As empresas brasileiras demonstraram um vigoroso desempenho no segundo trimestre de 2026, ao distribuírem US$ 4,4 bilhões em dividendos aos seus acionistas. Este montante representa um crescimento notável de 12,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, solidificando a posição do Brasil como líder em ganhos para acionistas na América Latina. Os dados são parte do Índice Global de Dividendos e Recompras, elaborado pela gestora britânica Janus Henderson, que analisa o comportamento de empresas em diversos mercados.
O levantamento aponta que a JBS N.V. (BDR: JBSS32), holding internacional do grupo JBS, foi o grande destaque individual em valor distribuído, superando a Petrobras (PETR4; PETR3) ao considerar separadamente suas ações ordinárias e preferenciais. A gigante global do setor de carnes foi um dos principais motores para o crescimento dos dividendos no país, impulsionada por um aumento significativo no valor pago por ação, que saltou de US$ 0,35 no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,00 neste ano. Após a JBS e a Petrobras, a Telefônica Brasil (VIVT3) e os grandes bancos completam a lista das maiores pagadoras.
Brasil Impulsiona Retorno a Acionistas na América Latina
O crescimento robusto do pagamento de dividendos no Brasil superou não apenas a média da América Latina, que registrou um aumento de 1,7% para US$ 11,7 bilhões, mas também o desempenho do mercado global, que viu seus dividendos crescerem 7,3%, totalizando US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre. Os números da Janus Henderson são baseados em dados subjacentes, que descontam efeitos sazonais, distorções, inflação ou eventos extraordinários, oferecendo uma visão mais precisa do cenário.
É importante notar que, embora a JBS N.V. tenha liderado o ranking individual da Janus Henderson, uma análise consolidada dos dividendos pagos pela Petrobras, somando suas ações preferenciais e ordinárias, revela um valor total de R$ 7,675 bilhões. Este montante supera os R$ 5,251 bilhões distribuídos pela JBS, conforme dados da consultoria Elos Ayta. A metodologia da Janus Henderson considera os dividendos efetivamente pagos no segundo trimestre para cada tipo de ação, o que explica a aparição duplicada de algumas empresas, como Petrobras e Bradesco, na lista.
Setor Financeiro Global e Ausência Brasileira no Top 20
Globalmente, o setor financeiro manteve sua posição como a principal fonte de dividendos, distribuindo US$ 239,7 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 8,1%. Contudo, apesar do bom desempenho nacional, nenhuma empresa brasileira figurou entre as 20 maiores distribuidoras de lucros em escala global. O ranking mundial é liderado pela produtora de petróleo saudita Saudi Arabian Oil Co., seguida pela Nestlé, HSBC Holding, Allianz, Microsoft e Nvidia.
A Petrobras, que já teve destaque internacional, chegou a ocupar a segunda posição no ranking global da Janus Henderson no quarto trimestre de 2022 e esteve no 14º lugar no quarto trimestre de 2024. O levantamento da gestora britânica considera apenas dividendos regulares, excluindo pagamentos extraordinários, o que pode influenciar a posição de empresas que ocasionalmente realizam distribuições atípicas.

Maiores Pagadoras de Dividendos e Recompras de Ações no Brasil
A seguir, a lista das empresas brasileiras que mais pagaram dividendos no segundo trimestre de 2026, segundo a Janus Henderson:
- 1. JBS N.V. Class A
- 2. Petroleo Brasileiro ON
- 3. Petroleo Brasileiro PN
- 4. Telefonica Brasil
- 5. Banco Bradesco PN
- 6. Banco Bradesco ON
- 7. Banco do Brasil
- 8. Rede D’Or Sao Luiz
- 9. B3
- 10. Sabesp
Além dos dividendos, o relatório da Janus Henderson também ressalta o crescimento das recompras de ações, outra estratégia utilizada pelas companhias para beneficiar seus acionistas. As recompras globais atingiram R$ 572 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O setor de Tecnologia liderou este movimento, com R$ 121,1 bilhões em recompras.
O Brasil também se destacou nas recompras de ações na América Latina, com um total de US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre. Este volume é atribuído, em parte, à forte queda dos preços dos papéis em bolsa após o início da guerra do Irã, criando oportunidades para as empresas recomprarem suas próprias ações a valores mais atrativos. O México foi o segundo país da América Latina com mais dividendos e recompras, totalizando US$ 3,4 bilhões no segundo trimestre, apesar de uma queda de 0,8% em relação ao ano anterior, e registrando US$ 400 milhões em recompras.
Confira as empresas brasileiras que mais recompraram ações no segundo trimestre de 2026:
- Ambev
- Itau Unibanco
- Vale
- B3
- Rede D’Or
- Bradesco
- Nu Holdings
Perspectivas e Estratégias de Retorno de Capital
A Janus Henderson projeta um crescimento global dos dividendos neste ano entre 5% e 6%, enquanto as recompras de ações devem avançar entre 7% e 8%. Essas previsões são sustentadas por lucros corporativos resilientes e uma forte geração de caixa, especialmente nos setores Financeiro e de Tecnologia.
“Estamos vendo uma mudança na forma como as empresas pensam sobre a devolução de capital aos acionistas”, afirmou Jane Shoemake, responsável por ações de países emergentes da Janus Henderson.
Shoemake destacou o aumento das recompras de ações como uma estratégia que oferece flexibilidade às companhias para reagir conforme suas prioridades mudam. Ela exemplifica com o comportamento dos bancos, que utilizam cada vez mais as recompras para devolver capital sem se comprometer com pagamentos permanentemente mais altos de dividendos no futuro, adaptando-se às condições de mercado e às suas necessidades de capital.
O que isso significa para a região
O desempenho robusto das empresas brasileiras na distribuição de dividendos e na recompra de ações, conforme o relatório da Janus Henderson, reflete a saúde financeira de grandes corporações e a capacidade de gerar valor para seus acionistas. Para o Norte Pioneiro do Paraná, essa dinâmica econômica nacional pode ter impactos indiretos, mas significativos. Empresas sólidas e lucrativas, que pagam bons dividendos, tendem a atrair investimentos e a fortalecer o mercado de capitais como um todo. Isso pode se traduzir em maior confiança para o ambiente de negócios, potencialmente incentivando a expansão de setores produtivos e a geração de empregos em diversas regiões, incluindo a nossa.
A capacidade de empresas como a JBS de aumentar significativamente seus dividendos, por exemplo, indica um setor produtivo forte, que pode gerar demanda por serviços e produtos em toda a cadeia, beneficiando indiretamente fornecedores e prestadores de serviços locais. Além disso, a resiliência dos lucros corporativos e a forte geração de caixa, destacadas pela Janus Henderson, são indicadores de um cenário econômico mais estável, que pode favorecer o desenvolvimento de novas iniciativas e a atração de capital para projetos de infraestrutura e inovação, como os ligados à energia renovável, que são cruciais para o futuro da região.
Leitura da LZ7 Energia
O cenário de forte crescimento de dividendos e recompras de ações no Brasil, impulsionado por setores como o financeiro e o de tecnologia, e com projeções otimistas para os próximos anos, sinaliza um ambiente econômico mais robusto. Para o setor de energia solar, essa solidez econômica é um fator positivo. Empresas com boa saúde financeira e capacidade de gerar caixa tendem a ter maior propensão a investir em tecnologias limpas e eficientes, buscando a otimização de custos e a sustentabilidade em suas operações. A previsibilidade e a rentabilidade do mercado de capitais podem atrair mais investidores para projetos de energia renovável, incluindo a solar, que demandam capital inicial significativo. Além disso, a confiança econômica geral pode impulsionar o consumo e a demanda por energia, incentivando a expansão da capacidade instalada e a diversificação da matriz energética, com a energia solar desempenhando um papel cada vez mais central na redução da dependência de fontes mais caras e poluentes, impactando positivamente a conta de luz e a economia local.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
