WASHINGTON — Os Estados Unidos e a China alcançaram acordos preliminares que abrangem um subconjunto de bens não sensíveis, permitindo que esses produtos sejam comercializados sob termos mais favoráveis. A informação foi divulgada na última sexta-feira (25 de setembro de 2026) pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, em entrevista à CNBC. Os detalhes completos desses acordos, incluindo os produtos específicos cobertos, possíveis alterações nas tarifas e a data de entrada em vigor, serão tornados públicos na próxima segunda-feira.
Avanço nas Negociações Comerciais
Jamieson Greer, em sua declaração, enfatizou que o objetivo desses acordos é criar áreas de comércio que possam permanecer isoladas de futuras medidas tarifárias ou disputas comerciais mais amplas. As negociações, conduzidas por meio do recém-estabelecido 'Conselho de Comércio' EUA-China, focam em questões puramente comerciais, excluindo restrições de segurança nacional sobre tecnologia avançada.
"Nós realmente chegamos a um acordo com os chineses sobre várias dessas coisas", afirmou Greer na sexta-feira, referindo-se a bens como produtos agrícolas e dispositivos médicos dos EUA, e bens de consumo chineses considerados não sensíveis.
A administração do então presidente Donald Trump planeja divulgar "muito mais detalhes" na segunda-feira sobre o progresso das negociações das últimas semanas. A ideia é que alguns bens sejam comercializados em "base mais preferencial" e, potencialmente, fiquem de fora caso qualquer um dos países imponha novas tarifas.

Conselho de Comércio e Trégua Ampliada
O 'Conselho de Comércio' EUA-China foi estabelecido em maio, após um encontro em Pequim entre o então presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, com o objetivo de gerenciar o comércio de produtos não sensíveis entre as duas potências. Empresas e setores de mercado aguardavam ansiosamente por mais informações sobre quais categorias de comércio seriam beneficiadas por tarifas mais baixas sob essa nova estrutura.
A notícia dos acordos surge em um contexto de extensão da trégua comercial mais ampla entre Washington e Pequim por mais dois meses. Esse período adicional visa conceder mais tempo para que ambos os lados negociem sobre disputas econômicas de longa data. Greer descreveu esses dois meses como "períodos de conformidade", durante os quais os EUA avaliarão se a China está cumprindo seus compromissos anteriores, incluindo a compra de soja e outros produtos agrícolas americanos, bem como o acesso a terras raras essenciais para fabricantes dos EUA.
"Sempre que temos esses períodos de conformidade que se renovam, é um momento para avaliarmos, reavaliarmos e determinarmos se devemos ou não continuar este período de relativa paz na frente econômica com os chineses", declarou Greer.
Impactos nas Cadeias de Suprimentos e Balança Comercial
As tarifas impostas anteriormente alteraram significativamente os fluxos comerciais dos EUA. Greer destacou que o déficit comercial de bens dos EUA com a China caiu quase 40%, embora tenha reconhecido que parte do comércio foi desviada para outros países à medida que as empresas ajustam suas cadeias de suprimentos. O México, por exemplo, tem sido um beneficiário dessa mudança, com as importações dos EUA do país atingindo um recorde de US$ 60,6 bilhões (aproximadamente 60,6 bilhões de dólares americanos) em julho, segundo o Departamento do Censo dos EUA. O déficit de bens dos EUA com o México, ajustado sazonalmente, aumentou em US$ 7,2 bilhões (aproximadamente 7,2 bilhões de dólares americanos) naquele mês, chegando a US$ 27,5 bilhões (aproximadamente 27,5 bilhões de dólares americanos).

"Quando você impõe tarifas... você vê os agentes de mercado começando a fazer o que os agentes de mercado fazem, que é responder a novos termos de comércio, responder a novos incentivos no mercado", explicou Greer. "Estamos realmente vendo muito retornar para a América do Norte."
Diálogo sobre Inteligência Artificial
Os comentários de Greer também complementam os detalhes divulgados pelo lado dos EUA após o encontro entre Trump e Xi na Casa Branca na quinta-feira. Pequim, até o momento, divulgou um relato público mais detalhado das conversas do que Washington. Segundo a mídia estatal chinesa, Xi Jinping disse a Trump na quinta-feira que a inteligência artificial (IA) apresenta maiores oportunidades de cooperação do que de competição entre os EUA e a China.
"Os dois lados podem continuar o diálogo sobre IA, trocar pontos de vista sobre riscos e benefícios e, juntos, proteger-se contra o uso indevido ou malicioso da IA", afirmou Xi, de acordo com uma tradução da CNBC do comunicado.
Em uma postagem no Truth Social na manhã de sexta-feira, Trump descreveu o encontro com Xi como "muito produtivo" e disse que o líder chinês pareceu receptivo ao seu termo preferido de "SUPER INTELIGÊNCIA" para inteligência artificial. "Coisas tremendas acontecerão", escreveu Trump.
O que isso significa para a região
Embora as negociações comerciais entre EUA e China pareçam distantes do Norte Pioneiro do Paraná, seus desdobramentos têm um impacto indireto na economia global e, consequentemente, na local. A estabilização das relações comerciais entre as duas maiores economias pode reduzir a volatilidade nos mercados internacionais de commodities, como a soja, que é um pilar da agricultura paranaense. A compra de produtos agrícolas dos EUA pela China, por exemplo, influencia a demanda e os preços globais, afetando os produtores locais. Além disso, a realocação de cadeias de suprimentos globais, como o aumento das importações dos EUA do México, mostra como as políticas comerciais podem remodelar a produção e o consumo em escala mundial, gerando um efeito dominó que pode chegar até o consumidor final e as indústrias da nossa região.
Leitura da LZ7 Energia
A busca por acordos comerciais que estabilizem os fluxos de bens não sensíveis entre grandes potências como EUA e China reflete uma preocupação global com a previsibilidade econômica. Para o setor de energia, especialmente a solar, a estabilidade comercial e a redução de tarifas podem ter um impacto significativo. Componentes essenciais para sistemas fotovoltaicos, como painéis e inversores, são frequentemente importados de países como a China. A facilitação do comércio e a diminuição de barreiras tarifárias podem levar a uma redução nos custos de importação, tornando a energia solar mais acessível e impulsionando sua adoção no Brasil e, consequentemente, no Norte Pioneiro do Paraná. Em um cenário de preços de energia mais estáveis e custos de instalação reduzidos, a transição para fontes renováveis se torna ainda mais atrativa para consumidores e empresas, contribuindo para a economia local e a sustentabilidade.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
