar ou de pico de demanda, como no final da tarde e à noite.

A estrutura de incentivos da nova lei é multifacetada. Ela combina um modelo de pagamentos por capacidade com a possibilidade de receita de arbitragem. Os pagamentos por capacidade remuneram os operadores de BESS pela disponibilidade de energia que podem fornecer à rede, independentemente de estarem gerando ativamente ou não. Já a arbitragem permite que as empresas comprem energia quando os preços estão baixos (geralmente durante o pico de produção solar) e a vendam quando os preços estão altos (durante os picos de demanda ou quando a geração solar é menor), maximizando assim a rentabilidade dos projetos.

Essa combinação de mecanismos financeiros tornou os projetos híbridos, que integram geração solar e armazenamento de energia, extremamente atrativos e lucrativos para os investidores. A resposta do mercado foi imediata e robusta, com um fluxo considerável de anúncios de novos projetos de baterias em todo o país.

Crescimento Exponencial na Capacidade de Armazenamento

O impacto da legislação de 2024 já se reflete nas projeções de crescimento da capacidade de armazenamento de energia do Chile. As expectativas indicam que o país está a caminho de ultrapassar a marca de 6 GW de capacidade instalada de Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS) até o final de 2026. Este número representa um avanço notável e coloca o Chile em uma posição de destaque no cenário global de armazenamento de energia.

O aumento da capacidade de BESS é crucial para a estabilidade e a eficiência da rede elétrica chilena. Com uma crescente penetração de energia solar e eólica, fontes que são intermitentes por natureza, o armazenamento de energia se torna fundamental para equilibrar a oferta e a demanda, evitar interrupções no fornecimento e otimizar o uso da infraestrutura existente. Além disso, o armazenamento permite que o Chile aproveite ao máximo seus vastos recursos solares, especialmente no deserto do Atacama, onde a irradiação solar é uma das mais altas do mundo.

A rápida expansão do setor de armazenamento também sinaliza uma maturidade do mercado e uma confiança dos investidores nas políticas energéticas do Chile. A previsibilidade regulatória e os incentivos financeiros claros são elementos-chave que atraem capital para esses projetos de infraestrutura de longo prazo.

Benefícios dos Sistemas Híbridos para a Rede Elétrica

Os sistemas híbridos, que combinam usinas solares com baterias, oferecem uma série de benefícios operacionais e econômicos. Primeiramente, eles aumentam a despachabilidade da energia solar, transformando uma fonte intermitente em uma fonte mais controlável e previsível. Isso significa que a energia solar pode ser fornecida à rede mesmo após o pôr do sol, estendendo seu valor e utilidade.

Em segundo lugar, as baterias fornecem serviços auxiliares essenciais para a rede, como regulação de frequência e tensão, o que melhora a qualidade da energia e a estabilidade do sistema. Em um cenário de alta penetração de renováveis, esses serviços são cruciais para evitar apagões e garantir o funcionamento contínuo da rede.

Além disso, a capacidade de armazenamento permite otimizar o uso da infraestrutura de transmissão existente. Ao armazenar o excesso de energia gerado em horários de baixa demanda e liberá-lo em horários de pico, os sistemas híbridos podem reduzir a necessidade de investimentos caros em novas linhas de transmissão, que muitas vezes são subutilizadas. Isso resulta em uma maior eficiência do sistema elétrico como um todo e, potencialmente, em custos mais baixos para os consumidores.

A experiência chilena serve como um modelo para outros países que buscam integrar grandes volumes de energias renováveis em suas redes elétricas, demonstrando que políticas públicas bem desenhadas podem catalisar investimentos e acelerar a transição energética.

O Futuro da Energia no Chile e na Região

A aposta do Chile em sistemas híbridos de solar e armazenamento de energia é um passo estratégico em direção a um futuro energético mais sustentável e resiliente. A capacidade de armazenar grandes volumes de energia renovável não apenas reduz a dependência de combustíveis fósseis, mas também fortalece a segurança energética do país.

A experiência chilena pode servir de inspiração para outras nações da América Latina, incluindo o Brasil, que também possuem um vasto potencial solar e desafios semelhantes na integração de renováveis. A adoção de políticas que incentivem o armazenamento de energia pode ser um diferencial para acelerar a transição energética e garantir a estabilidade dos sistemas elétricos regionais.

A contínua inovação tecnológica no setor de baterias, combinada com políticas de apoio, sugere que o Chile continuará a ser um protagonista na vanguarda da energia renovável, consolidando sua posição como um “herói híbrido” na cena energética global.

Leitura da LZ7 Energia

A experiência do Chile com a integração de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) em usinas solares de grande escala oferece lições valiosas para o Brasil e, por extensão, para o Norte Pioneiro do Paraná. No Chile, a combinação de pagamentos por capacidade e receita de arbitragem tornou os projetos híbridos altamente lucrativos, impulsionando um rápido crescimento na capacidade de armazenamento. Para a LZ7 Energia e seus clientes no Paraná, isso ressalta a importância de políticas públicas que incentivem a inovação e a infraestrutura de armazenamento. Com o aumento da geração solar distribuída e centralizada no Brasil, a capacidade de armazenar energia se tornará cada vez mais crucial para garantir a estabilidade da rede, otimizar o uso da energia gerada e reduzir a dependência da rede em horários de pico. Embora o foco chileno seja em usinas de grande escala, os princípios de valorização da energia armazenada e da resiliência da rede são aplicáveis a todos os níveis, incluindo soluções para residências e empresas que buscam maior autonomia e economia na conta de luz. A capacidade de armazenar o excedente de energia solar gerado durante o dia para uso noturno ou em momentos de maior demanda pode significar uma economia significativa e uma maior segurança energética para os consumidores locais, mitigando os impactos de variações tarifárias e da intermitência da rede.

Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.