Em um período de apenas dois dias, a Índia e o Paquistão foram palco de tragédias semelhantes e devastadoras, com incêndios em hospitais que ceifaram a vida de 17 recém-nascidos. Os incidentes, ocorridos em Amravati, no estado indiano de Maharashtra, e em Islamabad, capital paquistanesa, expõem uma preocupante realidade de negligência em segurança e falhas institucionais que, segundo especialistas, transformam vidas de cidadãos vulneráveis em meros custos.

Série de Tragédias com Recém-Nascidos

A primeira ocorrência foi registrada na Índia, em 27 de agosto de 2026, quando três recém-nascidos morreram em um incêndio na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de um hospital governamental em Amravati. A causa apontada para o incidente foi um ventilador defeituoso.

Apenas dois dias depois, em 29 de agosto de 2026, uma tragédia ainda maior abalou o Paquistão. Quatorze recém-nascidos foram mortos em um incêndio que irrompeu na ala de maternidade de um dos hospitais estatais mais proeminentes do país, o Pakistan Institute of Medical Sciences (PIMS) Hospital, em Islamabad. Neste caso, a causa reportada foi um aparelho de ar-condicionado que explodiu. A imagem de uma mulher colocando uma flor em homenagem aos bebês mortos fora da ala de Saúde Materna e Infantil do PIMS Hospital, em Islamabad, em 27 de agosto de 2026, ilustra a dor e o luto que se espalharam pelas nações.

Tragédias em Hospitais: Incêndios Matam Recém-Nascidos na Índia e Paquistão
Foto: Al Jazeera — Internacional

Reações e Padrões de Falha

Apesar das diferentes causas imediatas dos incêndios, as histórias dos pais em ambos os lados da fronteira são idênticas. Famílias que celebravam a chegada de novos membros foram confrontadas com a perda brutal. Em Amravati, um pai que distribuía doces pela chegada do filho ainda não havia tido a chance de ver o rosto do bebê. Em Islamabad, uma família celebrava o primeiro menino em anos.

As falhas institucionais e a resposta oficial seguiram um padrão familiar. Equipes de resgate chegaram atrasadas, e a evacuação de emergência foi dificultada por deficiências básicas na segurança contra incêndios. Políticos foram rápidos em expressar pesar, e investigações de alto nível foram anunciadas, juntamente com compensações financeiras e auditorias de segurança contra incêndios.

“Os incêndios hospitalares não aconteceram em áreas remotas, mas no estado mais rico da Índia e na capital do Paquistão. São histórias sobre as prioridades do governo.”

Vidya Krishnan, jornalista investigativa

A jornalista investigativa Vidya Krishnan, que acompanha esses eventos há 26 anos, destaca que esses incidentes não podem ser reduzidos a falhas de equipamento ou negligência individual. Segundo ela, as tragédias expõem uma verdade indecente: as vidas de famílias pobres e vulneráveis são consideradas descartáveis em ambas as nações.

Histórico de Incidentes e Impunidade

Os incêndios recentes não são eventos isolados. Tanto a Índia quanto o Paquistão possuem um histórico de incêndios em hospitais e outros edifícios públicos que resultaram em perdas significativas de vidas, sem que haja mudanças efetivas na regulamentação dessas instituições. A falta de conformidade com as leis de segurança e a aplicação frouxa dos códigos de construção são fatores recorrentes.

  • Índia:
    • 2011: Incêndio no Hospital AMRI, 89 mortos.
    • 2016: Incêndio no Hospital SUM em Bhubaneswar, 24 mortos.

Em nenhum desses casos, uma única pessoa foi condenada.

  • Paquistão:
    • 2012: Incêndio no Services Hospital em Lahore, 10 recém-nascidos mortos.
    • 2024: 11 bebês morreram no Sahiwal Teaching Hospital.

A análise dos dados governamentais revela um padrão contínuo de sacrifício de cidadãos em incêndios, o que a jornalista compara a “sociedades medievais tentando apaziguar deuses indiferentes”.

Tragédias em Hospitais: Incêndios Matam Recém-Nascidos na Índia e Paquistão
Foto: Al Jazeera — Internacional

Prioridades Nacionais e Segurança Básica

A Índia e o Paquistão, que recentemente marcaram 79 anos de independência, gastaram décadas convencendo seus cidadãos de que a maior forma de segurança é a proteção um do outro. No entanto, a realidade é que a maior comorbidade que os cidadãos de ambas as nações enfrentam são seus próprios governos negligentes.

A recusa em fazer melhorias significativas é uma escolha política, não uma questão de falta de recursos ou conhecimento. Ambos os países não são pobres ou devastados pela guerra a ponto de não poderem implementar medidas de segurança básicas. A segurança contra incêndios não é um luxo, nem uma aspiração ocidental ou colonial. É o patamar mínimo de segurança que um governo deve garantir aos seus cidadãos.

“Países que podem gastar bilhões preparando-se para a guerra não podem plausivelmente alegar que um sistema de sprinklers funcionando ou uma regulamentação de segurança contra incêndios em um hospital é uma expectativa irracional.”

Vidya Krishnan, jornalista investigativa

A jornalista questiona o que o poderio militar e o arsenal nuclear significam para os líderes, como o Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi e o Primeiro-Ministro paquistanês Shehbaz Sharif, quando confrontados com uma mãe chorando do lado de fora de uma ala neonatal. Os pais em Amravati e Islamabad não precisavam de um arsenal nuclear para defender seus bebês; eles precisavam que o alarme de incêndio funcionasse e que as saídas de emergência não estivessem bloqueadas. Nações que não podem garantir uma amenidade tão básica não deveriam ter o direito ao orgulho nacional.

Leitura da LZ7 Energia

A recorrência de incêndios em hospitais na Índia e no Paquistão, com a perda trágica de vidas, ressalta a importância crítica da infraestrutura e da manutenção em edificações, especialmente aquelas de uso público e essencial. A falha de equipamentos elétricos, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, como causas apontadas nesses incidentes, sublinha a necessidade de sistemas elétricos robustos, manutenção preventiva rigorosa e conformidade com normas de segurança. Em um contexto onde a energia elétrica é vital para o funcionamento de equipamentos médicos e sistemas de segurança, a qualidade da instalação e a gestão energética são fundamentais para prevenir catástrofes. A transição para fontes de energia mais estáveis e a implementação de tecnologias de monitoramento podem contribuir significativamente para a segurança e a resiliência de infraestruturas críticas, evitando que falhas elétricas se transformem em tragédias.

Fonte: Al Jazeera — Internacional — matéria original publicada em aljazeera.com. Imagens e vídeos: Al Jazeera — Internacional. Texto apurado e reescrito pela redação da LZ7 Energia.