Tóquio, Japão – Uma nova pesquisa realizada pela plataforma japonesa de compra coletiva de energia solar e baterias, iChoosr, revelou que a economia na conta de eletricidade é o principal fator motivador para os consumidores japoneses que consideram a instalação de painéis solares ou baterias residenciais. Os resultados indicam que 48% dos entrevistados citaram a redução das despesas com energia como sua principal razão, em contraste com apenas 19% que apontaram a resiliência a desastres naturais como o motivo primordial.
O levantamento, conduzido em agosto, abrangeu 14.478 pessoas em 24 prefeituras que manifestaram interesse em instalar sistemas solares ou baterias por meio do programa “Minna no Ouchi ni Taiyoko” (Solar para a Casa de Todos) da iChoosr. Os dados foram coletados entre 25 de fevereiro e 23 de julho. A empresa destacou que as considerações financeiras são citadas com muito mais frequência do que a preparação para desastres entre os participantes.
Contexto da Pesquisa e Mudanças no Mercado Japonês
A divulgação desses resultados ocorre em um momento crucial para o mercado de energia solar no Japão. Os contratos originais de Tarifa de Alimentação (FIT, na sigla em inglês), que garantiam pagamentos fixos pela exportação de energia por 10 anos, estão expirando progressivamente. Essa transição também está remodelando o mercado solar de grande escala do Japão, à medida que os projetos legados de FIT se aproximam do fim e os proprietários reavaliam suas estratégias de receita.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) informou que, somente em novembro e dezembro de 2019, aproximadamente 530.000 instalações solares residenciais, representando cerca de 2 GW de capacidade, deixaram o esquema FIT. Uma vez que o contrato FIT de uma residência termina, a compensação pela exportação de energia geralmente cai bem abaixo do preço de varejo da eletricidade. Isso torna mais econômico para muitas famílias armazenar e consumir sua própria energia solar, em vez de vendê-la de volta à rede, mesmo com o contínuo crescimento da demanda solar residencial no Japão.
Outras Pesquisas Confirmam Tendência
Outros levantamentos recentes no Japão também corroboram a primazia das motivações relacionadas a custos sobre a resiliência entre compradores e potenciais compradores de baterias. Uma pesquisa publicada em março pela Goodfellows, operadora japonesa de marketplace de energia solar e baterias, revelou que 51,9% dos proprietários de sistemas solares existentes que consideravam adquirir uma bateria citaram a economia de eletricidade em 2025, um aumento significativo em relação aos 39,3% registrados em 2022. No mesmo período, a parcela que citou a energia de emergência permaneceu próxima de 30%.
Um levantamento separado de 2025, realizado pela ECODA, instaladora japonesa de sistemas solares e baterias residenciais, constatou que 76% dos entrevistados esperavam que os sistemas solares e de baterias reduzissem os custos de eletricidade, em comparação com 49,1% que esperavam que eles fornecessem energia durante desastres. É importante notar, contudo, que essas pesquisas utilizaram metodologias e amostras populacionais diferentes, o que significa que seus resultados não são diretamente comparáveis aos da iChoosr ou entre si.
Resiliência a Desastres: Um Fator Relevante, mas Secundário
As preocupações com a resiliência no Japão remontam, em parte, ao Tufão Faxai, que atingiu o leste do Japão em 9 de setembro de 2019. O METI relatou picos de interrupção de energia em aproximadamente 930.000 residências na área de serviço da Tepco, incluindo cerca de 637.100 na prefeitura de Chiba. A Tepco informou que algumas residências continuaram a depender de caminhões de energia e geradores por semanas após a tempestade, enquanto as equipes de reparo trabalhavam para remover os danos.
Uma pesquisa com 486 proprietários de sistemas solares residenciais afetados pela tempestade, conduzida pela Associação Japonesa de Energia Fotovoltaica (JPEA) e posteriormente citada pelo METI, revelou que 79,8% relataram ter usado a função de operação independente de seus sistemas para manter aparelhos essenciais, como geladeiras e iluminação, funcionando durante a interrupção. Isso demonstra a importância da energia solar como fonte de backup em situações de emergência, mesmo que não seja a principal motivação para a aquisição.
Modelo de Negócio e Futuro da Energia Solar no Japão
O programa da iChoosr agrupa a demanda de famílias participantes, permitindo que os instaladores concorram de forma mais competitiva pelo volume resultante. A empresa afirma que esse modelo reduz os custos em comparação com instalações individuais. A iChoosr reporta mais de 110.000 registros cumulativos de residências no Japão desde 2019 e afirma ter facilitado mais de 10.000 instalações, embora não tenha especificado a proporção de residências registradas que efetivamente instalaram um sistema.
As concessionárias japonesas também estão começando a utilizar baterias residenciais para o equilíbrio da rede, em vez de tratá-las puramente como um backup doméstico ou ferramenta de autoconsumo. A Kyushu Electric Power, por exemplo, executou um projeto de demonstração utilizando baterias domésticas da Sharp, coordenando remotamente o carregamento durante períodos de alta produção solar e o descarregamento durante períodos de menor oferta.
Analistas da indústria esperam que os mercados de armazenamento residencial, comercial e industrial do Japão continuem a se expandir, à medida que o país constrói um programa nacional de usinas virtuais (VPP). Isso adicionará uma nova fonte de receita e um caso de uso para despacho para residências que possuem baterias, indo além da economia impulsionada pelo FIT descrita na pesquisa da iChoosr.
O que isso significa para a região
A experiência japonesa de transição de um modelo de incentivo (FIT) para um mercado mais focado no autoconsumo e armazenamento de energia solar, impulsionado pela economia na conta de luz, oferece insights valiosos. A medida que os custos da tecnologia solar e de baterias continuam a diminuir, e as políticas energéticas evoluem, a atratividade econômica do autoconsumo tende a se fortalecer. Para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná, onde a busca por eficiência e redução de custos é constante, a energia solar se posiciona como uma solução cada vez mais viável e estratégica. A capacidade de gerar a própria energia e armazená-la para uso posterior não só diminui a dependência da rede e as flutuações tarifárias, mas também oferece maior autonomia e segurança energética para residências e empresas.
Leitura da LZ7 Energia
A experiência japonesa de transição de um modelo de incentivo (FIT) para um mercado mais focado no autoconsumo e armazenamento de energia solar, impulsionado pela economia na conta de luz, oferece insights valiosos. A medida que os custos da tecnologia solar e de baterias continuam a diminuir, e as políticas energéticas evoluem, a atratividade econômica do autoconsumo tende a se fortalecer. Para regiões como o Norte Pioneiro do Paraná, onde a busca por eficiência e redução de custos é constante, a energia solar se posiciona como uma solução cada vez mais viável e estratégica. A capacidade de gerar a própria energia e armazená-la para uso posterior não só diminui a dependência da rede e as flutuações tarifárias, mas também oferece maior autonomia e segurança energética para residências e empresas.
Fonte: PV Magazine — Solar global — matéria original publicada em pv-magazine.com. Imagens e vídeos: PV Magazine — Solar global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
