Um procedimento médico realizado em Londrina, no Norte do Paraná, resultou na internação de um paciente de 60 anos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ele sofrer uma reação severa e imediata. Roberto Carlos Machado recebia uma transfusão de sangue em uma unidade hospitalar do município quando apresentou uma piora clínica súbita, gerando momentos de desespero para os familiares que o acompanhavam no local.
Intercorrência grave durante procedimento hospitalar
O caso ocorreu durante a administração de hemocomponentes indicada para Roberto Carlos Machado. De acordo com as informações apuradas, o paciente estava no leito hospitalar e contava com o acompanhamento presencial de sua esposa, Vanderleia Machado, no momento em que a equipe iniciou a infusão intravenosa da bolsa de sangue.
Logo nos instantes iniciais em que o composto sanguíneo começou a entrar na corrente sanguínea do paciente, o quadro clínico se desestabilizou de maneira abrupta. A gravidade da reação exigiu socorro emergencial imediato da equipe e culminou na necessidade de transferência direta do homem para a UTI da instituição hospitalar.
A suspeita de troca na tipagem sanguínea
Diante do quadro crítico desencadeado durante a transfusão, a família do paciente aponta que houve uma falha grave na identificação e na administração do material biológico por parte da equipe médica responsável pelo atendimento. A principal suspeita levantada pelos familiares é a aplicação de uma tipagem sanguínea totalmente incompatível com o organismo de Roberto Carlos Machado.
Segundo os relatos colhidos, os profissionais de saúde teriam manipulado e aplicado bolsas de sangue identificadas com o tipo A. Contudo, o paciente possui tipagem sanguínea O, o que gerou o choque transfusional imediato assim que a infusão foi iniciada no quarto hospitalar.

O relato da família sobre o momento da reação
A esposa do paciente, Vanderleia Machado, presenciou todo o ocorrido e relatou o desespero vivido dentro da unidade hospitalar no momento exato em que o líquido começou a ser infundido. Ela descreveu a velocidade com que o marido entrou em colapso físico diante do procedimento.
Na hora em que colocou o sangue no braço dele, ele começou a passar mal. Eu vi o meu marido morrer e voltar. Foi aquele desespero. Deram o sangue errado.
A declaração de Vanderleia reflete o impacto presenciado no instante da intercorrência, reforçando a convicção dos parentes de que o erro decorreu da troca de bolsas e da falta de checagem adequada da compatibilidade entre o doador e o receptor.
Incompatibilidade biológica e os riscos do tipo O
A compatibilidade do sistema ABO é um dos pilares mais rigorosos da prática transfusional em qualquer ambiente hospitalar. Conforme os parâmetros médicos destacados no caso, pacientes que pertencem ao grupo sanguíneo O possuem características imunológicas que impedem a recepção de hemácias de outros grupos sanguíneos convencionais.
- Indivíduos com tipo sanguíneo O só podem receber transfusões provenientes de sangue do tipo O;
- A infusão de sangue do tipo A em um organismo do tipo O gera rejeição imune aguda decorrente de anticorpos presentes no plasma do receptor;
- A administração inadequada provoca reações transfusionais hemolíticas graves que demandam suporte intensivo imediato.
Por conta dessa restrição biológica absoluta, a aplicação de uma bolsa de sangue do tipo A em Roberto Carlos Machado desencadeou o choque clínico instantâneo relatado pelos familiares durante a aplicação no braço do paciente.
Encaminhamento e suporte na Unidade de Terapia Intensiva
Após a interrupção da transfusão e o atendimento emergencial decorrente da desestabilização do quadro, Roberto Carlos Machado permaneceu sob cuidados intensivos. O ambiente de UTI garante o suporte vital e o monitoramento constante das funções orgânicas do paciente após episódios de choque e reações transfusionais agudas.
O episódio mobilizou a família em busca de esclarecimentos sobre os protocolos adotados durante o manuseio e a liberação das bolsas de sangue na unidade de Londrina, reforçando a gravidade das consequências enfrentadas pelo paciente de 60 anos em decorrência da suspeita de administração errônea de hemoderivados.
Fonte: G1 Paraná — Norte e Noroeste — matéria original publicada em g1.globo.com. Imagens e vídeos: G1 Paraná — Norte e Noroeste. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
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