A IMAX, gigante da tecnologia de cinema conhecida por suas telas gigantes e som imersivo, está vivenciando um período de prosperidade sem precedentes. Com ações atingindo o maior valor da história e a bilheteria global quebrando recordes, a empresa parece estar no auge. Contudo, a surpreendente falta de interessados em uma aquisição levanta questões no mercado, especialmente após o CEO, Rich Gelfond, ter sinalizado em dezembro do ano anterior a abertura para uma possível venda.

Quase nove meses após essa declaração, a IMAX consolidou sua posição com um desempenho robusto. A empresa registrou uma bilheteria global recorde de US$ 1,28 bilhão (US$ 1.28 billion) no ano passado, superando em mais de 40% os números de 2024 e 13% o recorde anterior de 2019. Analistas de Wall Street preveem que 2026 estabelecerá um novo recorde para a companhia. Este cenário de sucesso é impulsionado por filmes de grande impacto, como "The Odyssey" da Universal e Christopher Nolan, que arrecadou mais de US$ 400 milhões (US$ 400 million) em vendas de ingressos IMAX globalmente – um feito inédito para a empresa e representando quase 30% da bilheteria total do filme, apesar de as telas IMAX corresponderem a menos de 1% das salas de cinema mundiais.

Além disso, a expectativa para o lançamento de "Duna: Parte Três" da Warner Bros. e Denis Villeneuve em dezembro já gera forte pré-venda, com sessões especializadas esgotadas até janeiro. A empresa também se beneficia de preços de ingressos mais altos; em 2026, o custo médio de um ingresso IMAX para adultos nos EUA foi de US$ 20,57 (US$ 20.57), 60% superior ao ingresso padrão de US$ 12,75 (US$ 12.75) e quase 18% acima da média de outras ofertas premium, que custam cerca de US$ 17,46 (US$ 17.46).

Por Que Ninguém Compra?

Apesar do cenário favorável, a IMAX não atraiu grandes pretendentes. A empresa teve conversas preliminares no início do ano, mas não recebeu propostas formais até maio, conforme reportado pela CNBC na época. Uma pessoa familiarizada com a empresa, que preferiu não ser identificada, afirmou que a IMAX não contratou novos banqueiros nem preparou um material formal de apresentação para venda.

O mercado de mídia está agitado com fusões e aquisições, como a fusão contestada entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 110 bilhões (US$ 110 billion), e a aquisição da Roku pela Fox por US$ 22 bilhões (US$ 22 billion). Nesse contexto, a IMAX, com um valor de mercado de quase US$ 3 bilhões (US$ 3 billion), é considerada um ativo relativamente acessível.

Um dos principais obstáculos para a aquisição da IMAX por grandes estúdios, como Disney, Universal, Paramount e Warner Bros., é o potencial conflito de interesses. A IMAX atua de forma "agnóstica em relação aos estúdios", cobrando o mesmo valor de todos. Uma aquisição por um estúdio poderia gerar desconfiança entre os demais, que poderiam sentir-se preteridos nos principais horários de lançamento.

"Eles cobram o mesmo de todos os estúdios", afirmou Eric Wold, diretor executivo de pesquisa de ações da Texas Capital Securities. "Se algum estúdio os comprasse, acho que os outros estúdios sempre sentiriam que estariam em segundo plano para os principais horários de lançamento nos feriados e no verão, e isso pode não ser bem recebido."

Além disso, seria difícil para um único estúdio preencher um calendário teatral de 52 semanas apenas com seus próprios filmes, já que o formato premium da IMAX é ideal para blockbusters de grande espetáculo. Poucos estúdios têm comprado cinemas, mesmo após a revogação dos Decretos de Consentimento Paramount de 1948 pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2022, que antes proibiam estúdios de possuir redes de cinema. Apenas a Sony realizou uma grande aquisição no setor, comprando 35 cinemas Alamo Drafthouse em 2024.

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Potenciais Compradores e o Valor da IMAX

Analistas de Wall Street apontam potenciais compradores fora do círculo dos grandes estúdios, incluindo empresas de entretenimento e tecnologia como Netflix, Apple, Amazon e Sony, além de fundos de private equity. A Netflix, que recentemente demonstrou interesse em fusões e aquisições, poderia ver na IMAX uma oportunidade para oferecer exibições teatrais premium a cineastas que trabalham com a plataforma, minimizando conflitos de interesse por não depender de lançamentos teatrais como estratégia principal.

Apple, Amazon e Sony, com seus fortes negócios de tecnologia e conteúdo, também poderiam se beneficiar da IMAX como uma nova via de distribuição. A Sony, por exemplo, não possui plataforma de streaming própria, mas distribui conteúdo para a Netflix. Fundos de private equity também seriam uma opção, pois eliminariam preocupações com conflitos e poderiam capitalizar o momento de crescimento da empresa.

O valor das ações da IMAX atingiu US$ 54,79 (US$ 54.79) esta semana, um aumento de quase 80% nos últimos 12 meses. Quando Gelfond mencionou a venda pela primeira vez, as ações estavam em cerca de US$ 36 (US$ 36) e o valor de mercado em aproximadamente US$ 1,95 bilhão (US$ 1.95 billion). Agora, o preço de venda seria um bilhão de dólares mais alto.

"É muito mais caro do que tem sido por muito tempo", disse Alicia Reese, vice-presidente sênior de pesquisa de ações da Wedbush. "Talvez essas empresas de tecnologia ou potencialmente [private equity] que consideraram ou estavam 'dando uma olhada' esperassem um pouco para ver o que acontece com o preço das ações."

Analistas preveem mais crescimento para as ações, com algumas projeções chegando a US$ 65 (US$ 65) por ação. Drew Crum, da B. Riley Securities, elevou seu preço-alvo para US$ 61 (US$ 61), ante US$ 52 (US$ 52), citando "finanças recordes em 2026, com ganhos de participação, margens mais altas e geração de fluxo de caixa saudável".

IMAX: Forte e Independente

Apesar do interesse em uma possível venda, a IMAX não está ativamente buscando um comprador, mas sim aberta a ofertas. Isso permite que a empresa seja seletiva. Alicia Reese, da Wedbush, ressalta que a IMAX está "perfeitamente bem como uma empresa independente" e, portanto, não está desesperada. "Eles não vão aceitar qualquer oferta. Eles querem uma oferta que seja um bom prêmio em relação ao preço atual das ações", concluiu Reese.

O mercado de exibição teatral, ao qual a IMAX está ligada, é tradicionalmente de crescimento lento e focado em dividendos. Embora as vendas de ingressos na América do Norte ainda estejam abaixo dos níveis pré-pandêmicos de 2019, a IMAX se destaca com seu modelo de negócio premium e expansão global. A empresa planeja instalar entre 160 e 175 sistemas IMAX em 2026, com contratos para centenas mais já em vigor. Além disso, está diversificando seu conteúdo com parcerias na China, Japão e Coreia do Sul para exibir produções locais, e espera um crescimento material de seu conteúdo "filmado para IMAX" até 2028.

Fonte: CNBC — Economia global — matéria original publicada em cnbc.com. Imagens e vídeos: CNBC — Economia global. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.