Após anos de consenso em torno de uma recuperação econômica pós-pandemia em formato de 'K', a discussão sobre a verdadeira configuração da economia global, com foco nos Estados Unidos, intensificou-se. O que antes era uma visão amplamente aceita, indicando uma recuperação desigual onde setores e grupos de alta renda prosperavam enquanto outros declinavam, agora cede espaço a novas interpretações, como as formas 'C' e 'E'. Este debate, que transcende os círculos acadêmicos e as salas de negociação de Wall Street, tem implicações significativas para a formulação de políticas e estratégias empresariais.

O Que Significa Cada Letra?

Desde a recuperação da pandemia, a economia tem sido amplamente caracterizada como tendo uma forma de 'K', descrevendo uma expansão desigual. Nesta analogia, os braços do 'K' apontam em direções opostas: um segmento da população e da economia prospera, enquanto outro enfrenta dificuldades. Essa divergência entre consumidores de baixa e alta renda tem sido uma preocupação central para políticos, formuladores de políticas monetárias e executivos de empresas de consumo.

No entanto, a utilização de letras para descrever a economia não é novidade. Modelos como 'V' (recuperação rápida), 'L' (estagnação prolongada) e 'W' (dupla recessão) já foram empregados em momentos históricos. O que é incomum, segundo Don Rissmiller, economista-chefe da empresa de pesquisa Baird Strategas, é a persistência dessas descrições anos após uma recessão. Ele sugere que a crescente preocupação com a desigualdade de riqueza pode estar impulsionando essa maior conscientização.

"Durante as recessões e recuperações, as letras são realmente populares", disse Rissmiller. "Usar uma letra no meio de um ciclo de negócios, eu acho que podemos dizer que é um pouco novo."

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Do 'K' para o 'C': Uma Nova Perspectiva?

Uma das principais vozes a questionar o modelo em 'K' é o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. No início deste mês, ele declarou que a economia em 'K' estava no passado, dando lugar a uma economia em 'C'. Para Bessent, ex-gestor de fundos de cobertura, o formato em 'C' indica que a classe de consumidores de menor renda está ganhando terreno. Ele citou o aumento salarial entre os trabalhadores de baixa renda e os cortes de impostos implementados este ano, como as políticas do Presidente Donald Trump de "sem imposto sobre gorjetas" e "sem imposto sobre horas extras", como fatores que impulsionam os mais desfavorecidos.

"Eu estava cansado de ouvir sobre essa economia em forma de K", disse Bessent, um dos principais assessores econômicos de Trump, à CNBC este mês. "Posso dizer aqui definitivamente, a economia em forma de K acabou."

Bessent não é o único a defender a visão em 'C'. Christopher Nassetta, CEO da Hilton Worldwide, afirmou a analistas no final do mês passado que sua empresa hoteleira está "definitivamente vendo" uma economia em 'C'. Ele explicou que a convergência entre as duas extremidades do espectro de classes não é impulsionada pela fraqueza nas rendas mais altas, mas sim pelo crescimento dos segmentos de classe média e média-alta da Hilton, que passaram de números negativos para taxas de crescimento de até 6%.

"A classe média está voltando ao jogo", disse Nassetta. "É realmente impossível negar."

No entanto, Anthony Chan, ex-economista-chefe do JPMorgan, argumenta que o conflito dos EUA com o Irã complica essa visão emergente. Ele observa que consumidores de baixa renda gastam uma parcela maior de sua renda em energia, tornando-os mais vulneráveis ao aumento dos preços da gasolina. Isso, segundo Chan, mitigaria quaisquer ganhos para os americanos de baixa renda decorrentes de esforços da Casa Branca para aumentar os reembolsos de impostos ou tornar as casas mais acessíveis.

"Sou o primeiro a dizer que podemos fazer algum progresso", disse Chan. "Mas nada do tipo de progresso que podemos dizer que podemos enterrar a economia em forma de K."

Watch CNBC's full interview with Treasury Secretary Scott Bessent
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Ainda um 'K' para Muitos

De fato, é difícil argumentar que a economia em 'K' desapareceu enquanto o sentimento do consumidor permanece fraco e o custo de vida se apresenta como uma questão central no ciclo eleitoral de meio de mandato, conforme apontou Chan. A pesquisa da Universidade de Michigan, divulgada na sexta-feira, revelou que o sentimento do consumidor caiu 11% em agosto em relação ao ano anterior, aproximando-se dos mínimos históricos registrados no início deste ano. Joanne Hsu, diretora da pesquisa, destacou que a confiança entre os entrevistados de baixa e média renda foi particularmente afetada neste mês.

Líderes de várias empresas de consumo ainda veem sinais de uma economia em 'K'. Shane Grant, chefe de operações da Colgate-Palmolive para as Américas, afirmou em uma conferência de consumo do Deutsche Bank em junho que "a dinâmica de uma economia em forma de K que vemos está viva e bem nos Estados Unidos". Bill Boltz, executivo de merchandising da Lowe's, mencionou na semana passada, durante a teleconferência de resultados da varejista de artigos para o lar, que a economia em 'K' é uma variável que "continua a moldar" as tendências de gastos dos consumidores. Nicholas Fink, CEO da Constellation Brands, fabricante da cerveja Modelo e do vinho Robert Mondavi, disse a analistas no mês passado que a economia parece "cada vez mais" um 'K'.

Contudo, alguns começam a perceber as primeiras rachaduras no modelo em 'K'. Um relatório da equipe do Federal Reserve Bank de Richmond, publicado no mês passado, indicou que, embora o crescimento da renda não tenha mostrado uma divergência em 'K' entre diferentes grupos de renda entre 2021 e 2023, o consumo refletiu uma clara separação. O Bank of America Institute sugeriu que isso pode estar mudando. Enquanto os que ganham mais estavam gastando mais com cartões de crédito, o instituto observou que a lacuna entre as classes de renda começou a diminuir em maio deste ano.

"O que antes era um consumidor em forma de 'K' está cada vez mais se tornando um de convergência", escreveu David Michael Tinsley, economista sênior do instituto, para seus clientes.

Pesquisadores do Federal Reserve de Nova York, por outro lado, afirmaram que suas últimas pesquisas sobre dívidas de cartão de crédito mostram que a economia em 'K' continua a dominar como tema econômico. O saldo combinado de cartões de crédito, de quase US$ 1,26 trilhão (equivalente a aproximadamente 1,17 trilhão de euros) no segundo trimestre, é uma evidência de que "há muitas famílias que vivem de salário em salário".

Is the K-shaped economy over? Here's what to know
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A Evolução para o 'E'

Outros se perguntam se a economia evoluiu para uma forma de 'E' após mais de meio década em 'K'. Nesta visão, três classes distintas de americanos não estão se afastando nem convergindo. Em outras palavras, "Cada grupo encontrou uma maneira de viver", disse Rissmiller, da Baird Strategas. Ele acrescentou que "Pode não ser o melhor resultado, mas é um resultado que parece mais estável do que não."

Michael Eisenband, presidente global de finanças corporativas da FTI Consulting, afirmou recentemente em uma nota a clientes que a avaliação em 'E' "ilustra melhor" os padrões de gastos claramente divergentes entre diferentes grupos de renda. Ele considera que o 'E' pode servir como uma "representação mais adequada dos tempos".

Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union (uma cooperativa de crédito militar dos EUA), sugeriu que uma descrição em 'E' da economia pode ser mais precisa do que em 'K', pois captura melhor uma classe média que está apenas se mantendo. Ela argumenta que a visão de que os que ganham pouco e muito estão de alguma forma convergindo exige "alguns malabarismos mentais reais".

Geoff Ballotti, CEO da Wyndham Hotels & Resorts, disse a analistas em uma teleconferência de resultados no início deste ano que, embora seu consumidor de nível médio esteja "se sentindo melhor" e "recuperando a confiança no poder de compra", isso pode refletir uma economia em 'C' ou em 'E'. Para outros executivos, uma economia em 'E', com três grupos de renda em trilhas paralelas, mas desiguais, continua sendo um conceito estranho – por enquanto. Scott Thompson, CEO da Somnigroup International, admitiu não estar a par quando questionado sobre uma análise em 'E' na teleconferência de resultados da fabricante de colchões Tempur-Pedic este mês.

"Essa é nova para mim", disse Thompson. "Eu estava pronto para o K; não tinha pensado no E."

O Que Isso Significa para a Região

Para a região do Norte Pioneiro do Paraná, a discussão sobre o formato da economia global, embora centrada nos EUA, reflete tendências mais amplas que podem influenciar o cenário local. A persistência de uma economia em 'K' ou a transição para um modelo em 'C' ou 'E' afeta diretamente o poder de compra dos consumidores, a demanda por produtos e serviços e a capacidade de investimento das empresas. Se a classe média global, e por extensão a brasileira, estiver de fato "voltando ao jogo" como sugerido pelo modelo em 'C', isso poderia significar um aumento no consumo e uma maior estabilidade econômica. Por outro lado, a continuidade de uma economia em 'K' ou em 'E' com segmentos desiguais poderia aprofundar as disparidades socioeconômicas, impactando o acesso a bens essenciais e a capacidade de investimento em novas tecnologias, como a energia solar.

A percepção da saúde econômica influencia diretamente a confiança do consumidor e do empresariado. Em um cenário de incerteza, investimentos de longo prazo, como a adoção de sistemas de energia solar, podem ser adiados. No entanto, se a economia se mostrar mais resiliente e inclusiva (como no modelo 'C'), a capacidade de investimento e a busca por soluções que gerem economia a longo prazo, como a energia solar, podem aumentar. A compreensão dessas dinâmicas é crucial para que empresas e formuladores de políticas locais possam se adaptar e planejar o futuro de forma eficaz.

Leitura da LZ7 Energia

A discussão sobre o formato da economia — seja em 'K', 'C' ou 'E' — tem implicações diretas para o setor de energia, incluindo a energia solar. Em um cenário de economia em 'K', onde a desigualdade de renda se aprofunda, a capacidade de investimento em tecnologias como a energia solar fotovoltaica pode se concentrar nas camadas mais ricas da população. Isso pode limitar a democratização do acesso à energia limpa e os benefícios de economia na conta de luz para um público mais amplo. Por outro lado, se a economia evoluir para um formato em 'C', com a classe média e de baixa renda ganhando poder de compra, há um potencial maior para que mais famílias e empresas possam investir em sistemas de energia solar. A economia gerada pela autogeração de energia, que reduz significativamente a dependência das tarifas flutuantes das concessionárias, torna-se ainda mais atrativa em qualquer cenário. No entanto, a capacidade de realizar o investimento inicial ou acessar linhas de crédito para tal depende diretamente da saúde financeira e do poder aquisitivo dos consumidores. A LZ7 Energia, atuando no Norte Pioneiro do Paraná, observa atentamente essas tendências, pois elas moldam o mercado e a demanda por soluções energéticas sustentáveis, buscando sempre oferecer opções acessíveis que permitam a economia na conta de luz para todos os perfis de consumidores, independentemente do formato da economia.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.