Para os moradores do Norte Pioneiro do Paraná e de outras regiões que sonham em passar as férias de fim de ano de 2026 no exterior, o planejamento financeiro se mostra mais crucial do que nunca. Especialistas consultados alertam para a volatilidade do dólar, impulsionada por incertezas no cenário fiscal e eleitoral doméstico, e para o aumento significativo nos custos de passagens aéreas. A recomendação é clara: antecipação e estratégia são as chaves para evitar surpresas desagradáveis no orçamento da viagem.
Volatilidade do Dólar e Cenário Econômico
A instabilidade do dólar é um fator determinante para quem planeja uma viagem internacional. Segundo Augusto Parente, especialista em finanças e investimentos e sócio-fundador da AW Capital, a volatilidade do câmbio, especialmente com a proximidade de eleições presidenciais, pode gerar oscilações significativas. As tensões comerciais entre governos, embora mencionadas, têm um impacto limitado nos gastos de um brasileiro em viagem, ao contrário das incertezas eleitorais.
“Daqui até o fim do ano veremos um dólar mais volátil, com possibilidade de alta no curto prazo. Se você tem uma viagem programada para dezembro, comprar a maior parte da minha viagem agora seria o mais seguro, para que você tenha uma previsibilidade do custo,” afirma Augusto Parente.
O impacto da variação cambial pode ser substancial. Em uma viagem com orçamento de US$ 5 mil, por exemplo, uma alta do dólar de R$ 5,20 para R$ 5,50 resultaria em um aumento de R$ 1,5 mil na conta final, antes de impostos e taxas. O dólar comercial fechou a sexta-feira, dia 21, cotado a R$ 5,144, com queda de 0,93% no dia. Acumulava queda de cerca de 5,4% desde o início do ano, quando estava em R$ 5,4372 (cotação de venda da PTAX de 2 de janeiro). Para o fim de 2026, a mediana das projeções do mercado, reunidas pelo Boletim Focus, aponta para R$ 5,20.
Estratégias para a Compra de Dólar
Diante da imprevisibilidade, a estratégia mais recomendada pelos especialistas é a compra gradual da moeda estrangeira. Jeff Patzlaff, planejador financeiro certificado (CFP) e especialista em investimentos e finanças pessoais, enfatiza que tentar acertar o momento exato da melhor cotação é uma aposta arriscada.
“Ninguém sabe exatamente para onde o câmbio vai amanhã. Começar a comprar agora tira o peso de tentar acertar o momento perfeito e protege você de uma disparada repentina da moeda. Se você divide o valor total que vai gastar e compra um pouco a cada semana ou quinzena, dilui o risco. Se o dólar cair, você aproveita a queda. Se subir, já garantiu uma parte mais barata lá atrás,” avalia Jeff Patzlaff.
Essa abordagem dilui o risco e proporciona maior previsibilidade dos custos, protegendo o viajante de flutuações bruscas. Augusto Parente corrobora a necessidade de antecipação, especialmente com a proximidade das eleições presidenciais em outubro, que podem manter o mercado financeiro sensível a notícias e gerar novas oscilações até o fim do ano.

Passagens Aéreas: Custos em Alta
Além do câmbio, o preço das passagens aéreas exige atenção redobrada. As companhias aéreas têm custos dolarizados e são diretamente impactadas pelo preço do querosene de aviação (QAV), o principal combustível utilizado. A demanda em períodos de alta procura, como Natal e Ano-Novo, também eleva os valores.
O QAV sofreu forte pressão ao longo de 2026, devido a conflitos no Oriente Médio. Embora os preços tenham começado a recuar em junho, com reduções de 14,2% e 14,5% em julho pela Petrobras, o combustível acumulava uma alta de 40,5% no ano até julho. Consequentemente, as passagens aéreas registraram um aumento de 13,69% no ano, segundo o IPCA, e um impressionante acúmulo de 41,89% em 12 meses.
Como Otimizar Gastos no Exterior
Para gerenciar os gastos durante a viagem, as contas internacionais se destacam como uma das alternativas mais competitivas. Jeff Patzlaff explica que essas contas geralmente oferecem taxas de câmbio mais próximas das referências comerciais e spreads cambiais inferiores. O spread cambial é uma taxa adicional aplicada por instituições financeiras sobre a cotação de referência, fazendo com que o consumidor pague mais pelo dólar.
Por exemplo, mesmo com o dólar cotado a R$ 5,20, o viajante pode acabar pagando R$ 5,25 ou mais, dependendo do banco. Augusto Parente sugere também a remessa para uma conta internacional de investimento desde já. “Uma outra estratégia possível é fazer as remessas para uma conta internacional de investimento desde já. Além da proteção cambial você ainda tem um pequeno rendimento até a data da viagem,” explica Parente. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de câmbio destinadas à disponibilização de recursos no exterior é de 3,5%, enquanto para operações destinadas a investimento, a alíquota é de 1,1%, conforme a finalidade.
Armadilhas e Recomendações Finais
Um erro comum, segundo os especialistas, é a falta de planejamento detalhado e a subestimação de pequenos gastos diários, como restaurantes, transporte por aplicativo, impostos locais, compras não planejadas e gorjetas.
“É o dinheiro miúdo que, somado, destrói o orçamento,” alerta Jeff Patzlaff.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a conta final em restaurantes pode ser significativamente maior do que o valor exibido no cardápio, devido a impostos e gorjetas. A recomendação é estabelecer um limite diário de gastos antes do embarque e reservar antecipadamente os principais itens, como passagens, hospedagem e atrações.
Cartões de crédito internacionais emitidos no Brasil são geralmente menos competitivos, combinando IOF de 3,5% com spreads mais elevados. No entanto, são úteis para cauções em hotéis, aluguel de veículos, compras que exigem cartão de crédito e emergências. A compra de moeda em espécie também pode ter desvantagens, como IOF e taxas de câmbio mais altas (dólar turismo), além do risco de perda ou roubo. O dinheiro em espécie é mais indicado para pequenas despesas, gorjetas ou estabelecimentos que não aceitam cartão, mas não deve constituir a maior parte do orçamento da viagem.
O que isso significa para a região
Para os moradores do Norte Pioneiro do Paraná, que muitas vezes dependem do agronegócio e do comércio local, o planejamento financeiro para viagens internacionais ganha uma camada extra de importância. A volatilidade do dólar afeta diretamente o poder de compra, e a antecipação na compra da moeda estrangeira pode proteger o orçamento familiar. A região, com sua economia em crescimento, vê um aumento no interesse por viagens, e a conscientização sobre as melhores práticas financeiras é fundamental para garantir que esses planos se concretizem sem sobressaltos. A atenção aos custos de passagens e a escolha inteligente dos métodos de pagamento no exterior são passos essenciais para qualquer família ou empresário da região que deseje explorar o mundo.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
