O mercado financeiro brasileiro se encontra em um momento de cautela e indefinição na última semana que antecede o primeiro turno das eleições de 2026. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, registrou uma perda de força notável, encerrando a última sexta-feira (25) aos 183.476 pontos, com uma queda semanal de 0,95%. Esse recuo contrasta com a recuperação observada no início de setembro, quando o índice saltou de 164 mil para 189 mil pontos em menos de um mês.
Apesar da desaceleração recente, o balanço geral ainda é positivo para o mês e para o ano. Em setembro, o Ibovespa acumula alta de 3,41%, e no ano, o avanço é de 13,87%. O fluxo de capital estrangeiro também demonstra otimismo, com uma entrada líquida de R$ 8,97 bilhões no mês e R$ 27,26 bilhões no ano, até 23 de setembro. Contudo, a proximidade das urnas e a intensificação do debate político e fiscal têm adicionado um peso considerável sobre as decisões dos investidores.
Eleições de 2026 no Centro das Atenções
A disputa presidencial entra em sua fase mais crítica, com as últimas pesquisas indicando uma margem estreita entre os principais candidatos. O Datafolha, divulgado na quinta-feira (24), mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 36%, uma diferença que se encontra no limite da margem de erro de dois pontos percentuais. Em um cenário de segundo turno, o levantamento apontou 47% para Lula e 45% para Bolsonaro, também dentro da margem de erro.
Outras pesquisas corroboram a competitividade do pleito. A Quaest registrou 37% a 33%, enquanto a AtlasIntel/Bloomberg indicou 45,8% a 43,4%, com Lula numericamente à frente em todos os levantamentos citados. Um fator crucial é a parcela de eleitores ainda indecisos: cerca de 7% foram classificados como “decididos indecisos”, e uma parte ainda maior não havia definido candidato na pergunta espontânea. Este grupo de eleitores, ainda em movimento, será influenciado por fatores como voto útil, mobilização das bases, debates e os acontecimentos finais da campanha, o que pode gerar mudanças nos percentuais até o dia da votação.

Impacto Fiscal e Medidas Governamentais
A reta final da campanha eleitoral também trouxe à tona preocupações fiscais para o mercado, com a divulgação de medidas governamentais que podem impactar as contas públicas do próximo mandato. O reajuste do Bolsa Família, a nova etapa do programa Desenrola e a proibição das apostas on-line somam um impacto potencial de até R$ 42,3 bilhões. Esses valores não estavam previstos no Orçamento de 2027.
- Bolsa Família: Custo adicional estimado em R$ 22 bilhões para 2027.
- Desenrola 3.0: Previsão de até R$ 15 bilhões para compra de carteiras de dívidas.
- Proibição de Apostas On-line (Bets): Perda estimada de R$ 5,3 bilhões em receitas no próximo ano.
O governo afirma que pretende acomodar essas medidas dentro das regras fiscais, por meio de remanejamento e revisão de despesas. No entanto, a questão para o mercado é como essa compensação será feita e qual será o espaço fiscal remanescente para o próximo mandato, o que adiciona mais um elemento de incerteza ao cenário.

Análise Técnica do Ibovespa: Suportes e Resistências
Após o rali de agosto, que levou o Ibovespa de 164.835 pontos (em 14 de agosto) a 189.487 pontos (em 8 de setembro), o índice perdeu intensidade e passou a oscilar em uma faixa mais estreita. Analistas técnicos da XP, Aliakyn Pereira e Ross, destacam que a região de 189.487 pontos se tornou a principal resistência antes do topo histórico.
“O Ibovespa registrou forte alta a partir do pregão de 14 de agosto de 2026, saindo dos 164.835 pontos e atingindo a máxima do movimento em 189.487 pontos. Essa máxima foi registrada no pregão de 8 de setembro e, desde então, a região se tornou a principal resistência do Ibovespa antes do topo histórico.”
Aliakyn Pereira e Ross, analistas técnicos da XP
Para uma retomada consistente do fluxo comprador, o Ibovespa precisa recuperar suas médias móveis e superar novamente a região dos 189.487 pontos. A estrutura de recuperação iniciada em agosto ainda é válida, mas depende da preservação do suporte de 180.800 pontos. Fechamentos abaixo desse nível indicariam uma correção maior, com alvo no suporte de 164.835 pontos. Por outro lado, a superação dos 189.500 pontos configuraria um grande pivô de alta, com projeção para os 210 mil pontos, após a máxima histórica de 199.354 pontos, registrada em abril.
O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está em 53,81 pontos, considerado neutro, refletindo a indecisão do mercado. A queda de 0,95% na última semana aproximou o índice de regiões de suporte importantes, como 183.240 pontos e, mais abaixo, 178 mil e 177.300 pontos.

Gatilhos para a Semana Decisiva
Além das eleições, a agenda da semana reserva importantes indicadores econômicos que podem influenciar a Bolsa. No Brasil, a trajetória fiscal ganha destaque. Nos Estados Unidos, o mercado aguarda:
- 30 de setembro: Divulgação do PIB, PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) e ADP (relatório de empregos do setor privado).
- 2 de outubro: Divulgação do payroll (relatório de empregos não agrícolas), no último pregão antes do primeiro turno.
Esses dados podem alterar as expectativas para juros, dólar e o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil. O investidor estrangeiro, que tem mantido um saldo comprador significativo, será uma peça-chave nesse cenário de volatilidade.

Perspectivas Pós-Eleições
Roberto Indech, Head de Relações Institucionais de Renda Variável da XP Inc., acredita que o Ibovespa não deve permanecer nos níveis atuais após o avanço do processo eleitoral. Ele destaca a preocupação com a situação fiscal, mencionando os pacotes de benefícios que o governo tem apresentado.
“Na minha opinião, acredito que o mercado não fica nesse patamar após as eleições, nessa faixa de 180 mil a 185 mil pontos em que vem negociando ao longo desses últimos 15 pregões.”
Roberto Indech, Head de Relações Institucionais de Renda Variável da XP Inc.
Indech prevê um movimento mais amplo para o índice após o segundo turno, seja para cima, em direção aos 210 mil pontos, ou para baixo, para a casa dos 165 mil pontos, independentemente do resultado eleitoral. A fotografia para a abertura da semana mostra um Ibovespa com menos impulso, mas ainda com ganhos acumulados. A indecisão no gráfico reflete o cenário de incertezas, e os próximos cinco pregões dirão se a perda de força foi apenas uma pausa ou o início de uma correção mais profunda.
Leitura da LZ7 Energia
A volatilidade e as incertezas no mercado financeiro, especialmente em períodos eleitorais e de discussões fiscais, podem impactar diretamente o custo de capital e o ambiente de investimentos em setores como o de energia solar. Empresas como a LZ7 Energia, que dependem de financiamentos e investimentos para expandir suas operações e oferecer soluções aos consumidores, podem sentir os efeitos de um cenário econômico instável. A previsibilidade fiscal e a estabilidade política são cruciais para atrair investimentos de longo prazo, essenciais para o desenvolvimento de infraestrutura energética e para a oferta de energia mais limpa e acessível na região do Norte Pioneiro do Paraná. Um ambiente de maior clareza e confiança pode impulsionar o setor, beneficiando tanto as empresas quanto os consumidores com melhores condições e maior acesso à energia solar.
Fonte: InfoMoney — Economia — matéria original publicada em infomoney.com.br. Imagens e vídeos: InfoMoney — Economia. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.
