As intensas chuvas que atingiram o estado de São Paulo entre a última quinta-feira e o sábado resultaram em um cenário de destruição, com ao menos oito pessoas mortas e uma ainda desaparecida. Além das perdas humanas, os temporais provocaram quedas de árvores, alagamentos generalizados e uma série de outras ocorrências que mobilizaram equipes de resgate e defesa civil em diversas regiões.

Desabamento na Capital e Tragédia Humana

Na capital paulista, um dos incidentes mais graves ocorreu na madrugada de sábado (12), quando um prédio em construção desabou sobre casas vizinhas na Rua Tequeci, no bairro da Penha. Os bombeiros trabalharam incansavelmente no local, conseguindo localizar todas as vítimas. Infelizmente, três mulheres, sendo uma delas gestante, dois homens e uma criança perderam a vida. Uma criança e um homem sobreviveram ao desabamento.

Após o ocorrido, as casas no entorno foram vistoriadas. Três delas permanecem interditadas pela Defesa Civil do município, indicando a gravidade dos danos e o risco estrutural na área.

Construção Irregular sob Investigação

O prédio que desabou era uma edificação residencial de 12 andares que se encontrava embargada desde 2021. A Prefeitura de São Paulo informou que, ainda naquele ano, ingressou com uma ação judicial para a demolição da estrutura irregular. Essa medida foi tomada após diversas fiscalizações da Subprefeitura Penha, que resultaram em ordens de interdição e multas, uma delas no valor de R$ 119 mil.

Em 2022, a empresa responsável apresentou um novo projeto, que foi autorizado com a condição de demolição da estrutura antiga. Contudo, a prefeitura revelou que, em fevereiro de 2024, uma fiscalização foi realizada e um laudo, assinado por uma servidora da Subprefeitura, atestava que a demolição havia sido cumprida. As apurações preliminares, no entanto, indicam que a demolição exigida para a construção do novo prédio não foi de fato realizada.

A situação está sob investigação da Controladoria Geral do Município. A servidora que assinou o laudo foi afastada de suas funções por 30 dias, a fim de não prejudicar as investigações. O governo do estado informou que a polícia está investigando o caso, e um dos sócios da construtora New Home foi preso na manhã de domingo. Outros dois representantes da construtora estão sendo procurados e possuem mandados de prisão em aberto.

“A situação está em investigação pela Controladoria Geral do Município. A servidora foi afastada de suas funções, por 30 dias, para não prejudicar as investigações.”

Impactos na Grande São Paulo e Interior

Além da capital, outras cidades da região metropolitana e do interior do estado também foram severamente afetadas. Em Jandira, na Grande São Paulo, uma enxurrada arrastou três pessoas na noite de sexta-feira. Uma mulher foi encontrada sem vida, e um homem foi localizado neste domingo. As buscas pelo terceiro desaparecido estão concentradas em um piscinão na cidade de Carapicuíba, que faz divisa com Jandira.

Em Vargem Grande Paulista, também na região metropolitana, houve quedas de muros e barreiras, deslizamentos e deslocamento de rochas. Uma residência teve a parede de um cômodo atingida, mas sem comprometimento estrutural, e o morador não sofreu ferimentos. Cidades como Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra registraram alagamentos e quedas de árvores.

Situação no Interior

A Defesa Civil emitiu 21 alertas por SMS e 4 alertas por Cell Broadcast entre a 0h de sábado e as 7h30 de domingo, devido às condições meteorológicas. Equipes foram deslocadas para Eldorado, no Vale do Ribeira, onde o Rio Ribeira de Iguape elevou seu nível em aproximadamente 9 metros, causando inundações na área urbana. Cinquenta e quatro famílias, totalizando 173 pessoas, foram retiradas de suas casas.

Em Sete Barras, o transbordamento do Rio Ribeira de Iguape inundou vias e propriedades rurais, afetando 50 moradias. Já em Itu, foram registrados:

  • Queda de muro de arrimo sobre duas residências
  • Deslizamentos de terra e rochas
  • Queda de muro de divisa
  • Três quedas de árvores

A Defesa Civil mantém o monitoramento constante, com o nível dos rios em algumas regiões ainda sob atenção, especialmente na Região de Registro, onde os cursos d'água permanecem elevados e com tendência de aumento em alguns pontos.

Monitoramento Hídrico e Previsão do Tempo

A agência SP Águas informou que, na manhã de domingo, dos 20 pontos monitorados nos rios Tietê e Pinheiros, a tendência predominante era de estabilidade. No entanto, quatro pontos apresentaram extravasamento:

  • São Paulo – Núcleo Itaim Biacica (0,91 metro acima da cota)
  • São Paulo – Núcleo Jardim Helena (0,71m)
  • Itaquaquecetuba – Rio Tietê (0,41 m)
  • Mogi das Cruzes – Rio Tietê Estaleiro (0,02 m)

Na região do Ribeira de Iguape, que possui os rios Ribeira de Iguape, Juquiá e Itariri, a SP Águas registrou 26,1 milímetros (mm) de chuva nas últimas 24 horas. Das 29 estações, seis estão em extravasamento, uma em emergência (Registro), seis em estado de alerta e cinco em atenção.

A região de Piracicaba, que abrange os rios Atibaia, Capivari, Jaguari e Jundiaí, tem três de suas 39 estações de monitoramento indicando extravasamento, outras cinco em emergência e seis em alerta.

Recomendações e Previsão

A Defesa Civil estadual orienta a população a acompanhar os alertas, manter-se distante das margens dos rios e evitar atravessar áreas alagadas. Para quem precisar circular pelo interior, é fundamental consultar as condições das estradas, já que muitas foram afetadas, com liberação parcial ou total ao longo do domingo.

A previsão para domingo e segunda-feira (14) ainda aponta chuvas volumosas no litoral, com possibilidade de até 150 mm nestes dois dias. As demais regiões devem ter chuvas leves e estabilidade.

O que isso significa para a região

Embora os eventos de chuvas intensas e seus desdobramentos tenham ocorrido no estado de São Paulo, a situação serve como um alerta para todas as regiões, incluindo o Norte Pioneiro do Paraná. Os desastres naturais, como inundações e deslizamentos, são frequentemente agravados por construções irregulares e pela ocupação desordenada de áreas de risco. A tragédia do desabamento do prédio embargado na Penha ressalta a importância da fiscalização rigorosa e do cumprimento das normas de segurança em obras, um tema que deve ser uma preocupação constante para as autoridades e a população em qualquer localidade. A resiliência da infraestrutura e a preparação para eventos climáticos extremos são cruciais para minimizar perdas humanas e materiais.

Leitura da LZ7 Energia

As chuvas intensas e os desastres naturais, como inundações e deslizamentos, têm uma relação direta com a infraestrutura energética. Interrupções no fornecimento de energia elétrica são comuns durante esses eventos, causadas por quedas de postes, rompimento de cabos ou subestações submersas. A dependência de fontes de energia mais resilientes e descentralizadas, como a energia solar distribuída, pode oferecer uma alternativa para manter o abastecimento em áreas isoladas ou afetadas, minimizando os impactos em serviços essenciais e na vida da população. Além disso, a eficiência energética e o planejamento urbano sustentável são fundamentais para reduzir a vulnerabilidade das cidades aos extremos climáticos, um desafio crescente em todo o país.

Fonte: Tribuna do Norte — Campos Gerais — matéria original publicada em tnonline.uol.com.br. Imagens e vídeos: Tribuna do Norte — Campos Gerais. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.