Em um desdobramento significativo das relações econômicas globais, a China se destacou como o único membro do Grupo dos Vinte (G20) a divergir de uma declaração conjunta que abordava as distorções comerciais e o impacto de economias não baseadas em mercado. A revelação foi feita pelo Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, após as reuniões financeiras do G20 realizadas em 1º de setembro de 2026, em Asheville, Carolina do Norte.
A declaração, que expressava preocupação com o que foi descrito como um “fluxo interminável de exportações baratas” provenientes de economias não baseadas em mercado, não obteve o consenso de Pequim. Bessent confirmou que a China, que ele descreveu como “o país com o maior e insustentável superávit em conta corrente do mundo”, foi o único a se opor à declaração de seu presidente.
Discordância Chinesa em Pontos Chave
O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, detalhou que a discordância da China não se limitou apenas à questão das exportações. A declaração, divulgada posteriormente pelo Departamento do Tesouro dos EUA, incluía uma nota de rodapé que especificava a objeção chinesa a um parágrafo crucial. Este parágrafo afirmava que os 19 membros concordavam que “os países deveriam tomar medidas para eliminar políticas e práticas não baseadas em mercado que exacerbam os desequilíbrios”.
O documento prosseguia, destacando que “em particular, países com superávits externos excessivos e persistentes deveriam remover distorções que restringem o consumo doméstico e que resultam em uma dependência excessiva de exportações para o crescimento”. Esta formulação aponta diretamente para a política econômica chinesa, que tem sido frequentemente criticada por seu modelo orientado para a exportação e por supostas práticas comerciais desleais.
Além das questões comerciais, o Departamento do Tesouro informou que a China também se opôs a um parágrafo que expressava preocupação com as contínuas interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz. Esta rota vital para o transporte de petróleo tem sido efetivamente bloqueada pelo Irã em meio à sua guerra com os EUA. A posição chinesa sobre este ponto é notável, dado o seu papel como principal parceiro comercial e maior comprador de petróleo do Irã.
Outros pontos de discordância chinesa incluíram parágrafos que elogiavam a “vigilância do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os desequilíbrios globais” e que destacavam “países onde uma parte significativa da dívida externa é devida a membros do G20”. A embaixada chinesa nos EUA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC sobre as declarações de Bessent.
Reações e Implicações Futuras
Apesar da falta de unanimidade, Scott Bessent enfatizou que o acordo dos outros 19 membros do G20 “mostra a enorme dimensão do problema”. Ele expressou sua esperança de anunciar um comunicado conjunto unânime, mas ressaltou a importância do consenso da maioria. A ausência de um acordo total sinaliza as tensões persistentes nas relações comerciais e econômicas globais, especialmente entre as grandes potências.
Bessent indicou que os outros membros do G20 tomarão ações nos próximos “dias, semanas ou meses” para “alcançar uma resolução sobre este equilíbrio insustentável”. Este posicionamento sugere que as discussões e possíveis medidas contra as práticas comerciais que geram desequilíbrios estão longe de terminar e podem escalar em breve.
As declarações de Bessent ocorrem em um momento em que ele lidera o plano da administração Trump para sufocar a economia do Irã, ameaçando seus parceiros comerciais com sanções secundárias, uma iniciativa apelidada de “Operação Pária Econômico”. Este esforço levanta questões sobre se os EUA visariam a China, o principal parceiro comercial do Irã e seu maior comprador de petróleo.

Relações EUA-China e a Questão Iraniana
Apesar das tensões comerciais e das divergências no G20, o Secretário do Tesouro Scott Bessent buscou um tom mais conciliador em relação à questão iraniana, destacando áreas de possível cooperação entre EUA e China. Atualmente, os EUA estão em longas negociações comerciais com Pequim, e o presidente chinês Xi Jinping tem uma visita agendada aos EUA para o final de setembro.
“Com a China sobre o Irã, temos mais em comum do que diferenças”, afirmou Bessent na terça-feira. “A China concorda que o Irã não pode ter uma arma nuclear. A China concorda que deve haver livre comércio marítimo no Estreito de Ormuz. A China obtém 50% de sua energia do Golfo.”
Bessent concluiu suas observações sobre o Irã, colocando a responsabilidade sobre Pequim:
“Então, acredito que cabe à China, ou é incumbência da China, trabalhar para uma solução. Veremos como eles darão seguimento.”
Esta declaração sugere uma tentativa dos EUA de pressionar a China a usar sua influência sobre o Irã, apesar das divergências em outras frentes. A complexidade das relações bilaterais e multilaterais é evidente, com áreas de conflito e potenciais pontos de convergência coexistindo.
O que isso significa para a região
As discussões e tensões comerciais no G20, especialmente as relacionadas a “exportações baratas” e desequilíbrios globais, podem ter repercussões indiretas em regiões como o Norte Pioneiro do Paraná. Embora a pauta principal aborde o comércio internacional em larga escala, as políticas comerciais de grandes economias como a China e os EUA influenciam cadeias de suprimentos, preços de commodities e a competitividade de produtos agrícolas e industriais.
Um cenário de maior protecionismo ou de reequilíbrio comercial global pode impactar a demanda por produtos brasileiros, incluindo aqueles cultivados ou produzidos na região. A busca por um “equilíbrio insustentável” pode levar a flutuações nos mercados internacionais, afetando exportadores e importadores locais. Além disso, a estabilidade geopolítica, como a situação no Estreito de Ormuz, é crucial para o custo do transporte marítimo e, consequentemente, para o preço final de bens e insumos, impactando a economia local.
Leitura da LZ7 Energia
As tensões comerciais e geopolíticas discutidas no G20, envolvendo grandes potências como China e EUA, têm um impacto significativo no cenário energético global. A dependência da China do petróleo do Golfo, que representa 50% de sua energia, e as interrupções no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo, são fatores que influenciam diretamente os preços dos combustíveis e a segurança energética. Para o consumidor brasileiro e, por extensão, para as empresas do Norte Pioneiro do Paraná, a volatilidade nos preços internacionais do petróleo pode se traduzir em custos mais elevados de energia e transporte, afetando a economia local. A busca por fontes de energia renovável, como a solar, ganha ainda mais relevância nesse contexto de incertezas, oferecendo uma alternativa para mitigar os impactos das flutuações do mercado de combustíveis fósseis e promover maior independência energética regional.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
