Cairo, Egito – Uma cidadã britânico-egípcia, Eman el-Shazly, de 45 anos, residente em Birmingham, foi detida no Cairo em 16 de agosto, durante uma visita ao Egito. A prisão, segundo seus advogados, seria uma tentativa de silenciar sua irmã, Mona, uma crítica contundente do governo egípcio, que mantém um canal no YouTube no Reino Unido.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido foi instado a intervir para garantir a libertação de Eman, em um caso que destaca preocupações sobre a prática de 'punição por procuração' contra familiares de dissidentes políticos no Egito. A situação de Eman el-Shazly ganha contornos mais complexos ao ser associada aos casos de seus dois irmãos, Hassan e Eid, que já passaram três anos na prisão e foram detidos novamente em maio, enfrentando acusações de 'promover ideias de uma organização terrorista nas redes sociais e divulgar notícias falsas prejudiciais à segurança do Estado'.
Detalhes da Detenção e Acusações
Eman el-Shazly, que não possui histórico de envolvimento político, viajou para o Cairo há dois meses para cuidar de sua mãe doente, após a prisão de seus irmãos. Seu advogado, Arfan Rashid, que representa o marido de Eman, com quem ela tem quatro filhos, enfatiza que ela nunca esteve envolvida em política, ao contrário de sua irmã Mona.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido confirmou ao marido de Eman que ela está detida no centro de reabilitação Ramadan e que seu caso recebeu o mesmo número de processo de seus irmãos, Hassan e Eid. Essa coincidência reforça a tese de que a prisão de Eman está diretamente ligada às atividades de sua irmã.
“Há ampla evidência de que Eman foi presa para silenciar Mona”, declarou Arfan Rashid, advogado da família. Ele acrescentou que Eman chegou a informar aos oficiais de segurança que não mantinha mais contato com sua irmã e que muitos membros da família haviam pedido repetidamente a Mona que encerrasse seu ativismo político no Reino Unido, sem sucesso.
Mona, por sua vez, confirmou ao jornal The Guardian que outros membros da família a haviam pedido para parar seu ativismo, incluindo a remoção de seus vídeos do YouTube. No entanto, ela se mantém firme em sua posição.
“Não fiz nada de errado nem quebrei nenhuma lei… Sou uma mulher muito forte, mas é muito traumático para mim, já que 11 ou 12 crianças estão sem os pais. É uma situação horrível, mas o governo egípcio não vai parar se eu parecer fraca. O governo está perto de entrar em colapso”, afirmou Mona.

Contexto Político e 'Punição por Procuração'
O governo do Presidente Abdel Fatah al-Sisi tem sido alvo de acusações de prender frequentemente parentes de críticos políticos, como forma de pressionar indiretamente os dissidentes a cessar suas críticas ao seu governo ou à corrupção estatal. Grande parte do ativismo de Mona foca em supostos casos de corrupção dentro dos serviços de segurança ou concessionárias de serviços públicos, um tema altamente sensível no Egito.
O advogado Rashid mencionou que o governo do Reino Unido reconheceu a prática de 'punição por procuração' no Egito em sua nota de política e informação de perfil de país, publicada em março de 2026. A Human Rights Watch e a biblioteca da Câmara dos Comuns alertaram em 2021 sobre um padrão crescente de familiares de críticos egípcios vivendo no exterior sendo alvos.
Mona mantém um canal no YouTube com 130.000 inscritos e é ativa no X (antigo Twitter), onde faz alegações específicas e controversas sobre funcionários do governo. No X, Mona afirmou que até cinco membros de sua família foram detidos ou assediados pelas autoridades egípcias.
“O parentesco é algo além da vontade da minha família, e os convido a me deserdar para se salvarem deste ditador desprezível e ilegítimo. Eu sou quem se opõe a Sisi, não cinco indivíduos da minha família. Este é um crime contra a humanidade que não prescreve com o tempo”, escreveu Mona em uma de suas publicações.
Mona vive no Reino Unido há 18 anos, e Eman tornou-se cidadã britânica por meio do casamento. A representação do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido no Cairo solicitou acesso para visitar Eman, mas ainda não obteve uma resposta positiva.
Apelo por Intervenção Diplomática
O marido de Eman, Zeesharn Moustapha, relatou que policiais e oficiais de segurança egípcios estiveram na casa da família onde ela estava hospedada, alguns dias antes da prisão, exigindo que Eman dissesse a Mona para parar de publicar material contra o governo egípcio.
O advogado de Eman questionou se Alistair Burt, o novo enviado do Reino Unido para casos consulares complexos, deveria ser solicitado a intervir pelo Ministério das Relações Exteriores. Burt foi nomeado há um mês e tem a tarefa de trabalhar para garantir a libertação de cidadãos britânicos detidos no exterior. Ele já se reuniu com Gurpreet Singh Johal, irmão de Jagtar Singh Johal, detido pelas autoridades indianas por quase nove anos sem condenação. O Ministério das Relações Exteriores foi procurado para comentar o caso.
Leitura da LZ7 Energia
A situação de Eman el-Shazly no Egito, com a alegação de 'punição por procuração' contra familiares de críticos do governo, destaca a fragilidade dos direitos humanos e a complexidade das relações internacionais. Embora o caso não esteja diretamente ligado à energia solar, ele ressalta a importância da estabilidade política e da segurança jurídica para o desenvolvimento econômico e a atração de investimentos em qualquer setor, incluindo o de energias renováveis. Em um cenário de incerteza, a confiança de investidores e a liberdade de atuação de empresas são impactadas, o que pode atrasar a transição energética e o crescimento de setores como o solar. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, compreende que um ambiente de segurança e respeito às leis é fundamental para o sucesso de suas operações e para o bem-estar da comunidade.
Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
