A crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos está colocando em evidência uma significativa dependência de equipamentos de energia fabricados na China. Enquanto empresas americanas lideram na produção de chips avançados para IA, a influência chinesa nos componentes que alimentam os data centers se tornou um ponto de preocupação estratégica para Washington, levantando a possibilidade de custos mais altos e escassez na cadeia de suprimentos.
Dependência Chinesa na Infraestrutura de IA Americana
Empresas chinesas fornecem uma parcela substancial de equipamentos essenciais utilizados nos data centers americanos, incluindo transformadores, painéis de distribuição, baterias e tecnologia óptica. Essa dependência vem sendo examinada de perto à medida que a infraestrutura de IA se torna cada vez mais vital para a economia e a segurança nacional dos EUA.
Analistas apontam que, embora os EUA e fornecedores ocidentais possam ter dificuldades para substituir rapidamente a capacidade de fabricação chinesa, essa situação pode resultar em aumento de custos ou agravamento da escassez na cadeia de suprimentos. A atenção se voltou para a 'pilha de energia' dos data centers, um conjunto de componentes críticos para garantir o funcionamento contínuo e com tempo de inatividade mínimo das instalações.
"A fiscalização sobre a presença da China na pilha de energia dos data centers dos EUA aumentou apenas nos últimos oito meses, o que é uma mudança do foco anterior que se concentrava apenas na pilha de computação", afirmou Laveena Iyer, analista sênior do The Economist Group, à CNBC.
Entre os componentes mais críticos, destacam-se os transformadores, que convertem a eletricidade de alta voltagem da rede para os níveis mais baixos exigidos pelos servidores e sistemas de resfriamento. Os painéis de distribuição, que integram chaves, fusíveis e disjuntores, e as baterias para energia de backup também são cruciais.
"Existem algumas áreas-chave em que a construção da infraestrutura de IA está cada vez mais dependente de importações chinesas", explicou Ben Boucher, analista sênior de cadeia de suprimentos da Wood Mackenzie, à CNBC. "Os mais notáveis incluem transformadores de subestação, que os hiperescaladores geralmente têm no local para reduzir a tensão de transmissão."
Yury Dvorkin, professor associado da Universidade Johns Hopkins, complementa:
"A exposição a médio prazo concentra-se em conectores de rede: transformadores, painéis de distribuição e baterias. A participação da China em certas categorias de transformadores e painéis de distribuição beira os 30%, e o país responde por mais de 40% das importações de baterias dos EUA. Nossa análise mostra que também há uma exposição mais profunda a montante: cobre, aço elétrico e materiais de cátodo de bateria."
A tecnologia óptica, que utiliza cabos de fibra óptica para transmitir grandes volumes de dados em vez de sinais elétricos por fios de cobre, é outra área onde a China detém uma posição dominante. Empresas como Zhongji Innolight e Eoptolink lideram a receita global de transceptores ópticos para data centers, com as empresas chinesas respondendo coletivamente por cerca de dois terços do fornecimento global de unidades, segundo a empresa de pesquisa Counterpoint.

Medidas de Washington e Crescimento da Demanda
Washington tem intensificado os esforços para reduzir sua dependência de fornecedores chineses, especialmente à medida que a infraestrutura de IA se expande rapidamente. Recentemente, o Presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional em torno da "extraordinária ameaça estrangeira" aos EUA envolvendo equipamentos de sistema de energia de grande porte produzidos no exterior. A ordem autoriza o Departamento de Energia a proibir ou impor condições a certas transações envolvendo componentes usados na rede elétrica e em data centers.
"Desde o meu primeiro mandato, a ameaça aos Estados Unidos em relação ao fornecimento estrangeiro de equipamentos elétricos de sistema de energia de grande porte tornou-se ainda mais aguda", disse Trump em um comunicado ligado à ordem executiva publicada na semana passada. "O rápido crescimento da manufatura avançada, data centers, inteligência artificial e produção de defesa aumentou a dependência da Nação por eletricidade abundante e confiável e magnificou as consequências de um ataque bem-sucedido ou interrupção do fornecimento no sistema de energia de grande porte."
A capacidade dos data centers dos EUA deve crescer de 62 GW em março de 2026 para 152 GW até 2030, impulsionada pelas cargas de trabalho de IA de alta densidade, conforme projeção da S&P Global em junho.

Investimentos e Restrições Potenciais
Em resposta a essa situação, algumas empresas já anunciaram investimentos significativos. A Hitachi Energy, por exemplo, informou em setembro de 2025 que investiria US$ 1 bilhão para expandir a produção de infraestrutura crítica de rede nos EUA, incluindo US$ 457 milhões para uma nova fábrica de transformadores de grande porte. A Siemens Energy também declarou em fevereiro que investiria US$ 1 bilhão na produção dos EUA para equipamentos de rede e turbinas a gás destinados à infraestrutura de IA e expansão de data centers.
Além disso, inversores de energia produzidos em países estrangeiros, que ajudam a conectar fontes de energia para instalações de IA, foram adicionados à Lista Coberta da Comissão Federal de Comunicações (FCC) em julho. Essa lista inclui equipamentos e serviços que o governo dos EUA determinou que representam um risco inaceitável para a segurança nacional.
Há relatos de que a administração Trump estaria elaborando uma proibição de importações de novos transceptores ópticos chineses para os EUA, o que permitiria que os dados viajassem em alta velocidade por cabos de fibra óptica entre data centers. Embora restrições a empresas chinesas de tecnologia óptica pudessem beneficiar empresas americanas como Lumentum e Coherent (que receberam US$ 2 bilhões em investimentos da Nvidia em março), analistas alertam que escalar a fabricação para atender à nova demanda pode apresentar desafios.
"Concorrentes ocidentais como Coherent e Lumentum possuem designs fotônicos avançados, mas atualmente carecem da capacidade de sala limpa, infraestrutura de embalagem automatizada e escala de rendimento necessárias para absorver o volume da Innolight e Eoptolink em um horizonte de 12 a 24 meses", afirmou Neil Shah, vice-presidente de pesquisa da Counterpoint, em um relatório de agosto.
Impactos das Restrições e Desafios Futuros
Uma possível proibição de transceptores ópticos chineses forçaria os hiperescaladores dos EUA a buscar alternativas locais, o que poderia elevar os custos. O mercado de transformadores de energia e subestações já enfrenta uma escassez estimada em 15% e 8%, respectivamente, em 2026. Restrições ao uso de unidades fabricadas na China devem exacerbar ainda mais esses desafios na cadeia de suprimentos.
"A maior parte dos impactos se concentrará em data centers que têm usado unidades chinesas para minimizar os prazos de entrega", disse Boucher, da Wood Mackenzie, em um blog de agosto. "O segmento de 100 MVA+ é onde a escassez já é mais aguda, e é precisamente para onde os data centers têm recorrido a fabricantes chineses para gerenciar os prazos de entrega."
Apesar dos desafios, a vontade política em Washington para reduzir a dependência da China na pilha de energia está crescendo.
"A administração dos EUA parece empenhada em desriscar sua infraestrutura de IA antes que a tecnologia chinesa esteja totalmente incorporada nela, assim como no lançamento do 5G, onde a remoção de equipamentos de telecomunicações chineses posteriormente levou a atrasos no lançamento da rede e aumento de custos para as empresas de telecomunicações", acrescentou Iyer.
A situação ressalta a complexidade de equilibrar a segurança nacional com a eficiência e os custos da cadeia de suprimentos em um setor em rápida expansão como o da inteligência artificial.

O que isso significa para a região
A discussão sobre a dependência da cadeia de suprimentos de energia e tecnologia, como a que os Estados Unidos enfrentam com a China, ressoa com as preocupações sobre a segurança energética e a autonomia tecnológica em outras regiões, incluindo o Norte Pioneiro do Paraná. Embora a escala e o contexto sejam diferentes, a lição central é a importância de diversificar fontes e promover a produção local ou regional de componentes essenciais. Para empresas como a LZ7 Energia, que atuam no setor de energia solar, a estabilidade e a previsibilidade da cadeia de suprimentos são cruciais. A dependência excessiva de um único fornecedor ou país para equipamentos como painéis solares, inversores e baterias pode expor a região a flutuações de preços, atrasos na entrega e até mesmo riscos geopolíticos. A busca por soluções de energia renovável, como a solar, visa justamente aumentar a resiliência energética e reduzir a vulnerabilidade a choques externos, mas isso deve vir acompanhado de uma estratégia robusta para a cadeia de suprimentos dos próprios equipamentos renováveis. Investir em capacitação local e parcerias estratégicas pode ser um caminho para mitigar esses riscos e fortalecer a economia regional.
Leitura da LZ7 Energia
A discussão sobre a dependência da cadeia de suprimentos de energia e tecnologia, como a que os Estados Unidos enfrentam com a China, ressoa com as preocupações sobre a segurança energética e a autonomia tecnológica em outras regiões, incluindo o Norte Pioneiro do Paraná. Embora a escala e o contexto sejam diferentes, a lição central é a importância de diversificar fontes e promover a produção local ou regional de componentes essenciais. Para empresas como a LZ7 Energia, que atuam no setor de energia solar, a estabilidade e a previsibilidade da cadeia de suprimentos são cruciais. A dependência excessiva de um único fornecedor ou país para equipamentos como painéis solares, inversores e baterias pode expor a região a flutuações de preços, atrasos na entrega e até mesmo riscos geopolíticos. A busca por soluções de energia renovável, como a solar, visa justamente aumentar a resiliência energética e reduzir a vulnerabilidade a choques externos, mas isso deve vir acompanhado de uma estratégia robusta para a cadeia de suprimentos dos próprios equipamentos renováveis. Investir em capacitação local e parcerias estratégicas pode ser um caminho para mitigar esses riscos e fortalecer a economia regional.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
