Apesar de uma série de choques que abalaram a economia global nos últimos anos, os mercados financeiros têm demonstrado uma resiliência notável. No entanto, o banco HSBC, uma das maiores instituições financeiras do mundo, aponta para uma série de desenvolvimentos que poderiam, eventualmente, pôr fim a essa sequência de estabilidade. Entre os principais riscos identificados estão o aumento dos impostos corporativos, uma nova elevação da dívida do setor privado e uma mudança na relação histórica entre ações e títulos.
Resiliência dos Mercados em Foco
Os mercados globais têm sido capazes de absorver repetidos choques, desde a inflação crescente e tarifas comerciais até conflitos geopolíticos e preocupações com crédito privado. Essa capacidade de 'ignorar' catalisadores negativos tem sido uma característica marcante, levando estrategistas do HSBC a descreverem os mercados como 'Teflon', dada a sua notável resistência a uma longa lista de gatilhos negativos potenciais nos últimos cinco anos.
O Deutsche Bank também questionou a durabilidade dessa resistência. Em um relatório divulgado na segunda-feira, a instituição afirmou que os ativos de risco permaneceram 'consistentemente resilientes', mesmo diante do aumento das taxas reais e das crescentes pressões inflacionárias, impulsionados por um crescimento global surpreendentemente robusto.
“O equilíbrio atual é insustentável... Ativos de risco como ações e crédito ainda estão surpreendentemente complacentes diante do choque estagflacionário que está sendo cada vez mais precificado nos mercados de taxas”, alertou o Deutsche Bank.
O banco destacou que os mercados de taxas ainda precificam um aperto limitado dos bancos centrais, apesar das pressões inflacionárias, enquanto os mercados de ações e crédito assumem que rendimentos mais altos não prejudicarão materialmente o crescimento.
Fatores de Risco Identificados pelo HSBC
O HSBC detalha que a retirada do suporte percebido dos bancos centrais para os mercados poderia testar essa resiliência. Embora o 'fim dos puts dos bancos centrais' (mecanismos de suporte e intervenção) pudesse ter um impacto adverso, o banco considera tal cenário difícil de imaginar, especialmente nos Estados Unidos, onde ações, efeitos de riqueza e condições financeiras se tornaram bastante interligados. Dada a influência desproporcional dos EUA nos mercados globais de ações e crédito, os maiores riscos residem ali, segundo o HSBC.
Outros fatores de risco incluem:
- Impostos Corporativos Mais Altos: Um aumento nos impostos corporativos que comprima a lucratividade das empresas poderia pesar sobre os mercados, reduzindo o entusiasmo dos investidores.
- Restauração da Correlação Negativa Ação-Título: Se a inflação cair para perto ou abaixo da meta, a correlação negativa entre ações e títulos pode ser restaurada (onde os preços dos títulos sobem quando as ações caem). Isso poderia incentivar os investidores a reduzir suas alocações em ações, pressionando as avaliações.
- Aumento da Dívida do Setor Privado: Uma nova elevação da alavancagem do setor privado poderia tornar a economia e os mercados mais vulneráveis a choques, embora o HSBC observe que a dívida está em mínimos de várias décadas.

Pilares da Resiliência Atual
A resiliência dos mercados tem sido sustentada por diversos fatores importantes, conforme análise do HSBC:
- Força dos Lucros Corporativos e Crescimento Econômico: Especialmente nos EUA, as estimativas de consenso têm subestimado repetidamente os lucros, indicando uma robustez maior do que o esperado. Essa resiliência se estendeu além da tecnologia e inteligência artificial, e as taxas de impostos corporativos nos EUA permanecem próximas dos mínimos de várias décadas.
- Mudança na Relação Ação-Título: Os títulos governamentais não oferecem mais a mesma diversificação contra o risco de ações como antes. Isso levou os investidores a reduzir suas alocações em títulos, migrando para ações e estratégias de hedge de curto prazo, o que tem ajudado a sustentar as altas avaliações das ações.
- Efeito Riqueza Poderoso: A riqueza das famílias nos EUA aumentou significativamente acima de sua tendência pré-Covid-19, com grande parte desse aumento concentrada em lares de alta renda. As reservas de caixa e equivalentes de caixa também estão bem acima da tendência pré-crise financeira.
- Ferramentas Abrangentes dos Bancos Centrais: Os bancos centrais agora possuem uma gama muito mais ampla de ferramentas para responder ao estresse do mercado. O Federal Reserve (banco central dos EUA), por exemplo, tem cerca de 20 ferramentas, facilidades e mecanismos de suporte potenciais, enquanto o Banco Central Europeu possui mais de uma dúzia.
- Menor Intensidade Energética e Baixa Alavancagem do Setor Privado: Uma menor dependência de energia e uma alavancagem relativamente baixa do setor privado também ajudaram os mercados a absorver choques. Picos nos preços do petróleo, ligados a conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, tiveram menos impacto nas economias de mercados desenvolvidos do que choques semelhantes teriam nas décadas de 1970 e 1980.
O Que Significa para a Região
As análises de grandes instituições financeiras como o HSBC e o Deutsche Bank, embora focadas em mercados globais, reverberam em economias regionais como a do Norte Pioneiro do Paraná. A resiliência ou vulnerabilidade dos mercados internacionais impacta diretamente o fluxo de investimentos, o custo de capital e a confiança dos consumidores e empresários locais.
Um cenário de impostos corporativos crescentes ou uma nova onda de endividamento privado, por exemplo, poderia desacelerar o crescimento econômico global, afetando a demanda por produtos e serviços, inclusive aqueles gerados na região. A instabilidade nos mercados de ações e títulos também pode influenciar a disponibilidade de crédito e o apetite por investimentos em projetos de longo prazo.
A capacidade dos bancos centrais de manter a estabilidade é crucial. Qualquer percepção de retirada de suporte pode gerar incerteza, levando a uma retração nos investimentos e um aumento na aversão ao risco, o que pode dificultar o acesso a financiamentos para empresas e projetos de infraestrutura na região.
Leitura da LZ7 Energia
A discussão sobre a resiliência dos mercados globais e os fatores que podem desestabilizá-los tem implicações diretas para o setor de energia, especialmente a solar. Em um cenário de aumento da dívida privada ou de impostos corporativos mais altos, o poder de compra e a capacidade de investimento de empresas e consumidores podem ser reduzidos, impactando a demanda por soluções de energia solar. Por outro lado, a menor intensidade energética, mencionada como um fator de resiliência, reflete uma tendência global de busca por fontes mais eficientes e sustentáveis, como a solar, que pode se beneficiar da conscientização sobre os custos e riscos associados a fontes de energia tradicionais, especialmente em contextos de instabilidade geopolítica que afetam os preços do petróleo. A busca por autonomia energética e redução de custos operacionais, através da energia solar, torna-se ainda mais relevante em períodos de incerteza econômica.
Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
