O que aconteceu

A Engie Brasil Energia manifestou interesse em investimentos estratégicos no setor elétrico brasileiro. A empresa está avaliando a conversão de algumas de suas usinas hidrelétricas (UHEs) em usinas reversíveis, um tipo de tecnologia que permite bombear água de volta para o reservatório superior, armazenando energia para uso futuro. Paralelamente, a Engie busca oportunidades de fusões e aquisições (M&A) em ativos hidrelétricos e eólicos.

Durante um evento com jornalistas, executivos da companhia também defenderam que os custos de futuros leilões de baterias, essenciais para o armazenamento de energia, sejam rateados entre geradores e consumidores. A proposta visa evitar que a totalidade dos encargos recaia sobre um único grupo de agentes.

O que muda

A potencial conversão de UHEs em reversíveis representa um avanço na capacidade de armazenamento de energia do Brasil, crucial para a estabilidade do sistema elétrico, especialmente com o aumento da geração intermitente (como solar e eólica). No entanto, a Engie condiciona esses investimentos à renovação das concessões das usinas existentes.

Segundo Guilherme Ferrari, diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da Engie, a empresa só executará projetos caros como a conversão de UHEs se houver garantia de extensão da concessão. Atualmente, a Engie discute a renovação das concessões das UHEs Salto Santiago (contrato até 2030) e Salto Osório (até 2031), mas o governo ainda não definiu se haverá renovação ou relicitação desses ativos.

Quem é afetado

Para quem paga conta de luz: O desenvolvimento de usinas reversíveis e a expansão do armazenamento de energia podem contribuir para a estabilidade do fornecimento e, a longo prazo, para a otimização dos custos da energia, ao reduzir a necessidade de acionamento de térmicas mais caras. A forma como os custos dos leilões de baterias serão rateados terá impacto direto na tarifa.

Para empresas: Empresas geradoras de energia, especialmente as que possuem hidrelétricas, serão diretamente afetadas pelas decisões regulatórias sobre a renovação de concessões. A expansão da capacidade de armazenamento pode criar novas oportunidades de negócio e otimização da gestão de energia.

Para produtores rurais: A estabilidade e a segurança do fornecimento de energia, impulsionadas por tecnologias de armazenamento, são benéficas para o agronegócio, que depende de energia confiável para suas operações.

Por que isso importa

A movimentação da Engie reflete a crescente importância do armazenamento de energia e da flexibilidade na matriz elétrica brasileira. Com o aumento da participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, a capacidade de armazenar energia e despachá-la quando necessário torna-se fundamental para a segurança e a qualidade do suprimento. A busca por M&A em hidrelétricas e eólicas, em meio ao avanço do curtailment (redução da geração por excesso de oferta ou restrições de transmissão), indica uma estratégia de consolidação e otimização de portfólio para enfrentar os desafios do mercado.

Visão LZ7

A LZ7 Energia entende que a visão da Engie ressalta a urgência em se discutir e definir políticas claras para o armazenamento de energia no Brasil. A conversão de hidrelétricas em reversíveis, embora demande altos investimentos e segurança regulatória, representa um caminho promissor para aprimorar a resiliência do sistema elétrico. Além disso, o debate sobre o rateio dos custos dos leilões de baterias é crucial para garantir uma alocação justa e eficiente dos encargos, sem onerar excessivamente um único elo da cadeia ou o consumidor final. A segurança jurídica para investimentos de longo prazo, como a renovação de concessões, é um pilar fundamental para atrair o capital necessário para a transição energética.

O que acompanhar agora

É fundamental acompanhar as discussões do governo sobre a renovação ou relicitação das concessões de UHEs, pois essa definição será determinante para a viabilidade dos investimentos em hidrelétricas reversíveis. Além disso, as propostas regulatórias sobre o modelo de contratação e o rateio dos custos dos leilões de baterias serão cruciais para o desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia no Brasil.