A moeda brasileira, o real, que vinha se destacando positivamente ao longo de 2026, começou a apresentar sinais de desvalorização nas últimas semanas, um movimento que o mercado financeiro internacional associa diretamente à proximidade das eleições presidenciais de outubro. Apesar de fatores como o elevado diferencial de juros no Brasil, a queda do dólar global e a recuperação dos preços do petróleo, o real tem performado abaixo de outras moedas de economias emergentes, indicando que o risco político-eleitoral já começa a ser precificado nos ativos do país.
Mercado Reage ao Cenário Eleitoral
Essa mudança de cenário levou grandes instituições financeiras a reavaliarem suas estratégias de investimento no Brasil. O Citi, por exemplo, realizou uma alteração significativa em sua carteira de carry trade para mercados emergentes. O banco decidiu encerrar sua posição comprada em real, substituindo-a pelo rand sul-africano. A justificativa explícita para essa decisão foi o aumento do risco associado à eleição presidencial de outubro.
A equipe do Citi, liderada por Dirk Willer, aponta que, embora os mercados de previsão atribuam cerca de 67% de probabilidade de vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 27% para Flávio Bolsonaro, os investidores devem exigir um prêmio adicional para manter exposição ao Brasil conforme o primeiro turno se aproxima.
“O mercado tende a reduzir exposição na proximidade das eleições, mesmo quando o resultado parece relativamente previsível”, avaliam os estrategistas do Citi.
Essa leitura se baseia em experiências recentes de outros países emergentes, como Colômbia e Hungria, onde os ativos financeiros passaram por um processo de precificação de risco antes das eleições, mesmo em cenários com favoritos claros.
Dólar em Ascensão e Descolamento do Real
A percepção de risco se materializou na última sexta-feira, 14 de agosto, quando o dólar encerrou a quinta sessão consecutiva de alta, fechando a R$ 5,2213, o maior nível registrado desde março. Na semana anterior, a divisa acumulou uma valorização de 2,7%. José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos, destaca que o comportamento relativo da moeda é um dos sinais mais importantes desse movimento.
“O real não tem respondido positivamente à alta do petróleo nem à queda do DXY (cesta com as principais moedas). Está negociando na direção oposta das principais moedas emergentes”, afirma José Faria Júnior.
Esse descolamento é notável porque o Brasil ainda oferece uma das maiores taxas reais de juros do mundo, uma condição que historicamente atrai fluxos para operações de carry trade. No entanto, na avaliação do Citi, justamente por causa desse diferencial elevado de juros, uma posição comprada em dólar contra o real tornou-se cara. Por isso, a redução da exposição ao Brasil até que haja maior clareza sobre o cenário eleitoral pode ser a melhor alternativa para muitos investidores.

Prêmio Eleitoral e Projeções Revisadas
O Goldman Sachs também observa uma mudança significativa na dinâmica da moeda. Em um relatório recente, o banco indicou que o real entrou em uma fase de maior volatilidade, e que seu desempenho futuro dependerá menos dos dados econômicos atuais e mais das expectativas para a política fiscal pós-eleição. A valorização observada no primeiro semestre de 2026, segundo o Goldman, foi sustentada principalmente por fundamentos econômicos e pelo diferencial de juros. Contudo, com a aproximação do pleito, o mercado passou a atribuir maior peso à incerteza política.
O Goldman Sachs avalia que a preocupação dos investidores não se limita a quem vencerá a eleição, mas se estende, principalmente, ao compromisso do próximo governo com a consolidação fiscal. Diante disso, a instituição revisou suas projeções para o câmbio, estimando o dólar a R$ 5,20 em três meses e R$ 5,10 em seis meses. As projeções anteriores eram de R$ 4,90 e R$ 5,00, respectivamente.
Ainda assim, o Goldman ressalta que a volatilidade implícita permanece abaixo dos níveis observados em ciclos eleitorais anteriores, sugerindo que o mercado ainda não precificou um cenário de forte estresse.

Outras Instituições e o Foco na Política Fiscal
Outros grandes bancos também compartilham a visão de cautela. O Itaú BBA projeta o dólar a R$ 5,30 ao final de 2026, citando um ambiente mais desafiador para a moeda brasileira. Dois fatores devem ganhar peso nos próximos meses, segundo o Itaú: a expectativa de aperto monetário adicional nos Estados Unidos e a manutenção de prêmios de risco elevados no mercado doméstico.
O Morgan Stanley, por sua vez, apontou que o real já não é tão atraente para posições compradas direcionais como foi nos meses anteriores. Na avaliação da instituição, o cenário de curto prazo se tornou mais equilibrado à medida que os fluxos para o Brasil perderam intensidade, parte das posições favoráveis ao real começou a ser desmontada e os ruídos eleitorais surgiram antes do esperado.
A discussão do mercado, que durante boa parte de 2026 girava em torno de inflação, Selic, balanços corporativos e fluxo estrangeiro, agora se desloca. Com menos de dois meses para o primeiro turno, a narrativa migra para pesquisas eleitorais, probabilidades de vitória e, crucialmente, o desenho da política fiscal a partir de 2027.
O que isso significa para a região
Para os estrategistas do Citi, essa mudança no foco do mercado tende a provocar uma redução tática de posições em ativos brasileiros nas próximas semanas. Já o Goldman Sachs considera que a moeda pode até apresentar movimentos pontuais de recuperação, mas dificilmente sustentará uma apreciação mais forte enquanto persistirem dúvidas sobre os rumos fiscais do próximo governo. Para a região do Norte Pioneiro do Paraná, a desvalorização do real pode impactar o custo de produtos importados e insumos para a agricultura e indústria, além de influenciar a percepção de estabilidade econômica, que é fundamental para o planejamento de investimentos locais e a atração de novos negócios.
Leitura da LZ7 Energia
A instabilidade cambial e a percepção de risco fiscal no cenário nacional podem ter reflexos diretos na economia do Norte Pioneiro do Paraná. Para empresas e consumidores, a desvalorização do real frente ao dólar pode encarecer equipamentos e tecnologias importadas, incluindo componentes de sistemas de energia solar. Em um contexto de incertezas, a busca por soluções que ofereçam previsibilidade e economia a longo prazo, como a energia solar, tende a se intensificar. A capacidade de gerar a própria energia, com custos fixos e protegidos das flutuações de moeda e inflação, torna-se um diferencial ainda maior para a saúde financeira de residências e negócios na região, mitigando parte dos impactos de um cenário econômico volátil.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
