O embaixador dos Estados Unidos, Tom Barrack, reafirmou a posição de Washington de que as Colinas de Golã pertencem a Israel, após ter declarado na semana passada que o território é ocupado "contra toda a ordem internacional". A retratação, feita no domingo (23 de agosto de 2026), sublinha a política do ex-presidente Donald Trump de reconhecer a soberania reivindicada por Israel sobre a faixa de terra localizada no sul da Síria.
Retratação e Contexto da Declaração
Barrack, que atua como embaixador dos EUA na Turquia e enviado para a Síria, recuou de seu comentário anterior em resposta a críticas. A declaração original foi feita durante uma entrevista com o podcaster Mario Nawfal na sexta-feira, onde Barrack parecia reconhecer as Colinas de Golã como terra síria ocupada.
"A política dos Estados Unidos sobre o Golã foi definida pelo presidente Trump em 2019 e permanece inalterada", afirmou Barrack à agência de notícias The Associated Press em um comunicado.
Israel ocupou as Colinas de Golã durante a Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexou o território em 1981. Até o apoio de Trump à reivindicação israelense sobre o território sírio, nenhum país havia reconhecido Golã como parte de Israel. O reconhecimento por parte dos EUA gerou uma forte reação internacional.
Reações e Críticas à Fala Original
Defensores pró-Israel rapidamente criticaram o comentário inicial de Barrack. A comentarista de extrema-direita Laura Loomer pediu a renúncia do enviado.
"Ele deveria renunciar por sua falta de compreensão da política externa dos EUA", escreveu Loomer em uma publicação em rede social, compartilhando a proclamação de Trump de 2019 que afirma que o Golã pertence a Israel.

O senador republicano Rick Scott também criticou o embaixador, afirmando que Barrack foi confirmado pelo Senado para implementar a agenda de Trump.
"Parece que o embaixador esqueceu isso ou falhou em fazer sua pesquisa, então aqui está uma atualização para ele", escreveu Scott em uma publicação em rede social que incluía a ordem executiva de Trump sobre as Colinas de Golã. "O presidente Trump foi CLARO sobre a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã por anos!"
Barrack também havia sido criticado por se opor a ataques aéreos israelenses a uma base aérea síria na semana anterior. Na entrevista com Nawfal, Barrack sugeriu que os ataques israelenses na Síria tinham como objetivo antagonizar a Turquia, que é aliada do governo sírio.
"Uma teoria é que eles estavam apenas provocando a Turquia, e é um conceito muito agressivo, mas talvez bem recebido antes da eleição", disse Barrack, referindo-se às eleições de meio de mandato dos EUA em novembro.
Implicações Internacionais e Precedentes
Especialistas jurídicos alertaram que o reconhecimento da soberania israelense sobre as Colinas de Golã poderia subverter um princípio central da ordem global pós-Segunda Guerra Mundial: a proibição de adquirir terras pela força. O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, promoveu a chamada ordem baseada em regras no início de seu mandato, mas não conseguiu reverter a política de Trump sobre o Golã durante seus quatro anos de governo.
Recentemente, o governo de direita da Colômbia juntou-se aos EUA no apoio à reivindicação de Israel sobre as Colinas de Golã, indicando uma possível mudança de postura de outros países em relação ao tema.

Posicionamento e Perspectivas Futuras
A retratação de Tom Barrack reforça a continuidade da política externa dos EUA em relação às Colinas de Golã, mantendo o reconhecimento da soberania israelense sobre o território. Este posicionamento, estabelecido inicialmente pelo governo Trump, tem gerado debates e controvérsias no cenário internacional, especialmente entre aqueles que defendem a aplicação das resoluções da ONU e o princípio da não-aquisição de território pela força.
A questão das Colinas de Golã permanece um ponto sensível nas relações internacionais, com implicações para a estabilidade regional no Oriente Médio e para a interpretação do direito internacional. A posição dos EUA, embora reafirmada, continua a ser um tema de discussão entre diferentes atores globais e pode influenciar futuras dinâmicas geopolíticas.
Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
