Em um movimento que promete redefinir o cenário energético global, os Estados Unidos anunciaram na última sexta-feira, 29 de agosto de 2026, um acordo com a Venezuela para assumir o controle majoritário de uma porção significativa das vastas reservas de petróleo do país sul-americano. O anúncio foi feito pelo Presidente Donald Trump, que havia prometido 'retomar' os recursos energéticos venezuelanos.

O pacto, firmado entre o governo norte-americano e a administração da Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concede aos EUA o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo. Este volume equivale a aproximadamente um quinto das reservas totais da Venezuela, estimadas em 303 bilhões de barris em 2023, o maior depósito conhecido no mundo, correspondendo a cerca de 17% do suprimento global de petróleo.

Detalhes do Acordo e Impacto nos EUA

Embora os termos exatos do acordo ainda não tenham sido totalmente divulgados, sabe-se que ele abrange 17 campos de petróleo estratégicos na Venezuela. O governo dos EUA declarou que irá se associar a uma empresa privada para a extração do combustível. O Presidente Trump celebrou o feito em uma publicação em redes sociais, afirmando: "Os Estados Unidos da América acabam de firmar um Acordo com o País da Venezuela sobre, O MAIOR NEGÓCIO DE PETRÓLEO DA HISTÓRIA MUNDIAL!"

Apesar do entusiasmo de Trump, analistas como Rory Johnston, pesquisador do mercado de petróleo, questionaram o número de 65 bilhões de barris, sugerindo que a cifra pode ser um artifício para impulsionar a economia norte-americana. Johnston descreveu o valor como uma 'pista falsa', com pouca relevância para os detalhes reais do acordo, que permanecem em grande parte desconhecidos. Ele caracterizou o anúncio como um 'grande número clássico' que Trump certamente exploraria repetidamente.

Donald Trump indicou que o acordo 'MAIS DO QUE DOBRA AS RESERVAS DE PETRÓLEO AMERICANAS'. As reservas comprovadas dos EUA estavam em declínio, estimadas em aproximadamente 46 bilhões de barris no final de 2024. Além disso, a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), um suprimento de emergência, tem diminuído, com apenas 289,7 milhões de barris em instalações projetadas para armazenar até 714 milhões de barris. O presidente afirmou que o pacto ajudará a restaurar as reservas dos EUA, que atingiram seus níveis mais baixos desde 1982.

Trump waves after exiting a plane
Trump waves after exiting a plane

Cenário Político e Geopolítico Precedente

O ano de 2026 foi marcado por mudanças drásticas nas relações entre Venezuela e EUA. Desde 2013, a Venezuela era liderada pelo Presidente socialista Nicolás Maduro, cujo mandato foi caracterizado por eleições contestadas e repressão política. Trump e Maduro tiveram confrontos recorrentes, com o presidente norte-americano acusando Maduro de enviar traficantes de drogas para os EUA, e Maduro acusando Trump de interferência estrangeira.

O conflito atingiu seu ápice em 3 de janeiro, quando, após semanas de acúmulo de vasos militares dos EUA na costa venezuelana, Trump autorizou uma operação para prender o líder venezuelano. Maduro aguarda julgamento em Nova York por acusações relacionadas a drogas e armas. Após a operação, Trump apoiou a ex-vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, para liderar o governo em Caracas, e ela foi empossada logo em seguida. A administração Trump também anunciou que Washington assumiria o controle das exportações de petróleo da Venezuela 'indefinidamente'.

Críticos apontam que a administração Trump pressionou Rodríguez a cumprir suas exigências. Em janeiro, Trump declarou à revista The Atlantic: "Se ela não fizer o que é certo, ela pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro."

Justificativas e Críticas Internacionais

A administração Trump defendeu sua reivindicação aos recursos petrolíferos venezuelanos como um pilar fundamental de seu envolvimento no país. Antes do ataque de 3 de janeiro, Trump e seus aliados argumentaram que o petróleo venezuelano pertencia aos EUA devido à história de exploração inicial de combustível no país. Eles também criticaram os esforços do governo venezuelano para expropriar recursos petrolíferos de empresas privadas, como parte de uma tentativa de nacionalizar a indústria de combustíveis fósseis.

Em dezembro, Trump anunciou um bloqueio à Venezuela para impedir a venda de petróleo, sua maior exportação, acusando o país de ter 'campos de petróleo roubados' dos EUA. Seu conselheiro, Stephen Miller, classificou a nacionalização da indústria petrolífera venezuelana como 'o maior roubo registrado de riqueza e propriedade americana'. No entanto, o direito internacional concede aos países 'soberania permanente' sobre seus recursos, para protegê-los da exploração estrangeira indesejada.

EUA garantem controle de vastas reservas de petróleo venezuelanas
Foto: Al Jazeera — Internacional

Contexto Global e Motivação do Acordo

O anúncio do acordo coincidiu com o sexto mês da guerra entre EUA-Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro. O conflito levou o Irã a fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego comercial, uma rota por onde passava quase um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural. O fechamento resultou em um aumento nos preços globais do petróleo, incluindo nos EUA, onde os eleitores se preparam para as eleições de meio de mandato em novembro.

A American Automobile Association (AAA) anunciou que este mês deve ser o agosto mais caro já registrado para os preços da gasolina, com os consumidores dos EUA pagando em média mais de US$ 4 por galão (3,8 litros). As ações militares em curso também têm tensionado os suprimentos de petróleo dos EUA.

Trump tem apresentado a Venezuela, sob a liderança de Rodríguez, como um modelo de como os EUA gostariam de lidar com adversários estrangeiros como o Irã. Ele também tem promovido o controle de Washington sobre o petróleo venezuelano como um benefício para a economia dos EUA durante o período eleitoral. Em um comício em Las Vegas, Trump afirmou: "Estamos indo muito bem na Venezuela. Estamos tirando muito petróleo da Venezuela, e estamos nos dando muito bem com eles." Ele chegou a alegar ter "pago pela guerra" contra a Venezuela "com o que tiramos" do país, adotando o lema "ao vencedor pertencem os despojos".

"Isso demonstra como a ousada política externa do Presidente Trump está gerando vitórias para a América Primeiro: garantindo reservas estáveis e petróleo de baixo custo em nosso Hemisfério e reduzindo os preços da gasolina aqui em casa." — Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA.

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enquadrou o acordo como uma vitória para a plataforma 'America First' de Trump, afirmando que ele aumentará o investimento privado necessário para a 'reconstrução da economia da Venezuela'.

Reação da Venezuela e Duração do Acordo

Delcy Rodríguez também apresentou o acordo como uma vitória para sua administração. Em uma mensagem na plataforma Telegram, ela o classificou como 'histórico' e afirmou que teria 'um impacto significativo na recuperação de nossa nação'.

"Isso facilitará um fluxo significativo de investimentos visando a recuperação e reconstrução da infraestrutura estratégica para o desenvolvimento de nossa indústria de hidrocarbonetos." — Delcy Rodríguez, Presidente interina da Venezuela.

A Venezuela tem enfrentado uma crise econômica prolongada, com escassez de suprimentos básicos e inflação crescente. Desde 2014, quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país devido à repressão política e preocupações econômicas. Críticos apontam a corrupção governamental e a má gestão das indústrias estatais, incluindo os setores de petróleo e mineração, como causas do declínio econômico, juntamente com o impacto das sanções dos EUA. Desde que assumiu como presidente interina, Rodríguez tem liderado uma campanha para aumentar o investimento privado nas indústrias da Venezuela, a pedido da administração Trump. Seu governo estima que o acordo de sexta-feira renderá US$ 209 bilhões em impostos para a Venezuela, além de US$ 100 bilhões em investimentos.

Relatos da mídia indicam que o governo de Rodríguez concedeu à administração Trump o direito de usar as reservas de petróleo por 100 anos.

Críticas e Implicações Futuras

A intervenção dos EUA na América Latina tem um longo histórico, e Trump buscou afirmar o domínio norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental como parte de uma política que ele chama de 'Doutrina Donroe'. Críticos descreveram o arranjo de sexta-feira como uma tentativa de tomar os recursos da Venezuela, semelhante ao que as potências ocidentais fizeram durante os tempos coloniais.

Pouco antes do anúncio do acordo, o analista de energia Gregory Brew comparou os relatos do iminente acordo a concessões de petróleo buscadas pelo Império Britânico no início do século XX. Brew escreveu em uma rede social que 'tal coisa não tem precedentes', citando como exemplo mais próximo a BP (British Petroleum), quando era majoritariamente de propriedade do governo do Reino Unido, reivindicando a propriedade das reservas de petróleo iraquianas e iranianas antes da Segunda Guerra Mundial. Trump, por sua vez, abraçou o slogan da era colonial 'Destino Manifesto', como parte de seu plano para uma 'nação em crescimento' que 'aumenta nossa riqueza' e 'expande nosso território'.

Trump já havia sugerido a possibilidade de reivindicar reservas de petróleo em outras partes do mundo. Em 2011, ele defendeu que os EUA deveriam usar seu poder militar para extrair petróleo de outros países, mencionando a Líbia e o Iraque. Durante seu segundo mandato como presidente, Trump expressou intenções semelhantes em relação ao Irã. Em abril, ele publicou em redes sociais: "Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente ABRIR O ESTREITO DE ORMUZ, PEGAR O ÓLEO, E FAZER UMA FORTUNA." Ele também propôs tornar o Estreito de Ormuz um território dos EUA.

Leitura da LZ7 Energia

Este acordo entre EUA e Venezuela, embora focado em combustíveis fósseis, tem implicações significativas para o mercado global de energia e, por extensão, para a economia regional do Norte Pioneiro do Paraná. A estabilização ou queda dos preços do petróleo, conforme prometido por Trump, pode aliviar a pressão sobre os custos de transporte e produção em diversas indústrias, beneficiando indiretamente os consumidores e empresas locais. No entanto, a dependência contínua de fontes de energia fósseis, mesmo que mais baratas, reforça a necessidade de diversificação da matriz energética. Para a LZ7 Energia, este cenário destaca a importância de continuar promovendo a energia solar como uma alternativa limpa, sustentável e com custos previsíveis, protegendo os consumidores das flutuações geopolíticas e dos preços de commodities internacionais, que podem ser voláteis mesmo com acordos de grande escala como este. A busca por segurança energética e autonomia é um pilar tanto para nações quanto para comunidades, e a energia solar oferece uma solução robusta e local para essa demanda.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.