Em um desenvolvimento histórico que redefine a paisagem energética global, a China anunciou que a capacidade instalada de energia solar ultrapassou a do carvão, tornando-se a maior fonte de geração de eletricidade do país. Este marco, divulgado pela Administração Nacional de Energia (NEA) em 1º de setembro, reflete uma transformação profunda na matriz energética da maior economia asiática.
No final de julho, a capacidade fotovoltaica (PV) acumulada da China atingiu 1,286 terawatts (TW), superando ligeiramente os 1,285 TW da capacidade de geração a carvão. A energia solar agora representa aproximadamente 31,5% da capacidade total instalada de energia da China, compreendendo 704 gigawatts (GW) de PV em escala de utilidade e 582 GW de energia solar distribuída. Este feito encerra um período de um século em que o carvão foi a principal fonte de energia da China em termos de capacidade instalada.
Um Marco na Transição Energética Chinesa
A superação do carvão pela energia solar é o mais recente de uma série de marcos significativos na transição energética da China. Em 2023, a capacidade total de energia renovável do país já havia ultrapassado a do carvão. Em 2025, a capacidade combinada de vento e solar superou a energia térmica. Esses avanços sublinham o compromisso da China com a descarbonização e a busca por uma matriz energética mais sustentável.
No final de julho, a China possuía uma capacidade total de geração instalada de 4,078 TW. Além da energia fotovoltaica e do carvão, a capacidade eólica era de 687,2 GW, a hidrelétrica de 455,5 GW e a nuclear de 66,14 GW, de acordo com as estatísticas da NEA. O número mais recente para biomassa, referente ao final de junho, era de 47,91 GW. A capacidade térmica total, que inclui gás e outras formas de geração térmica além do carvão, atingiu 1,581 TW.
É importante notar que este marco se refere à capacidade instalada, e não à geração real de eletricidade. Nos primeiros sete meses de 2026, a energia solar gerou 802,4 terawatts-hora (TWh) de eletricidade, um aumento de 15,5% em relação ao ano anterior, o que equivale a cerca de 13% do consumo nacional de eletricidade. O carvão, por sua vez, continua sendo muito mais importante em termos de produção real, com as usinas a carvão gerando cerca de 2,5 petawatts-hora (PWh) no primeiro semestre do ano, respondendo por 49,7% da geração total.
"Este é um evento marcante na transição energética verde e de baixo carbono da China", afirmou Liu Zhiqiang, vice-diretor de planejamento e desenvolvimento do Conselho de Eletricidade da China (CEC).
No entanto, Zhiqiang alertou que a intermitência da energia solar e as menores horas de utilização significam que o carvão continuará sendo uma fonte importante de suporte ao sistema no curto prazo.

Expansão Sem Precedentes e Desafios Atuais
A escala da transição chinesa torna-se ainda mais clara quando comparada ao seu sistema de energia há pouco mais de uma década. No final de 2013, as estatísticas revisadas da NEA indicavam uma capacidade fotovoltaica acumulada de apenas 17,45 GW. Naquela época, a capacidade de carvão era de cerca de 790 GW, representando aproximadamente 63% da frota geradora do país, enquanto a energia solar respondia por apenas cerca de 1,4%. A hidrelétrica estava em aproximadamente 280 GW, a eólica em 75,5 GW e a nuclear em 14,6 GW.
Desde então, a frota fotovoltaica da China expandiu-se quase 74 vezes. A capacidade atingiu 77,4 GW em 2016, ultrapassou 130 GW em 2017 e excedeu 250 GW em 2020, acelerando drasticamente após o compromisso da China com a neutralidade de carbono em 2020. Subiu de 392 GW em 2022 para 609 GW em 2023 e 887 GW em 2024, alcançando cerca de 1,2 TW até o final de 2025.
Essa expansão tem um significado global considerável. A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) estima que a capacidade solar mundial atingiu cerca de 2,4 TW no final de 2025, o que significa que a frota de 1,2 TW da China representava aproximadamente metade da capacidade solar instalada global. A energia solar foi responsável por cerca de três quartos de toda a nova capacidade renovável adicionada globalmente em 2025.
Ajustes e Perspectivas Futuras
Apesar do crescimento impressionante, a indústria fotovoltaica doméstica da China enfrenta um dos seus períodos de correção mais profundos em anos. No primeiro semestre de 2026, a China instalou cerca de 71,8 GW de PV, uma queda de aproximadamente 66% em comparação com os 212,2 GW instalados no mesmo período de 2025. O número do ano passado foi inflacionado por uma corrida para concluir projetos antes da mudança para a precificação de eletricidade renovável baseada no mercado. Atualmente, os desenvolvedores também enfrentam condições mais rigorosas de conexão à rede e uma economia de projeto mais fraca.
A integração da rede elétrica está se tornando outra restrição. A taxa média de utilização de PV da China caiu para 91,4% no primeiro semestre de 2026, em comparação com 94% no ano anterior. Essa queda aumenta a pressão por capacidade adicional de transmissão e armazenamento, geração mais flexível e mecanismos aprimorados de mercado de eletricidade.

Simultaneamente, os fabricantes estão lutando com o excesso de capacidade e preços baixos. Dados da Associação da Indústria Fotovoltaica da China mostram que a produção de polissilício caiu 9,8% ano a ano no primeiro semestre, enquanto a produção de módulos diminuiu 35,1%.
Wang Bohua, ex-secretário-geral da associação, descreveu o setor como passando por um "ajuste profundo", mas ressaltou que o ritmo mais lento de instalações representa um retorno a um crescimento mais sustentável após o aumento excepcional de 2025.
A próxima fase da transição solar da China, portanto, será menos sobre quantos gigawatts adicionais podem ser instalados e mais sobre quão confiavelmente essa capacidade pode fornecer eletricidade quando o sistema precisar. Funcionários do CEC argumentam que eólica e solar ainda precisam substituir efetivamente a geração convencional durante períodos críticos, tornando o armazenamento, as tecnologias de formação de rede, as redes de transmissão mais fortes e os mercados de energia mais flexíveis cada vez mais importantes.
O que isso significa para a região
O avanço da China na energia solar, superando o carvão em capacidade instalada, serve como um poderoso exemplo global de transição energética. Para o Norte Pioneiro do Paraná, e para o Brasil como um todo, essa notícia reforça a viabilidade e a importância estratégica da energia solar. Embora o contexto chinês seja de escala gigantesca, a mensagem é clara: a energia solar não é apenas uma alternativa, mas uma força dominante na geração de eletricidade. Isso pode inspirar políticas públicas e investimentos privados na região, incentivando a adoção de sistemas fotovoltaicos em residências, empresas e na agricultura, aproveitando o alto potencial de irradiação solar do Paraná. A experiência chinesa também destaca a necessidade de planejamento robusto para a integração da energia solar na rede, garantindo estabilidade e confiabilidade, desafios que o Brasil também enfrenta à medida que sua matriz energética se torna mais renovável.
Leitura da LZ7 Energia
A notícia de que a energia solar se tornou a maior fonte de capacidade instalada na China é um marco global que ressalta a trajetória irreversível das energias renováveis. Para a LZ7 Energia e para o Norte Pioneiro do Paraná, essa realidade chinesa serve como um forte indicativo do futuro da geração de energia. A rápida expansão solar na China demonstra não apenas a viabilidade tecnológica, mas também o potencial econômico e ambiental de investir em fontes limpas. O Brasil, com sua vasta irradiação solar, possui um potencial imenso para seguir um caminho similar, adaptado à sua própria realidade. A experiência chinesa, no entanto, também aponta para desafios cruciais, como a necessidade de modernização da infraestrutura de transmissão e armazenamento para lidar com a intermitência da geração solar. Isso significa que, além de instalar mais painéis, é fundamental desenvolver soluções inteligentes de rede e sistemas de armazenamento de energia. Para os consumidores e empresas do Norte Pioneiro, isso se traduz em um futuro com mais opções de energia limpa e, potencialmente, mais barata, mas que exigirá investimentos contínuos em tecnologia e infraestrutura para garantir a segurança e a qualidade do fornecimento de eletricidade.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
