Um mergulho na história eleitoral brasileira, com foco nas particularidades do Paraná, é o que oferece a impressionante coleção de Rafael Gustavo Pomim Lopes. O historiador paranaense dedicou-se a reunir um acervo singular de itens que narram um século de campanhas e processos eleitorais no país. Sua paixão por preservar a memória política resultou em uma coleção diversificada, que vai desde objetos de campanha hoje considerados ilegais até documentos e equipamentos que marcaram diferentes eras da votação no Brasil.

A iniciativa de Lopes não é apenas um hobby, mas um esforço de documentação histórica que revela as transformações nas práticas eleitorais, nas leis e na própria sociedade. Cada peça, cuidadosamente guardada, é um fragmento de um passado que moldou o presente democrático do país, oferecendo uma perspectiva tangível sobre a evolução do processo eleitoral e a participação cidadã ao longo das décadas.

Um Acervo que Resgata a Memória Eleitoral

A coleção de Rafael Gustavo Pomim Lopes é um verdadeiro tesouro para quem se interessa pela história política e social do Brasil. Entre os itens mais curiosos e reveladores, destacam-se os brindes de campanha, que hoje são proibidos por lei. Essas peças, que eram distribuídas livremente por candidatos em eleições passadas, incluem uma variedade impressionante de objetos do cotidiano, todos personalizados com nomes e slogans de campanha. A diversidade desses brindes ilustra a criatividade e, por vezes, a excentricidade das estratégias de marketing político de outrora.

A proibição da distribuição de tais brindes no Brasil, que já dura 20 anos, confere a esses itens um valor histórico ainda maior, transformando-os em relíquias de uma era diferente da política. A presença desses objetos na coleção de Lopes não apenas documenta uma prática eleitoral extinta, mas também convida à reflexão sobre as mudanças na legislação e na ética das campanhas ao longo do tempo. A coleção, portanto, transcende o mero colecionismo, tornando-se um importante recurso para o estudo da história eleitoral brasileira.

Objetos Cotidianos Transformados em Peças de Campanha

A lista de brindes de campanha que Rafael Gustavo Pomim Lopes conseguiu reunir é extensa e surpreendente. Ela inclui uma série de objetos que eram comuns no dia a dia dos eleitores, mas que se tornaram veículos para a propaganda política. Entre os itens catalogados pelo historiador, encontram-se:

  • Lixa de unha
  • Tábua de carne
  • Pente de cabelo
  • Bottom
  • Ursinho de pelúcia
  • Cinzeiro
  • Caixa de fósforos
  • Louças variadas
  • Cadeado
  • Iô-iô

Todos esses objetos, hoje considerados peças de museu da política, eram personalizados com a imagem ou o nome de candidatos, servindo como uma forma direta e palpável de propaganda. A presença desses itens na coleção de Lopes oferece uma janela para as estratégias de engajamento dos eleitores em um período anterior à dominância das mídias digitais e das campanhas virtuais.

Historiador Paranaense Preserva Século de Memória Eleitoral
Foto: G1 Paraná — Norte e Noroeste

Documentos e Equipamentos que Marcaram Épocas

Além dos curiosos brindes, a coleção de Rafael Gustavo Pomim Lopes se aprofunda na história eleitoral com a inclusão de documentos e equipamentos que foram fundamentais em diferentes momentos do processo de votação no Brasil. Entre as peças mais significativas, destacam-se os títulos de eleitor antigos. Estes documentos não apenas registram a participação individual dos cidadãos, mas também contam a história da expansão do direito ao voto.

Um dos pontos altos da coleção são os títulos de eleitor das primeiras eleições em que as mulheres puderam exercer seu direito ao voto, um marco fundamental na história da democracia brasileira e da luta por igualdade de gênero. A presença desses documentos sublinha a importância de cada etapa na construção de um sistema eleitoral mais inclusivo.

Outro item de grande relevância é uma urna de lona. Este tipo de urna era utilizado para receber os votos impressos antes da implementação das urnas eletrônicas, que revolucionaram o processo de apuração. A urna de lona é um testemunho físico da transição tecnológica e metodológica que o Brasil vivenciou em suas eleições, mostrando como o país se adaptou e modernizou seus sistemas de votação. Completando o acervo, os tradicionais 'santinhos', pequenos folhetos com a imagem e o número do candidato, também estão presentes, representando uma das formas mais persistentes e reconhecíveis de propaganda eleitoral.

A Origem de uma Paixão: De Santinhos a Relíquias

“Comecei com álbum de figurinhas de santinhos.”

A paixão de Rafael Gustavo Pomim Lopes pelo colecionismo eleitoral teve um início modesto, mas significativo. Segundo ele, tudo começou com a simples prática de colecionar 'santinhos' — aqueles pequenos cartões com a foto e o número dos candidatos, que são distribuídos em profusão durante as campanhas. Essa atividade, que para muitos é apenas um passatempo infantil ou uma curiosidade passageira, evoluiu para um projeto de vida dedicado à preservação da memória eleitoral.

A frase do historiador revela a simplicidade e a organicidade de como sua coleção se formou, partindo de um elemento tão comum nas eleições brasileiras. A partir desse ponto, a busca por outros itens se intensificou, abrangendo uma gama cada vez maior de objetos que pudessem contar a história das eleições, desde os brindes mais inusitados até os documentos e equipamentos que marcaram épocas. A trajetória de Lopes demonstra como a curiosidade e o interesse por um tema podem se transformar em uma valiosa contribuição para a história e a cultura.

O Significado da Coleção para a Região

A coleção de Rafael Gustavo Pomim Lopes, embora abranja a história eleitoral brasileira de forma ampla, tem um significado especial para a região do Norte Pioneiro do Paraná. Ao preservar itens que remetem a um século de eleições, o historiador contribui para a memória local e regional, permitindo que as novas gerações compreendam as raízes e a evolução do processo democrático em seu próprio contexto. Muitos dos itens, especialmente os 'santinhos' e talvez alguns brindes, podem ter sido coletados em campanhas que ocorreram nas cidades do Paraná, conectando diretamente a coleção à vivência política da comunidade.

Este acervo serve como um recurso educacional inestimável, capaz de ilustrar as mudanças sociais, políticas e tecnológicas que impactaram a vida dos paranaenses ao longo das décadas. Ele oferece uma oportunidade única para escolas, pesquisadores e o público em geral se conectarem com a história de sua região através de objetos tangíveis, tornando a narrativa eleitoral mais próxima e compreensível. A iniciativa de Lopes, portanto, não é apenas um feito individual, mas um patrimônio cultural que enriquece a compreensão da identidade e da trajetória democrática do Norte Pioneiro.

Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.