Autoridades policiais e judiciais das Filipinas iniciaram uma análise pericial aprofundada sobre dispositivos eletrônicos e arquivos digitais atribuídos a Thomas Markle Sr, pai da duquesa de Sussex, Meghan Markle. A apuração ocorre após denúncias relativas à suposta presença de materiais de abuso sexual infantil encontrados no imóvel onde ele residia na cidade de Cebu, na região central do país asiático. O ministro do Interior das Filipinas, Jonvic Remulla, afirmou que os indícios preliminares apontam para condutas gravíssimas, mas ressaltou que a conclusão oficial depende do laudo técnico dos peritos.
O que aconteceu nas Filipinas
A investigação foi aberta após Thomas Markle Jr, de 60 anos, meio-irmão de Meghan, procurar as forças de segurança locais para relatar o suposto achado. Segundo os relatos encaminhados às autoridades, caixas com equipamentos eletrônicos e telefones continham uma expressiva quantidade de arquivos ilegais. Diante da formalização do caso, a Polícia Nacional das Filipinas (PNP) compareceu à antiga residência de Markle Sr em Cebu e recolheu um computador portátil e outros materiais.
De acordo com o ministro Jonvic Remulla, o governo filipino pretende concluir todo o levantamento pericial em um período de sete dias para consolidar um panorama fático antes de qualquer posicionamento conclusivo ou desdobramento judicial de grande porte.
"Nesses casos em que disputas familiares estão misturadas, temos que considerar todos os ângulos. No momento, todos os sinais apontam para um possível agressor sexual da pior espécie. Queremos ter certeza antes de divulgar as conclusões. Os dados forenses estarão completos em uma semana. Por favor, nos deem uma semana para determinar o conteúdo e chegar a um quadro definitivo. Vamos divulgar uma declaração então."
— Jonvic Remulla, ministro do Interior das Filipinas
Contraponto e declarações de Thomas Markle Sr
Thomas Markle Sr contestou frontalmente as acusações e declarou que as declarações feitas contra ele são falsas. Em entrevista concedida ao periódico britânico Daily Mail, ele alegou que não mantinha posse dos computadores desde que deixou o México ao lado do filho, em 2025, para residir nas Filipinas em busca de um recomeço. Markle Sr retornou aos Estados Unidos no início deste ano e agora afirma estar profundamente abalado com as imputações públicas.

"Estou chocado, magoado e muito chateado que meu filho esteja fazendo essas acusações contra mim. Eu nunca faria aquilo de que estou sendo acusado. É a pior coisa que alguém poderia me acusar. Isso é um absurdo. É apenas um monte de mentiras. É doentio. Não tenho ideia de por que Tom está tentando me destruir com essas mentiras."
— Thomas Markle Sr, ao jornal britânico Daily Mail
Apesar da negativa contundente, o Ministério do Interior filipino pontuou que, caso o laudo confirme a titularidade e o conteúdo dos dados periciados, articulações serão feitas com órgãos internacionais para a devida responsabilização legal.
Pronunciamento de Meghan Markle sobre o caso
A duquesa de Sussex se manifestou por meio de comunicado oficial, afirmando estar extremamente abalada com as revelações e ressaltando sua solidariedade a quaisquer vítimas de abusos. Na nota, Meghan contextualizou que o afastamento público de seu pai — que nunca conheceu os netos, o príncipe Archie, de sete anos, e a princesa Lilibet, de cinco anos — ocorreu prioritariamente por questões de segurança familiar.
"Estou profundamente angustiada com as notícias que vieram à tona nas últimas 24 horas, e meus pensamentos estão com quaisquer crianças que possam ter sido prejudicadas. (...) Espero que agora se possa compreender que, apesar das distorções de certos veículos de imprensa ao longo dos anos, qualquer distância do meu pai, e a minha escolha de não permitir que ele tivesse contato com nossos filhos, foi por uma única razão: protegê-los. Confiei que as autoridades estavam fazendo o mesmo por outras famílias. Embora a amplitude do que foi descoberto seja mais revoltante do que qualquer pessoa poderia imaginar, minha mais sincera esperança é que a justiça seja plenamente cumprida e que a prioridade continue sendo a segurança e a proteção de crianças inocentes."
— Meghan Markle, duquesa de Sussex
Inicialmente, a duquesa mencionou ter recebido avisos institucionais em 2018, mas sua assessoria retificou posteriormente a data para janeiro de 2019, explicando que o lapso de meses se deveu à ausência de registros contemporâneos no momento da redação do comunicado inicial.
Atuação da polícia britânica e procedimentos de 2019
A Polícia Metropolitana de Londres (Metropolitan Police Service – MPS), também conhecida como Scotland Yard, confirmou publicamente ter recebido uma carta em janeiro de 2019 com acusações envolvendo o pai da duquesa. O documento fora endereçado ao Comando de Proteção da corporação britânica devido a preocupações de segurança direcionadas a Meghan.
"Após uma revisão completa dos sistemas e registros da Polícia Metropolitana, confirmamos que em janeiro de 2019 recebemos uma carta contendo uma série de alegações sobre supostos delitos fora do Reino Unido. Ela foi enviada ao Comando de Proteção do MPS para levantar preocupações em relação à segurança da duquesa de Sussex. A carta foi analisada e foi tomada a decisão de que deveria ser repassada ao gabinete do duque e da duquesa de Sussex para ciência. Os detalhes das alegações contidas na carta não foram compartilhados com outros órgãos de aplicação da lei. O MPS está revisando a forma como lidou com essa questão em 2019 e considerando se é necessário um encaminhamento ao IOPC para avaliar nossa conduta."
— Porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres
A instituição avalia formalmente se fará uma autoreferência ao Escritório Independente de Conduta Policial (IOPC, órgão regulador britânico) para examinar por que os dados não foram transmitidos a outras polícias internacionais à época. Segundo fontes próximas à duquesa, ela permaneceu sem abordar o tema publicamente para resguardar apurações e evitar processos judiciais.
Material apreendido e colaboração policial internacional
Conforme informações divulgadas pelo jornal The Sun, a denúncia de Thomas Markle Jr indicava que os materiais estariam armazenados em quatro caixas de grande porte contendo computadores e celulares em Cebu, reunindo centenas ou milhares de arquivos. Markle Jr também indicou ter acionado o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos.
- Apreensão realizada pela Polícia Nacional das Filipinas (PNP) em residência de Cebu;
- Dispositivos recolhidos incluem ao menos um computador portátil e outros itens eletrônicos;
- Prazo estipulado pelo governo filipino para conclusão do laudo pericial é de uma semana;
- Comunicação internacional prevista entre forças policiais conforme o resultado da perícia.
O governo filipino reforçou que novas declarações oficiais só serão emitidas após a entrega técnica do laudo pericial conclusivo.
Fonte: The Guardian — World (internacional) — matéria original publicada em theguardian.com. Imagens e vídeos: The Guardian — World (internacional). Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
