A tensão comercial entre Estados Unidos e Canadá atingiu um novo patamar com uma declaração contundente do ex-presidente americano Donald Trump. Na última segunda-feira, Trump afirmou que a empresa aeroespacial canadense Bombardier não poderá mais comercializar seus produtos nos EUA, a menos que inicie a fabricação em solo americano. A exigência surge em meio a uma escalada da guerra comercial entre os dois países, que se prepara para a implementação de novas tarifas retaliatórias canadenses sobre produtos americanos.
Ultimato de Trump e a Resposta da Bombardier
A declaração de Donald Trump foi divulgada na rede social Truth Social, onde ele escreveu:
NÃO MAIS VENDER BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS! Se eles querem nosso Mercado, devem construir aqui e parar de tratar a América como um 'cofre'.
Em resposta ao ultimato, a Bombardier, por meio de um comunicado enviado à CNBC, fez questão de ressaltar sua já extensa presença nos Estados Unidos. A empresa destacou que possui funcionários diretos em mais de 20 estados e operações em 10 estados, incluindo Califórnia, Texas e Arizona. Além disso, a fabricante de aeronaves enfatizou que seus produtos são montados com componentes de fabricação americana, como motores, aviônicos e outros sistemas cruciais, fornecidos por empresas dos EUA.
A Bombardier também revelou planos de expandir suas atividades de defesa e sua rede de serviços no país, com a inauguração de uma nova instalação em Fort Wayne, Indiana, prevista para o final deste ano. A empresa reforçou seu compromisso com o mercado americano, declarando:
A Bombardier valoriza sua grande parceria com empresas americanas e seus funcionários nos EUA.

Impacto e Reações Políticas
A presença da Bombardier nos EUA não se limita apenas às suas instalações. O senador Jerry Moran, republicano do Kansas, destacou a importância da empresa para seu estado, mencionando que a Bombardier mantém uma operação em Wichita, Kansas, que emprega mais de mil funcionários. Moran afirmou ter contatado Trump para garantir que o ex-presidente estivesse ciente das
contribuições significativas da Bombardier para o Kansas e a importância de sua presença em Wichita.
A postura de Trump ocorre em um momento de acirrada disputa comercial entre EUA e Canadá. Na terça-feira, está prevista a entrada em vigor de tarifas retaliatórias canadenses sobre uma vasta gama de produtos americanos, avaliadas em aproximadamente 20 bilhões de dólares canadenses (cerca de 14,6 bilhões de dólares americanos, considerando a cotação da época). Essas tarifas foram anunciadas por Ottawa em 25 de agosto, abrangendo mais de 700 produtos dos EUA.
Escalada da Guerra Comercial
As medidas retaliatórias do Canadá visam espelhar as taxas de importação mais recentes impostas por Trump sobre produtos canadenses, que incluem vinho, cimento, tacos de hóquei e outros itens. Trump havia anunciado essas tarifas de 50% após o colapso das negociações comerciais entre os dois países.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em entrevista ao programa Squawk Box da CNBC, declarou que os canadenses
detonaram um acordo comercial quase completo com os EUA por razões puramente políticas.Em contrapartida, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que seu país retomaria as negociações comerciais
quando os americanos estivessem prontos.A situação reflete uma profunda divergência nas relações comerciais, com ambos os lados trocando acusações sobre a responsabilidade pela paralisação das conversas.
O que isso significa para a região
Embora a notícia se refira a uma disputa comercial internacional envolvendo a indústria aeroespacial, o cenário de guerra comercial entre grandes potências econômicas como EUA e Canadá pode ter repercussões indiretas em mercados globais. A instabilidade nas relações comerciais pode afetar cadeias de suprimentos, preços de commodities e investimentos, o que, em última instância, pode impactar a economia brasileira e, por extensão, a região do Norte Pioneiro do Paraná. A busca por autossuficiência e a reindustrialização, como defendido por Trump, são temas que ressoam em diferentes contextos econômicos, influenciando políticas de importação e exportação que podem afetar o custo de vida e a competitividade de diversos setores.
Leitura da LZ7 Energia
A guerra comercial entre grandes economias, como a dos EUA e Canadá, ilustra a complexidade das relações internacionais e seus impactos. Para o setor de energia, especialmente a solar, a instabilidade global pode influenciar os preços de componentes importados, como painéis e inversores, que são cruciais para a expansão da energia fotovoltaica no Brasil. Tarifas e barreiras comerciais podem encarecer a tecnologia, afetando o custo final para o consumidor e a viabilidade de projetos de energia limpa. Por outro lado, a busca por fontes de energia mais baratas e sustentáveis se torna ainda mais relevante em cenários de incerteza econômica, reforçando a importância da energia solar como uma alternativa para a segurança energética e a redução da conta de luz, mesmo diante de flutuações no mercado internacional.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
