Planos israelenses para a construção de um novo e significativo assentamento, que dividiria a Cisjordânia ocupada em duas, provocaram uma onda de condenação internacional. O projeto, conhecido como E1, prevê a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais e tem sido alvo de críticas por parte de diversas nações e organizações globais.

Condenação Unânime de Países e Organizações

Em um comunicado conjunto divulgado na quinta-feira, o Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda, Canadá e Noruega classificaram a abertura de licitações para a construção das unidades habitacionais no projeto E1 como “inaceitável” e uma violação da “contiguidade territorial dos Territórios Palestinos”. O grupo de países alertou para “consequências legais e de reputação” para os participantes e instou Israel a “retirar esses planos imediatamente e acabar com a expansão de seus assentamentos na Cisjordânia”.

“Não só eles nos afastarão da paz, mas também minarão ainda mais a posição internacional de Israel”, acrescentou o comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores do Egito também expressou sua “rejeição completa às tentativas de consolidar o status quo através da expansão ilegal de assentamentos” e pediu à comunidade internacional que “tome medidas sérias para deter essas violações”.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, manifestou-se nas redes sociais, afirmando que os planos “minam gravemente a perspectiva de uma pátria palestina contígua”. Segundo ele, Israel abandonou “até mesmo a pretensão de buscar a paz ou de respeitar a vontade da comunidade internacional”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também se pronunciou contra o plano. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, declarou que o secretário-geral estava “profundamente alarmado com os relatos de novos postos avançados de assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada”, incluindo as novas licitações.

Detalhes do Projeto E1 e Implicações

Os assentamentos e postos avançados israelenses no território ocupado são considerados ilegais sob o direito internacional. No entanto, o desenvolvimento desses projetos tem se acelerado desde o início da guerra de Israel em Gaza, lançada em outubro de 2023.

O projeto E1, que deverá incluir pelo menos 3.400 unidades, tem como objetivo conectar Jerusalém Oriental ocupada à área do assentamento de Maale Adumim, abrangendo aproximadamente 12 quilômetros quadrados (4,6 milhas quadradas) de terra palestina. A construção desse assentamento dividiria a Cisjordânia de norte a sul, cortando a ligação da Cisjordânia com Jerusalém Oriental, que há anos os palestinos citam como a capital preferencial de seu futuro estado.

Israel concedeu as aprovações finais para o plano E1 em agosto do ano passado. Na ocasião, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, de linha-dura, celebrou o projeto como “histórico”.

“O estado palestino está sendo apagado da mesa não com slogans, mas com ações”, vangloriou-se Smotrich.

Pelo menos 21 países condenaram os planos na época.

Condenação Internacional a Planos de Assentamento Israelense na Cisjordânia
Foto: Al Jazeera — Internacional

Aumento da Violência e Deslocamento

A decisão de Israel de avançar com a expansão ocorre em um momento em que grupos de direitos humanos alertam para o deslocamento em massa de palestinos da Cisjordânia, em meio ao aumento de ataques de colonos e ao crescimento de assentamentos ilegais.

Pesquisas do órgão humanitário da ONU revelaram que mais palestinos foram deslocados à força por ataques de colonos, demolições e despejos nos primeiros quatro meses de 2026 do que em todo o ano de 2025. Dezenas de comunidades palestinas na Cisjordânia estão agora em risco de apagamento, conforme um relatório recente da Human Rights Watch.

Analistas têm associado a corrida por assentamentos às próximas eleições em Israel, previstas para outubro.

Condenação Internacional a Planos de Assentamento Israelense na Cisjordânia
Foto: Al Jazeera — Internacional

Serviço

  • O que: Planos de Israel para novo assentamento E1 na Cisjordânia.
  • Localização: Cisjordânia ocupada, conectando Jerusalém Oriental à área de Maale Adumim.
  • Unidades habitacionais: Mais de 1.200 unidades em licitação, com projeto total de pelo menos 3.400 unidades.
  • Data da condenação: Quinta-feira, 21 de agosto de 2026.
  • Países e organizações que condenaram: Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda, Canadá, Noruega, Egito, Malásia, ONU.
  • Implicações: Divisão da Cisjordânia, corte da ligação com Jerusalém Oriental, aumento da violência e deslocamento de palestinos.

O que isso significa para a região

A expansão de assentamentos na Cisjordânia é um tema de longa data no conflito israelo-palestino, com profundas implicações geopolíticas e humanitárias. A condenação internacional reflete a preocupação de que tais ações minam os esforços de paz e a viabilidade de uma solução de dois estados, na qual um estado palestino independente e contíguo coexistiria com Israel.

Para a população palestina, a continuidade da construção de assentamentos significa a perda de terras, o deslocamento forçado e a fragmentação territorial, dificultando ainda mais a vida diária e o acesso a recursos e serviços. A intensificação da violência por parte de colonos e as demolições de casas agravam a crise humanitária e a instabilidade na região.

A pressão internacional, embora constante, nem sempre resulta em mudanças imediatas na política israelense, especialmente com governos de linha-dura que veem a expansão dos assentamentos como uma prioridade estratégica. A ligação entre a corrida por assentamentos e as eleições israelenses sugere que a questão pode ser usada como plataforma política interna, complicando ainda mais as perspectivas de um diálogo construtivo para a paz.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.