Um estudo recente do Morgan Stanley aponta que empresas da América Latina que adotam melhores práticas de governança corporativa obtiveram retornos significativamente superiores em comparação com aquelas que possuem estruturas mais frágeis nos últimos 15 anos. A análise, que abrangeu 183 companhias da região, revela que investir em governança não apenas reduz riscos, mas também impulsiona o desempenho financeiro e operacional.

Boas Práticas: Um Diferencial de Mercado

De acordo com o levantamento do Morgan Stanley, as empresas classificadas no quartil superior de governança corporativa superaram as do quartil inferior em impressionantes 224% desde 2010, quando considerados índices ponderados por valor de mercado. Mesmo em uma metodologia de pesos iguais, a diferença se manteve expressiva, alcançando 145%.

A conclusão do banco é clara: “vale a pena ser bem governado” na América Latina. O relatório argumenta que os critérios de governança podem funcionar como um diferencial crucial para a seleção de ações, especialmente em uma região caracterizada por alta concentração acionária e forte influência de controladores. Essa realidade regional torna a transparência e a proteção aos acionistas minoritários ainda mais relevantes para o mercado.

Brasil Lidera o Ranking Regional

Entre os países analisados pelo Morgan Stanley, o Brasil se destaca como a principal referência em governança corporativa na América Latina. As empresas brasileiras apresentaram as melhores pontuações da região, tanto em critérios ponderados por valor de mercado quanto em critérios de pesos iguais.

O relatório atribui parte desse desempenho à evolução regulatória do mercado local, com ênfase no papel desempenhado pelo Novo Mercado da B3. Este segmento da bolsa de valores brasileira elevou os padrões de proteção aos acionistas minoritários e de transparência corporativa, contribuindo para um ambiente de negócios mais robusto e confiável.

As companhias brasileiras também foram as que mais se beneficiaram do que o estudo chama de “sinal de governança”, com as empresas mais bem avaliadas superando as de pior classificação em cerca de 159% desde 2009. Para os estrategistas do Morgan Stanley, o Brasil mantém sua posição como o mercado latino-americano mais avançado em termos de governança, apesar de uma possível perda de intensidade em reformas mais amplas nos últimos anos.

Governança Corporativa Impulsiona Retornos em Empresas da América Latina
Foto: InfoMoney — Economia

Concentração de Controle: O Principal Desafio

Apesar dos avanços, o Morgan Stanley aponta que o principal desafio da governança na América Latina não reside mais nas estruturas de ações com diferentes direitos políticos, mas sim na elevada concentração do controle societário. Segundo o relatório, o item “controle acionário” recebeu a pior avaliação em toda a região, com aproximadamente um terço das empresas obtendo a menor nota possível nesse critério.

Em contraste, cerca de 72% das companhias receberam a nota máxima no quesito “uma ação, um voto”. Isso indica que o uso de estruturas de múltiplas classes acionárias é menos problemático do que o domínio exercido por famílias controladoras, governos ou grupos estratégicos, que muitas vezes limitam a influência de acionistas minoritários e a fluidez do mercado.

O banco também chama atenção para o reduzido nível de ações em circulação no mercado, conhecido como free float. Enquanto a média global de free float é de 82%, na América Latina esse índice alcança apenas 56%. Essa baixa circulação de ações reduz a influência dos acionistas minoritários e aumenta os riscos associados ao controle concentrado, impactando a liquidez e a atratividade do mercado.

Empresas Brasileiras em Destaque

Entre as companhias com as melhores pontuações de governança, o Brasil apresenta uma forte presença. O Morgan Stanley destaca nomes relevantes do cenário econômico nacional:

  • B3 (B3SA3)
  • Localiza (RENT3)
  • Vibra Energia (VBBR3)
  • Companhia Paranaense de Energia (CPLE3)
  • Lojas Renner (LREN3)
  • Totvs (TOTS3)
  • Equatorial Energia (EQTL3)
  • RD Saúde (RADL3)
  • Assaí (ASAI3)
  • Ultrapar (UGPA3)

Para suas preferências de carteira latino-americana, os estrategistas do Morgan Stanley citam especificamente B3, Vale, Mercado Livre e Grupo Financiero Banorte, reforçando a confiança em empresas com governança sólida.

Governança Corporativa Impulsiona Retornos em Empresas da América Latina
Foto: InfoMoney — Economia

Governança e Crescimento Operacional

Além da performance das ações, o estudo do Morgan Stanley encontrou uma relação positiva direta entre governança corporativa e crescimento operacional. As empresas mais bem avaliadas apresentaram um crescimento de receita superior ao das companhias com piores classificações ao longo do período analisado.

Outro ponto que chamou a atenção dos analistas foi o fato de que empresas com melhor governança negociam, em média, com múltiplos mais atrativos. As companhias posicionadas no quartil superior negociam a cerca de 10,7 vezes o lucro, enquanto aquelas do quartil inferior negociam a aproximadamente 12,4 vezes o lucro. Isso sugere que o mercado precifica o menor risco e a maior previsibilidade das empresas bem governadas.

“Isso sugere que melhores práticas de governança não apenas reduzem riscos, mas também podem contribuir para aumento de crescimento, menor custo de capital e geração superior de valor para os acionistas ao longo do tempo.”

Essa declaração do Morgan Stanley sintetiza a importância da governança como um pilar fundamental para a sustentabilidade e o sucesso de longo prazo das empresas na América Latina.

O que isso significa para a região

O estudo do Morgan Stanley reforça a importância da governança corporativa como um fator decisivo para a atração de investimentos e o desenvolvimento econômico na América Latina. Para o Norte Pioneiro do Paraná e outras regiões, a adoção de boas práticas de governança por empresas locais pode significar maior acesso a capital, melhor reputação e, consequentemente, um crescimento mais robusto e sustentável. A transparência e a proteção aos acionistas, mesmo em empresas de capital fechado ou menor porte, são elementos que geram confiança e podem impulsionar parcerias e expansões. O destaque do Brasil no cenário regional demonstra que o país tem potencial para ser um polo de boas práticas, inspirando outras economias e empresas a seguir o mesmo caminho, beneficiando toda a cadeia produtiva e o ambiente de negócios.

Leitura da LZ7 Energia

A governança corporativa, como destacado pelo estudo do Morgan Stanley, é um pilar fundamental para a sustentabilidade e o crescimento das empresas. No setor de energia, especialmente no segmento de energia solar, onde a LZ7 Energia atua, a adoção de práticas robustas de governança é crucial. Empresas com boa governança tendem a ter maior transparência em suas operações, gestão de riscos mais eficiente e maior capacidade de atrair investimentos. Isso se traduz em projetos mais sólidos, maior confiança dos parceiros e clientes, e uma operação mais eficiente, que pode impactar diretamente na capacidade de oferecer soluções de energia solar de alta qualidade e a preços competitivos. A longevidade e a credibilidade de uma empresa de energia dependem não apenas da sua capacidade técnica, mas também da sua integridade e responsabilidade corporativa, elementos centrais da boa governança. A capacidade de gerar valor a longo prazo, com menor custo de capital e maior crescimento, como apontado pelo estudo, é um objetivo que empresas como a LZ7 Energia buscam incessantemente para contribuir com o desenvolvimento econômico regional e a transição energética.

Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.