Uma delegação de diplomatas europeus foi alvo de um ataque por colonos israelenses mascarados na Cisjordânia ocupada, um incidente que provocou forte condenação internacional e apelos por justiça. O ataque, ocorrido no sábado, 17 de outubro de 2026, teve como alvo representantes da Bélgica, França, Polônia e da Igreja Católica, que visitavam a vila de Taybeh, predominantemente cristã, próxima a Ramallah.
A Bélgica, em particular, expressou sua indignação com o ataque ao seu cônsul-geral e aos demais enviados, exigindo que Israel responsabilize os culpados. As Forças de Defesa de Israel (IDF) também condenaram o que descreveram como um "ato grave de violência" e anunciaram uma investigação. No entanto, o gabinete do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu levantou dúvidas sobre a narrativa dos fatos, sugerindo que o incidente poderia ser parte de uma "campanha coordenada para difamar Israel".
Ataque em meio à colheita de azeitonas
O ataque aos diplomatas ocorreu apenas um dia após outro incidente violento, no qual palestinos e a fotógrafa Heidi Levine, do jornal The Washington Post, foram feridos em um assalto separado por colonos em outra vila na Cisjordânia. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o ataque a Levine como "perturbador" e "uma má imagem". O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, um aliado declarado de Israel, também condenou o ocorrido, chamando-o de "ato desprezível de terror realizado por covardes mascarados" e exigiu que os agressores sejam "processados com a máxima extensão da lei".
A delegação diplomática estava em Taybeh para avaliar a situação no terreno, após uma série quase diária de ataques de colonos israelenses contra palestinos que tentam realizar a colheita de azeitonas. Imagens de vídeo do local mostraram colonos mascarados confrontando o comboio. Relatos indicam que pedras foram arremessadas contra os veículos. As autoridades belgas confirmaram que um carro de seu consulado teve uma janela quebrada, e um prefeito francês foi agredido.

Detalhes do incidente e reações
O vídeo do local mostrou um homem vestindo uma faixa tricolor francesa caído ao lado de um veículo. O Ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prevot, condenou veementemente o ataque e enfatizou a responsabilidade de Israel em levar os culpados à justiça.
Os palestinos enfrentam essa violência todos os dias. Os colonos também visam jornalistas que relatam sobre isso e diplomatas. Colher azeitonas, noticiar ou desempenhar funções diplomáticas nunca deveria colocar ninguém em risco de ataque. Como potência ocupante, as autoridades israelenses devem proteger os palestinos, garantir a segurança de diplomatas e jornalistas, e levar os responsáveis à justiça. A impunidade para colonos violentos deve acabar. A Bélgica continuará a pressionar por sanções da UE contra os responsáveis por essa violência e aqueles que os apoiam.
Maxime Prevot, Ministro das Relações Exteriores da Bélgica
Gideon Sa'ar, Ministro das Relações Exteriores de Israel, também condenou a violência, referindo-se aos agressores como "manifestantes israelenses". Ele afirmou que o Ministério das Relações Exteriores estava em contato com os embaixadores dos países envolvidos. Contudo, adicionou uma ressalva:
Sem diminuir a gravidade do incidente, é lamentável que a visita não tenha sido coordenada com as IDF antecipadamente. Tal coordenação poderia ter ajudado a salvaguardar a segurança dos visitantes.
Gideon Sa'ar, Ministro das Relações Exteriores de Israel
As IDF, por sua vez, declararam:
Condenamos veementemente o grave ato de violência que ocorreu na área de Taybeh, durante o qual representantes diplomáticos foram atacados por manifestantes israelenses. De acordo com uma investigação preliminar, nenhum soldado das IDF estava presente no local no momento do ataque.
Forças de Defesa de Israel (IDF)
Investigação e controvérsia
Apesar das condenações, o gabinete do Primeiro-Ministro Netanyahu pediu "cautela antes de tirar conclusões" dos relatos sobre o ataque. Afirmou que as imagens nas redes sociais "não estabelecem a sequência completa dos eventos ou a responsabilidade individual".
Essas circunstâncias permanecem sob investigação. A polícia israelense e investigadores forenses iniciaram uma investigação para estabelecer os fatos e identificar os responsáveis.
Gabinete do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu
O gabinete acrescentou que "esses relatos surgem em meio a preocupações sobre uma campanha coordenada para difamar Israel e os residentes judeus da Judeia e Samaria durante a colheita anual de azeitonas, baseando-se em manchetes sensacionalistas antes que todos os fatos venham à tona".
O oficial francês ferido foi identificado pelo gabinete de Netanyahu como Bernard Baudoux, o prefeito de esquerda de Aulnoye-Aymeries, no norte da França. Baudoux relatou à agência de notícias AFP que o ataque demonstrava uma tolerância do governo de direita de Israel à violência dos colonos. Ele descreveu ter sido chutado e espancado com barras de ferro, sendo jogado ao chão.

É a natureza gratuita da violência que me choca. Eles chegaram completamente enfurecidos. O mundo inteiro precisa saber o que está acontecendo lá. Para mim, voltarei para o meu país e tudo ficará bem. Aqueles que continuam a sofrer mais são os que estão aqui.
Bernard Baudoux, prefeito de Aulnoye-Aymeries
O que isso significa para a região
Este incidente eleva ainda mais a tensão na Cisjordânia, uma região já marcada por conflitos e disputas territoriais. A agressão a diplomatas, que possuem imunidade e são representantes de seus países, é um ato grave que pode ter repercussões diplomáticas significativas. A condenação internacional e a exigência de justiça colocam pressão sobre o governo israelense para agir de forma decisiva contra a violência de colonos, que afeta diretamente a população palestina e a estabilidade da área.
A resposta dividida entre as forças de segurança israelenses e o gabinete do Primeiro-Ministro, que sugere uma campanha de difamação, adiciona uma camada de complexidade à situação. A falta de coordenação prévia mencionada pelo Ministro das Relações Exteriores de Israel também levanta questões sobre a segurança e a comunicação em áreas de conflito. A continuidade dos ataques durante a colheita de azeitonas, uma atividade econômica vital para muitos palestinos, ressalta a vulnerabilidade da população local e a urgência de medidas de proteção eficazes.
Fonte: BBC News — World (internacional) — matéria original publicada em bbc.com. Imagens e vídeos: BBC News — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
