Ponta Grossa, no Norte Pioneiro do Paraná, foi palco de declarações contundentes neste sábado (5.set.2026), quando o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), visitou Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na Cadeia Pública local. A visita, autorizada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi seguida de fortes críticas de Flávio Bolsonaro ao magistrado, a quem ele se referiu como o titular do “gabinete da perseguição”.
Martins cumpre pena de 21 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, conforme condenação da Corte. A presença de Flávio Bolsonaro na cidade paranaense, acompanhado por aliados políticos como o senador e candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL-PR), e o candidato ao Senado, Filipe Barros (PL-PR), gerou repercussão e levantou o debate sobre os processos judiciais envolvendo figuras ligadas ao ex-presidente.
Acusações de Perseguição e Críticas a Moraes
Após o encontro com Filipe Martins, Flávio Bolsonaro não poupou palavras ao criticar a atuação do ministro Alexandre de Moraes. O senador alegou que o gabinete do ministro do STF estaria sendo utilizado para perseguir adversários políticos, citando o caso de Martins como um exemplo. A declaração foi feita em um contexto de crescente polarização política e judicial no país, especialmente em relação a inquéritos conduzidos pela Suprema Corte.
“O próprio Alexandre de Moraes é flagrado editando o contrato da sua esposa com um investigado que é o Vorcaro e nada acontece com ele. É alguém que usou o inquérito de fake news para perseguir adversários políticos e que hoje utiliza o mesmo modus operandi com que atuou contra várias pessoas de direita, contra o ministro André Mendonça”
A fala de Flávio Bolsonaro ecoa um sentimento de parte da base política que apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente critica as decisões do STF e a condução de inquéritos que envolvem seus aliados. A visita a Filipe Martins e as declarações subsequentes reforçam a narrativa de que há uma perseguição política em curso, conforme a visão do senador.
A Visita a Filipe Martins e o Apoio Político
A visita de Flávio Bolsonaro a Filipe Martins teve um tom de apoio e solidariedade. O senador expressou sua crença na inocência do ex-assessor, afirmando que Martins está preso por uma acusação baseada em algo que, segundo ele, nunca existiu.
“Vim dar um abraço em um amigo muito importante para nós que está preso aqui acusado de ter feito uma minuta que nunca existiu, que ninguém nunca viu, e acabou sendo usada para sua condenação”
O encontro em Ponta Grossa contou com a presença de figuras políticas importantes do Paraná, como Sergio Moro e Filipe Barros, ambos do PL. A presença desses aliados demonstra a articulação política em torno da defesa de Martins e a união de forças em um momento de pré-campanha eleitoral para 2026. A cidade de Ponta Grossa, que integra a região dos Campos Gerais, próxima ao Norte Pioneiro, ganhou destaque na agenda política nacional com o evento.

O Caso Filipe Martins: Prisão e Condenação
Filipe Martins foi preso preventivamente em 2 de janeiro de 2026, no âmbito da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, por determinação de Alexandre de Moraes. A decisão do ministro baseou-se no entendimento de que o ex-assessor de Jair Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas pelo Supremo. Martins chegou a ser levado em 6 de janeiro ao Complexo Médico Penal, no Paraná, por decisão da administração penitenciária estadual.
A defesa de Martins argumenta que a mudança para o Complexo Médico Penal ocorreu devido às características da unidade de Ponta Grossa, que seria um local provisório de passagem, e não por iniciativa ou preferência do preso. No entanto, Moraes entendeu que a alteração não poderia ocorrer sem autorização do Tribunal, determinando o retorno de Martins à cadeia de Ponta Grossa em 28 de fevereiro e mantendo essa decisão em 6 de março. Foi contra essa decisão que os advogados recorreram.
Martins foi condenado a 21 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe. A acusação aponta que ele integrava o núcleo ligado à articulação de medidas para contestar e tentar reverter o resultado das eleições de 2022. O caso de Filipe Martins é um dos vários que envolvem ex-colaboradores do governo Bolsonaro e que estão sob análise do STF, gerando intensos debates sobre legalidade, política e justiça.
Implicações Políticas e Eleitorais para 2026
As declarações de Flávio Bolsonaro e a visita a Filipe Martins ocorrem em um momento estratégico, com a proximidade das eleições de 2026. Flávio Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência, utiliza a pauta da “perseguição política” como um dos pilares de sua campanha, buscando mobilizar sua base eleitoral e consolidar o discurso de oposição ao atual sistema judicial e político. A presença de Sergio Moro e Filipe Barros, candidatos no Paraná, também indica a articulação para as disputas estaduais e federais.
A região do Norte Pioneiro do Paraná e os Campos Gerais, onde Ponta Grossa está localizada, são áreas de grande importância eleitoral. A visita de figuras políticas nacionais a esses locais demonstra a relevância estratégica da região para as campanhas que se desenham. O debate sobre a atuação do STF, a liberdade de expressão e os limites da justiça continuará a ser um tema central nas discussões políticas até as próximas eleições.
Fonte: Poder360 — Nacional — matéria original publicada em poder360.com.br. Imagens e vídeos: Poder360 — Nacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.