Em um movimento significativo que reflete a contínua aproximação entre Washington e Damasco, os Estados Unidos da América removeram a Síria de sua lista de países proibidos de adquirir ou importar armamentos norte-americanos. A decisão, anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA, altera as Regulamentações de Tráfico Internacional de Armas (ITAR), permitindo que as vendas de armas dos EUA para a Síria sejam avaliadas caso a caso.

Flexibilização das Restrições e Nova Política de Defesa

A mudança foi oficializada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, com a publicação no Federal Register. De acordo com o documento, o Secretário de Estado dos EUA aprovou, em 19 de agosto de 2026, uma nova política de comércio de defesa para a Síria. Essa política autoriza a revisão de transferências de artigos e serviços de defesa para o país do Oriente Médio sob um regime de licenciamento individualizado.

O Departamento de Estado foi instruído a codificar essa alteração, removendo a Síria da lista de nações para as quais a política dos EUA era negar licenças e outras aprovações para exportações e importações de artigos e serviços de defesa destinados ou originários desses países. Essa medida representa a mais recente iniciativa do governo Trump para aliviar as restrições impostas à Síria, que estavam em vigor durante décadas sob o regime da família al-Assad.

Trump and al-Sharaa shake hands
Trump and al-Sharaa shake hands

Contexto Político e Transição Síria

A flexibilização das sanções e restrições ocorre após a queda do ex-presidente Bashar al-Assad em dezembro de 2024, um evento que marcou o fim de um longo período de guerra civil. O atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, tem focado seus esforços em melhorar as relações com os EUA e obter alívio das sanções econômicas, as quais ele argumenta que dificultam a recuperação do país após anos de conflito devastador.

Ahmed al-Sharaa é um ex-combatente que esteve alinhado com o grupo armado sírio Frente al-Nusra. A administração Trump tem demonstrado otimismo em relação ao relacionamento com o novo governo sírio, o que se traduziu em um afrouxamento gradual de diversas restrições.

Histórico de Reaproximação

Esta não é a primeira vez que o governo Trump adota medidas para reestabelecer laços com a Síria. No ano anterior, algumas sanções econômicas foram aliviadas. Além disso, em agosto, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a remoção da Síria da designação de 'estado patrocinador do terrorismo'.

Em fevereiro, os EUA também comunicaram a intenção de reabrir sua embaixada em Damasco, que permanece fechada desde 2012. Esses passos indicam uma clara estratégia de normalização das relações diplomáticas e comerciais com o país árabe, buscando estabilidade e cooperação na região pós-conflito.

EUA Retiram Síria de Lista de Banimento de Exportação de Armas
Foto: Al Jazeera — Internacional

Declarações Oficiais

“Em 19 de agosto de 2026, o Secretário de Estado aprovou uma nova política de comércio de defesa para a Síria que permitiria a revisão de transferências de artigos e serviços de defesa para a Síria em uma base de licenciamento caso a caso”, lê-se na nota publicada no Federal Register. “O Secretário instruiu o Departamento a codificar essa mudança publicando uma emenda ao ITAR removendo a Síria da lista de países para os quais é política dos Estados Unidos negar licenças e outras aprovações para exportações e importações de artigos e serviços de defesa destinados ou originários desses países.”

Implicações para a Região

A remoção da Síria da lista de banimento de exportação de armas dos EUA tem implicações significativas para a dinâmica geopolítica do Oriente Médio. Ela não apenas reforça a legitimidade do novo governo sírio aos olhos de Washington, mas também pode alterar o equilíbrio de poder na região, permitindo que a Síria fortaleça suas capacidades de defesa com tecnologia e equipamentos norte-americanos.

A medida é vista como um passo crucial na recuperação pós-guerra da Síria, potencialmente facilitando não apenas a segurança, mas também o desenvolvimento econômico ao atrair investimentos e parcerias que antes eram inviáveis devido às sanções. A comunidade internacional observará de perto como essa nova fase nas relações EUA-Síria impactará a estabilidade e a reconstrução do país.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.