Uma devastadora enchente repentina atingiu a fronteira entre Nepal e Tibete na manhã de quarta-feira, resultando no desaparecimento de mais de 400 viajantes. Entre os desaparecidos, 33 são cidadãos britânicos, incluindo uma menina de 13 anos, conforme informações divulgadas pelo conselho de turismo do Nepal. O incidente, que ocorreu por volta das 8h30 (horário local) no lado tibetano do rio Bhote Koshi, provocou um cenário de destruição generalizada, com casas, estradas e infraestruturas de energia severamente danificadas.

O Evento e os Primeiros Relatos

A enchente repentina foi desencadeada pelo que parece ter sido o colapso de uma parede de lama e rocha no rio, na fronteira himalaia entre Nepal e Tibete. Relatos iniciais, conforme o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, informou ao parlamento do país, sugeriam que um terremoto poderia ter provocado uma avalanche e, consequentemente, as inundações. Vídeos verificados mostram dezenas de pessoas sendo arrastadas pela correnteza na fronteira, evidenciando a força e a rapidez do desastre.

As autoridades nepalesas e tibetanas rapidamente iniciaram operações de busca e resgate. Até o momento, a polícia do Nepal informou a recuperação de 157 corpos, e mais de 40 pessoas feridas estão recebendo tratamento em hospitais. No Tibete, autoridades expressaram receio de “grandes baixas”, com algumas pessoas desaparecidas no condado de Gyirong após um deslizamento de terra que atingiu um ponto de passagem terrestre na fronteira.

Damaged properties after a flash flood at Trishuli, Nepal.
Damaged properties after a flash flood at Trishuli, Nepal.

Cidadãos Desaparecidos e Nacionalidades

O conselho de turismo do Nepal confirmou que, entre os mais de 400 viajantes desaparecidos, 33 são cidadãos do Reino Unido. A idade dos britânicos desaparecidos varia de 13 a 65 anos, de acordo com registros de viagem compartilhados com a Press Association (PA). Além disso, o conselho informou que mais de 100 das pessoas desaparecidas ainda não tiveram suas nacionalidades confirmadas.

A empresa Alpine Eco Trek, que organiza passeios e expedições guiadas no Nepal, declarou que 12 cidadãos britânicos de seu grupo de viagem pela fronteira estão desaparecidos. Ram Kumar Adhikari, proprietário da Alpine Eco Trek, falou à Press Association da área afetada:

Não há muita informação para compartilhar no momento, mas sim, temos 12 cidadãos britânicos que deveriam fazer a entrada esta manhã.

A tragédia também afetou trabalhadores de outras nacionalidades. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul confirmou que oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica estão desaparecidos, e outros 10 estão ilhados na região.

A vehicle covered in mud
A vehicle covered in mud

Infraestrutura e Alertas Locais

A enchente causou danos severos à infraestrutura local. Edifícios, estradas e, notavelmente, a infraestrutura de energia no Nepal foram destruídos. A dimensão dos estragos ainda está sendo avaliada, mas a recuperação das áreas afetadas será um desafio significativo.

As autoridades locais emitiram alertas urgentes para turistas e moradores. Pessoas nos distritos de Rasuwa, no Nepal, e em outras áreas ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli foram aconselhadas a “exercer extrema cautela”, permanecer em áreas seguras e se deslocar para terrenos mais elevados, se necessário. Os visitantes foram orientados a manter contato regular com seus hotéis e agências de viagens. Aqueles que planejavam viajar para as áreas afetadas nos próximos dias foram advertidos a adiar suas jornadas.

Mudslide submerges China-Nepal crossing point – video
Mudslide submerges China-Nepal crossing point – video

Reações Internacionais e Apoio

A notícia da enchente e dos desaparecimentos gerou preocupação internacional. Ed Miliband, Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, expressou sua consternação:

Estou profundamente preocupado ao saber das enchentes repentinas na fronteira Nepal-China. Meus pensamentos estão com todos os afetados e com os cidadãos britânicos na área e seus parentes em casa.

A embaixada britânica em Katmandu instou as pessoas nas áreas afetadas a seguir as orientações locais. Uma declaração conjunta das embaixadas da Austrália, União Europeia, Finlândia, França, Noruega e Suíça também foi emitida, manifestando solidariedade e aconselhando cautela:

Estamos profundamente entristecidos pelas inundações devastadoras nos distritos de Rasuwa e Nuwakot e arredores. Nossos pensamentos estão com todos os afetados por este desastre. Expressamos nossa solidariedade com o povo do Nepal durante este momento difícil. Encorajamos todos nas áreas afetadas a seguir as orientações das autoridades locais e os avisos oficiais de segurança à medida que a situação continua a evoluir.
People look at information on their phones; one woman appears to be praying.
People look at information on their phones; one woman appears to be praying.

O que isso significa para a região

A enchente repentina na fronteira Nepal-Tibete representa uma tragédia humana e um desastre ambiental e econômico de grande escala para a região. A perda de vidas, o número elevado de desaparecidos e os feridos são a prioridade imediata para as equipes de resgate e autoridades. A destruição de infraestruturas, incluindo estradas e edifícios, impactará diretamente a economia local, que depende significativamente do turismo e do comércio transfronteiriço.

A recuperação será um processo longo e complexo, exigindo esforços coordenados de governos e organizações internacionais. A vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos, como inundações e deslizamentos de terra, é um lembrete constante dos desafios impostos pelas condições geográficas e climáticas do Himalaia. A situação atual ressalta a importância de sistemas de alerta precoce e de infraestruturas resilientes para mitigar os impactos de futuros desastres.

Leitura da LZ7 Energia

A destruição da infraestrutura de energia no Nepal, mencionada no relatório, destaca a vulnerabilidade dos sistemas energéticos em face de desastres naturais. Em regiões como o Norte Pioneiro do Paraná, onde a LZ7 Energia atua, a resiliência da infraestrutura é crucial. A dependência de fontes centralizadas de energia pode ser um risco em cenários de catástrofes. A energia solar distribuída, por exemplo, oferece uma alternativa mais robusta, pois sistemas menores e independentes podem continuar operando mesmo que a rede principal seja comprometida. Isso não apenas garante o fornecimento de energia em momentos críticos, mas também contribui para a autonomia energética de comunidades, reduzindo a dependência de grandes estruturas que são mais suscetíveis a danos generalizados.

Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.